CRONOLOGIA: 74 ANOS TRÁGICOS DE NAKBA

1897 – O primeiro Congresso Sionista, na Basiléia (Suíça), marca o início do movimento que reivindica um estado para os judeus na Palestina. Nessa região os judeus tem vinculação histórica e de lá sofreram o processo de diáspora ainda no antigo Império Romano.

1939 – Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os nazistas alemães passam a perseguir judeus por toda a Europa. Estima-se que 6 milhões tenham morrido em campos de concentração e extermínio, acontecimento decisivo para a aprovação de um ‘lar para os judeus’ no pós guerra.

1946 – Ao final da guerra, com milhões de judeus perseguidos sem ter para onde ir, o sionismo ganha força. Os britânicos, que dominavam a Palestina, tentam evitar a imigração de judeus para a região: milhares são refugiados na ilha de Chipre.

1947 – Em 29 de novembro de 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprova, em votação dividida e decidida com o voto brasileiro, a divisão da Palestina em dois estados: um judeu e outro árabe. Líderes judeus aceitam a resolução, mas os países árabes não: na época, viviam na região 1,3 milhão de árabes e 600 mil judeus.

1948 – Enquanto as tropas britânicas abandonam rapidamente a Palestina, grupos sionistas agem para organizar logo o Estado judeu legitimado pela ONU. Em 14 de maio, o presidente da Agência Judia para a Palestina, David Ben-Gurion, anuncia a formação de Israel.

1948/49 – Os países árabes vizinhos não reconhecem o novo país e tem início a Guerra de Independência de Israel, a primeira de uma série de conflito entre árabes e israelenses. A guerra termina em 1949. Israel, mesmo recém fundado, vence e começa a ampliação do Estado judeu inicialmente projetado pela ONU.

1949 – Exércitos árabes entram em guerra contra o novo Estado, que garante uma esmagadora vitória em 1949, com parte do armamento fornecido pelo então bloco de Leste. O chamado ‘bloco socialista’ era apoiador do novo estado judeu, inicialmente. Entre 800.000 e um milhão de palestinos são forçados ao exílio.

1956 – Meses após a nacionalização do Canal do Suez pelo Egito de Abdel Nasser, Israel lança os seus blindados e aviação ao assalto da península do Sinai e alcança o Canal do Suez. Em 31 de outubro, a França e o Reino Unido bombardeiam o Egito, mostrando as alianças e o papel internacional dos sionistas. Na sequência, sob pressão da ONU, Israel retira-se do Sinai.

1967 – 06 outubro/ Israel desencadeia a designada “Guerra dos Seis Dias” e assume o controlo de Jerusalém leste, da Cisjordânia, de Gaza, do planalto sírio dos Golã e do Sinai egípcio. Momento decisivo na expansão israelense na região.

1973 – Egito e Síria atacam Israel no Sinai e nos Golã. Após graves reveses o exército israelita retoma a ofensiva, mas sofre elevadas perdas. Posteriormente, são assinados acordos de paz.

1978 – O Presidente egípcio Anwar Al Sadat e o primeiro-ministro israelense Menahem Begin concluem os acordos de Camp David, que implicam, em 26 de março de 1979, a assinatura do primeiro tratado de paz entre as partes (Jordânia assinaria um acordo de paz com Israel em 1994).

1982 – Tropas israelenses invadem o Líbano e cercam a capital. A Organização de Libertação da Palestina (OLP) de Yasser Arafat abandona o país. Em setembro, milícias cristãs libanesas pró-israel massacram a população civil nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, em Beirute: um dos fatos mais marcantes nestas tantas décadas de massacres. Israel ocuparia o sul do Líbano até 2000.

1987 – Início da “guerra das pedras” na Cisjordânia e em Gaza, a primeira Intifada (Levantamento) dos palestinos contra a Nakba.

1993 – Israel e a OLP assinam em Washington os acordos de Oslo sobre a autonomia palestina. O aperto de mão histórico entre Yasser Arafat e o primeiro-ministro Yitzhak Rabin não traria paz nem estabilidade à região.

2000 – Na sequência do fracasso de negociações entre Israel e palestinos e da controversa visita de Ariel Sharon, então líder da oposição de direita, à Esplanada das Mesquitas, inicia-se a segunda Intifada.

O exército israelense reocupa as principais cidades da Cisjordânia e em março de 2002 lança a mais vasta ofensiva neste território desde 1967. Israel ergue um muro de separação com a Cisjordânia, justificado pela necessidade de impedir ataques terroristas.

2005 – Israel se retira unilateralmente de Gaza e impõe um bloqueio após o Hamas assumir o controle político da região.

2006 – Após o sequestro de soldados israelenses pelo Hezbollah, Israel lança uma devastadora ofensiva no Líbano. Acaba derrotado e se retira.

2014 – Israel desencadeia a operação “Margem Protetora” contra a Faixa de Gaza para impedir os disparos de foguetes. Almeja também destruir os túneis escavados os quais eram usados para uma serie de atividades em contexto de extremo isolamento imposto por Israel.

Esta guerra, a mais devastadora das três operações em Gaza desde 2008, provoca 2.251 mortos do lado palestino, maioria de civis, e 74 mortos israelenses, na maioria soldados.

2015 – Benjamin Netanyahu vence as legislativas e forma uma coligação com os partidos nacionalistas ‘Lar Judaico’ e ‘Israel Beitenu’, o governo mais à direita da história do país.

2017 – Israel inicia a construção de um novo colonato na Cisjordânia, o primeiro em 25 anos.

No mesmo ano, o inqualificável Donald Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel, com a simpatia de Bolsonaro, desencadeando fortes protestos entre os palestinos e a reprovação da comunidade internacional. Netanyahu refere-se a “um dia histórico”.

2018 – Washington anuncia que a sua embaixada será transferida de Tel Aviv para Jerusalém em maio, para coincidir com o 70º aniversário da fundação do Estado de Israel.

Um total de 295 palestinos foram mortos e mais de 29 mil ficaram feridos nos Territórios Palestinos neste ano, sendo o mais alto índice desde o conflito em Gaza, em 2014. O registro de feridos também é o mais alto desde 2005.

Muitos protestos palestinos ocorrem na fronteira de Gaza durante este ano e ficam denominados como “Marchas do retorno”.

2020 – A crise pandêmica tornou a situação humanitária e a vida cotidiana bem mais difíceis em Gaza assolada também com o brutal bloqueio israelense. Reduzem-se as licenças, vistos e autorizações.

2021 – 11 dias de conflito em maio deixam mais de 230 mortos no lado palestino. Greve geral no mesmo mês marca unidade entre vários grupos palestinos e paralisa várias cidades nas regiões ocupadas e mesmo em pontos de Israel.

2022 – Em abril pelo menos 152 palestinos ficaram feridos em confronto com a tropa de choque israelense dentro da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. Em maio e junho duas jornalistas são mortas a tiros pela policia israelense em contextos sem conflito estabelecido.