Lucro dos bancos dispara. Poder político dos banqueiros aumenta

Lucro dos bancos dispara. Poder político dos banqueiros aumenta.

Os balanços dos bancos começaram a ser divulgados e a história se repete: o lucro só aumenta.

O lucro dos 4 maiores bancos – Itaú Unibanco, Santander, Bradesco e Banco do Brasil – somado foi de 81,5 bilhões de reais, um crescimento de 13% em relação a 2018.

O Itaú Unibanco registrou o maior lucro entre os bancos, alcançado o valor astronômico de 28,4 bilhões de reais.

O lucro líquido do Bradesco foi de R$ 25,9 bilhões, 20% superior em relação a 2018.

Já o banco Santander lucrou no ano passado 14,2 bilhões de reais, se consolidando na posição de 3º maior banco privado do Brasil. Comparado com 2018, representa um aumento de 16,6%.

O lucro dos bancos públicos (que cada vez são menos públicos…) também aumentou de forma recorde. O do Banco do Brasil foi de R$ 17,8 bilhões, o maior de sua história. A Caixa Econômica Federal – que não tem ações na Bolsa de Valores – não divulgou oficialmente seu balanço, mas a estimativa é de ser de R$ 12 bilhões, também recorde.

Se somados todos os bancos do país, as cifras são absurdas: 98,5 bilhões de reais.

De onde vem tanto lucro?

Sem crise os bancos lucram. Com crise lucram ainda mais. Ou seja, não existe crise para esse setor da burguesia que vive da especulação e de empréstimos a juros.

O sistema financeiro mundial, incluídos os bancos, cresceu muito nas últimas décadas.

Esse crescimento ocorreu principalmente porque recebeu uma grande quantidade de dinheiro que não podia ser reinvestido na produção por conta da queda da taxa de lucro. Com isso tinha mais dinheiro para ser emprestado e assim os bancos ganharam com os juros. E com juros muito altos. O cheque especial, por exemplo, tem juros de 8% ao mês, mais de 100% ao ano. No cartão de crédito os juros chegam a 300% ao ano.

As taxas de serviço são outra fonte de lucro. Mesmo usando o dinheiro depositado para fazer empréstimo (ganhando com os juros) os bancos ainda cobram altas tarifas bancárias, mesmo o cliente realizando várias tarefas.

O fechamento de agências, principalmente das regiões periféricas, ajuda na lucratividade, pois reduz custos de atendimento aos clientes. Foram fechadas 430 agências no ano passado. Entre 2015 e 2019 mais de 10% das agências foram fechadas. O Bradesco, por exemplo fechou 139 agências e em 2020 quer fechar outras 300.

As demissões também são uma forma de aumentar o lucro. Bradesco, Itaú e Santander, juntos, demitiram quase 7 mil pessoas. Só no Itaú foram 5.454 demissões. Desde 2013 foram extintos mais de 62 mil postos de trabalho.

Na última versão da reforma trabalhista de Bolsonaro, os banqueiros foram mais uma vez agraciados com o aumento da jornada de trabalho de 6 para 8 horas e sem aumento salarial. Ou seja, mais tempo para serem explorados e aumentar o lucro dos bancos.

Poucos bancos dominam o mercado brasileiro

Outro elemento importante é a chamada concentração bancária no Brasil na qual os 5 maiores bancos, detém o controle da maior parte das operações bancárias (dados referentes a 2018): 84,8% dos empréstimos concedidos, 83,8% de todos os depósitos, 81,2% dos ativos (R$ 81,20 de cada 100 reais estão nesses 5 bancos).

É uma das maiores concentrações do mundo, quase o dobro da dos Estados Unidos, por exemplo.

Esse poder econômico se reflete em um poder político quase ilimitado. No Brasil, por exemplo, a política econômica é implementada para atender os interesses dos bancos (endividamento, remuneração, pelo governo, de dinheiro que não conseguem emprestar, liberdade para impor valores de serviços bancários, etc), controlam o Banco Central e o Ministério da Economia (diretores e ministros sempre são banqueiros ou alguém que trabalha para banqueiros) e também financiam parlamentares.

Pela estatização do sistema financeiro

Os bancos sim são os parasitas (e não os servidores públicos), pois a sua riqueza é construída pela especulação e empréstimos a juros. Nada produzem.

Essa também é a mesma lógica dos chamados bancos públicos que atuam conforme “a regra do mercado”, praticando juros e taxas abusivas e só visando o lucro. E o pior é que o lucro nem é revertido para a sociedade (financiamento de hospitais, escolas, etc), pois ou vai para os acionistas ou para o pagamento da dívida pública (boa parte controlada por bancos privados).

Defendemos a estatização do sistema financeiro (bancos, seguradora, crédito) sob controle dos trabalhadores, redefinindo o papel dos bancos públicos na sociedade, para atuarem não visando o lucro, mas para atender as necessidades do povo.

Sabemos do tamanho dessa luta e do alcance revolucionário dela, pois se trata de uma luta em última instância socialista já que personifica o próprio enfrentamento ao imperialismo – que nada mais é do que o domínio do sistema financeiro que se dá através dos bancos.