Marighella: do fuzilamento à tentativa de apagar a sua história

O filme Marighella não vai mais estrear no dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra. A razão, segundo a própria produtora, foi por conta de “trâmites burocráticos”, não cumprimento de alguns prazos, como avisar a ANCINE (Agência Nacional de Cinema) com 90 dias de antecedência a data do lançamento.

Mas, não precisamos muito esforço para entender as questões políticas em torno do filme. Primeiro porque retrata Marighella, guerrilheiro da ALN, fuzilado em emboscada pelo assassino Delegado Fleury, era o mais odiado pela ditadura, ódio que a direita continua cultivando.

Segundo, pela operação desmonte da ANCINE promovida pelo governo Bolsonaro com desligamento do diretor-presidente, corte orçamentário, falta de funcionários e a campanha contra o financiamento de produções fora do arco ideológico de direita. Segundo funcionários (O Globo) esses problemas em circunstâncias normais seriam resolvidos rapidamente.

Segundo Wagner Moura, o diretor do filme, “É impossível não pensar que existe uma articulação política para criar esse tipo de ambiente”, afirmação com a qual concordamos.

Desde a exibição no festival de Berlin de cinema, quando foi aplaudido de pé, o filme vendo sofrendo vários tipos de ataques da direita brasileira como a campanha para rebaixar a avaliação do filme no site do IMDB (Internet Movie Database), site estadunidense especializado em informações sobre cinema e produções de TV, onde também é possível fazer avaliações de produções. Mesmo sem ter assistido, a nota para o filme chegou a ter como média 2,9.

E as negativas da ANCINE, comemoradas e incentivadas por Carlos Bolsonaro, é só mais uma delas.

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