Witzel, Polícia Militar e Coronavírus: o povo carioca enfrenta assassinos

O crime de rico a lei o cobreO Estado esmaga o oprimido

Não há direitos para o pobre

Ao rico tudo é permitido

(A Internacional)

No mesmo dia em que a Polícia Federal fazia buscas e apreensões na casa de Witzel eram divulgados os dados sobre a letalidade policial no estado do Rio de Janeiro.

As vítimas, como ocorre há anos, são os moradores das favelas, em sua maioria, pobres, jovens e negros. Além de enfrentar a ameaça da COVID-19 sem o apoio do Estado também têm que conviver com as ameaças que as forças policiais representam.

Nem a quarentena segura essas máquinas de guerra que são as forças policiais. Somente no mês de abril foram 177 mortes por mãos de policiais, crescimento de 43% em relação abril 2019. De janeiro a abril desse ano, somados, foram 606 mortes em decorrência de ações do braço armado da repressão estatal.

E as mortes continuam crescendo. No mês de maio – não consta nesse relatório – o sangue dos pobres nas favelas continuou sendo derramado. Praticamente todos os dias teve morte por policiais nos morros cariocas e estavam dentre os adolescentes: João Pedro de 14 anos, assassinado dentro de casa e Rodrigo Cerqueira de 19 anos, morto durante a entrega de cestas básicas para a população carente.

E são dados oficiais, de órgãos ligados ao governo Witzel, apresentados como “sucesso da política de segurança pública” no estado.

Assim, a população pobre do Rio de Janeiro vive sob a ameaça de morrer de tiro, do Coronavírus ou de fome porque os governos continuam pagando banqueiros e agiotas e não garantem uma renda mínima capaz de satisfazer as necessidades básicas das famílias.

Uma polícia para pobres e outra para ricos

A ideologia burguesa diz que a “justiça” (Polícia, Judiciário e o Ministério Público) é para todos, mas sabemos que no mundo real as coisas são bem diferentes. A realidade é com a polícia atacando a classe trabalhadora e protegendo os ricos e capitalistas.

Quando a ação policial envolve políticos e empresários tem uma forma de agir. Chegam com mandados judiciais, policiais educados que pedem licença, sem uso de armas. E quando há prisão sequer são algemados, quando no caso há instaurado o processo, dura anos. Nos poucos casos de condenação a pena é cumprida em casa ou, quando presos, nunca chegam a cumprir toda a penalidade.

Os crimes praticados pelos ricos são de milhões com dinheiro desviado da Saúde, da Educação ou mesmo de obras públicas que seriam destinadas à população carente.

Muito diferente de como atuam nas periferias onde agem até mesmo à margem da lei, desrespeitam os direitos democráticos básicos (agem sem mandados judiciais, arrombam portas de casas de trabalhadores e, não poucas vezes, se apropriam de dinheiro e bens encontrados, etc.), matam e alegam legítima defesa (muitos vídeos desmentem esse argumento!).

E na verdade o objetivo nem é combater o crime, é manter a população sob controle pelo medo. Também há o envolvimento de muitos policiais com as facções: fornecendo armamento, dando cobertura para o tráfico e fazendo parte de milícias. Lembremos que a família Bolsonaro tem forte ligação com essas milícias.

O Poder Judiciário e o Ministério Público contribuem com essas mortes quando mantêm a impunidade. As ações, em sua imensa maioria, não são investigadas ou o próprio Ministério Público pede arquivamentos e os juízes acatam esses pedidos.

Um caso famoso no Rio de Janeiro foi o arquivamento do inquérito que apurava a morte do traficante Matemático. O promotor pediu o arquivamento ao considerar que o policial agiu em legítima defesa (e o juiz concordou), no entanto, o tiro de fuzil foi de um helicóptero da Polícia Civil e o traficante estava fugindo de carro.

Outro que podemos citar é o caso do assassinato da menina Agatha, de 8 anos, assassinada por tiro de fuzil. O autor do disparo continua solto. O inquérito dá brecha para absolvição, diz que o PM agiu sob “forte tensão”.

Manda matar pobre para desviar de seus crimes a atenção

Também chamou nossa atenção a reação de Witzel ao reclamar de que o “Estado democrático de direito” não estava sendo respeitado e que Bolsonaro (agora seu desafeto) estava instaurando o fascismo no Brasil. Vejam, o mesmo governador que comemora como um gol a morte de pessoas e orienta a polícia a “mirar na cabecinha e …fogo”.

Desde o começo da pandemia, todos sabiam que o Rio de Janeiro seria um lugar onde o vírus iria encontrar melhores condições para se proliferar. Já são mais de 5 mil mortes (em 02/06).

Além de Witzel não se preparar adequadamente (na verdade nenhum deles) para o enfrentamento da pandemia, o seu governo se envolveu em superfaturamento de respiradores, atraso na entrega de hospitais de campanha (apesar de as empresas terem recebido o dinheiro), etc. Ou seja, é um inimigo da classe trabalhadora.

A política de extermínio da população pobre e preta, a falta de uma política capaz de enfrentar os perigos da pandemia, os ataques aos direitos do funcionalismo público e a corrupção são problemas que esse governo assassino têm a oferecer, não podemos esperar.

Emancipação Socialista / Ofensiva Socialista

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