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Candidatos de extrema-direita como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado não têm grandes diferenças entre si

11 de setembro de 2026
in Nacional
Candidatos de extrema-direita como Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado não têm grandes diferenças entre si
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O crescimento da extrema-direita no mundo e no Brasil é expressão da crise estrutural do capitalismo e, em decorrência, do crescimento da barbárie social. Nas últimas eleições na América do Sul, a extrema-direita ganhou no Chile, Peru e Colômbia, muito em função disso, mas também do desencanto com governos anteriores que se apresentaram como de esquerda, mas se comportaram como gestores do Capital.

No Brasil, cujas eleições se realizarão em outubro, não tem sido muito diferente. Lula, ao contrário da sua retórica apresentada, se portou como um gerente dos interesses do Capital rentista e das grandes corporações. Como reflexo, enfrentará a oposição de extrema-direita, dividida, aparentemente, em diversas candidaturas.

Vamos analisar alguns candidatos desse último campo e veremos o que eles defendem no que tange à soberania nacional; às liberdades democráticas; aos direitos de trabalhadores públicos e privados, da população pobre e de setores oprimidos e no que se refere ao meio ambiente, entre outros temas.

Flávio Bolsonaro (PL): o “me engana, que eu gosto”

O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro procura se mostrar como nacionalista, moderado e como defensor dos direitos das mulheres, na sua propaganda eleitoral. Definitivamente, não é assim. Por exemplo, Flávio e seu irmão Eduardo apoiaram o “tarifaço” de Donald Trump sobre os produtos brasileiros. Em março, o candidato do PL declarou que o Brasil pode ser a solução para os EUA na questão dos minérios raros. Enfim, entreguismo total.

Já a pecha de moderado vai pro ralo, pois Flávio admite colocar o seu pai Jair como ministro, se eleito. O mesmo que foi condenado a 27 anos de prisão, por tentativa de golpe de Estado, em 2023. Ação esta que Flávio nega que foi golpismo. No tocante à defesa dos direitos das mulheres, o candidato do PL admite nomear ministros no STF, contrários ao aborto, visando atender o “Mercado da Fé” e as demandas das igrejas pentecostais e neopentecostais.

Outro marketing político usado por Flávio: o de que ele é pela moralidade pública. Contraditoriamente, aos 19 anos, Flávio teve um cargo no gabinete do PPB (atual PP) em Brasília, enquanto cursava faculdade de Direito e fazia estágio no Rio de Janeiro. Em resumo: era funcionário fantasma. Anos depois, foi denunciado o esquema usado por ele, quando deputado na ALERJ: as chamadas “rachadinhas”, envolvendo o “funcionário” Queiroz.

Registre-se: em função de esquemas como esse, o filho de Jair Bolsonaro teve um aumento de cerca de 370% do patrimônio em relação a 2018, declarando um patrimônio de R$ 8,18 milhões ao TSE, em 2026. Outro escândalo foi o áudio gravado pela Polícia Federal, quando o candidato do PL pediu R$ 134 milhões ao banqueiro presidiário Daniel Vorcaro para um filme sobre a vida do pai que seria utilizado na campanha eleitoral.

Quanto à segurança pública, Flávio, quando deputado da ALERJ, empregou parentes de milicianos; votou contra a CPI das milícias e o dinheiro oriundo das “rachadinhas”, segundo o MP, teria ajudado a financiar a construção de imóveis ilegais controlados por milicianos em áreas como Rio das Pedras. Já no que se reporta à questão do meio ambiente, o candidato do PL defende destravar as licenças ambientais para a construção de resorts.

Por fim, quanto aos direitos dos trabalhadores e da população pobre, Flávio votou na Reforma Previdenciária do seu pai, em 2019, a pior já feita no país. E foi a favor da Reforma Administrativa do ministro Paulo Guedes, aquela que acabaria com o serviço público. Porém, o candidato do PL, na moita, trabalha futuros ataques, se eleito: em março, seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, comentou sobre a necessidade de revisar regras trabalhistas e previdenciárias. E como prenúncio de que poderá fazer uma Reforma Administrativa, o candidato do PL defende a extinção de Ministérios. Isso sem falar que seu nome para ministro da Saúde, Claudio Luttenberg, é contra o SUS.

Tem mais: Flávio defende jornadas flexíveis e a prevalência do negociado sobre o legislado. Também propõe contratos com menor custo para o empregador na contratação de jovens e desempregados com mais de 50 anos. Para os trabalhadores de aplicativos, Flávio não quer protagonismo sindical na proteção social e previdenciária desses trabalhadores. Chumbo grosso!

Zema: privatização na veia e grandes ataques à vista

Outro candidato de extrema-direita, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (NOVO) vem com velhas propostas e tem declarado que privatizará todas as estatais e fará uma nova Reforma da Previdência e Administrativa, sob o pretexto de moralização da Administração pública. Cinicamente, o ex-governador, que prega a moralidade, aumentou o seu salário em quase 300% no seu mandato. Além disso, a dívida pública de Minas Gerais pulou de cerca de R$ 88 bilhões para mais de R$ 200 bilhões.

Sem negar a sua origem de empresário, Zema propõe um regime alternativo à CLT, com negociação de remuneração, jornada, dias trabalhados e férias. Também pretende reduzir custos de contratação, eliminar encargos sociais sobre até um salário mínimo. Em resumo: grandes ataques sobre os trabalhadores privados.

Em relação à tentativa de golpe de 08 de janeiro de 2023, Zema nega que houve tentativa de golpe e somente ocorreu “vandalismo”. Na questão ambiental, faz forte críticas às leis de licenciamento, vistas por ele como entraves ao progresso. Quanto ao tarifaço de Trump, culpou o Brasil por ter tratado mal o presidente norte-americano. E sobre os direitos das mulheres, em um ato falho, Zema resumiu a sua filosofia, ao dizer, que tinha um “programa contra as mulheres”.

Prova disso foi que Zema, em março de 2024, deu uma declaração misógina e preconceituosa, afirmando que, no Brasil, “homens brancos e heterossexuais são rotulados como carrascos”. Além disso, o candidato do NOVO reiterou críticas às políticas de cotas raciais e de gênero.

Caiado: um passado manchado de sangue de trabalhadores rurais

Ronaldo Caiado (PSD), médico de profissão e ex-governador de Goiás, foi presidente nacional da União Democrática Ruralista, na segunda metade da década de oitenta. Durante o período em que Caiado presidiu a entidade, os movimentos sociais de luta pela terra e relatórios históricos de órgãos, como a Comissão Pastoral da Terra, apontam que o Brasil viveu uma escalada de violência no campo, registrando centenas de assassinatos de trabalhadores rurais e lideranças camponesas em disputas agrárias por todo o país. O mais famoso desses crimes foi o do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

Depois da UDR, Caiado virou deputado e senador, como porta-voz do agronegócio, até chegar ao cargo de governador de Goiás. A visão contra o trabalhador, portanto, segue intacta. O candidato é a favor de uma nova Reforma Administrativa e planeja estudos sobre uma nova Reforma da Previdência. Para ele, a dívida pública do país só poderá ser resolvida com contenção de gastos públicos.

Caiado também adota uma abordagem favorável à flexibilização das relações de trabalho, incentivando a ideia de negociação entre as partes, como se patrões e empregados tivessem peso igual numa mesa de negociação. Referente aos trabalhadores de aplicativos, o ex-governador de Goiás fala em proteção social e previdenciária desse setor, mas não detalha como seria essa proteção social.

No tocante à soberania nacional, Ronaldo Caiado disse que aceita negociar terras raras com os EUA, o que já tinha feito no seu governo em Goiás: em bom português, subordinação total ao imperialismo ianque. No que se refere à tentativa de golpe de 2023, o doutor fazendeiro disse que vai anistiar os golpistas.

E no que se reporta ao meio ambiente, no seu governo no estado do Centro-Oeste, o candidato do PSD e representante dos interesses do agronegócio teve iniciativas voltadas à desburocratização do licenciamento ambiental e ao estímulo ao setor produtivo, o que frequentemente gera debates jurídicos e críticas de entidades ambientalistas.

Conclusão: diferenças no varejo, mas não no atacado

As disputas entre frações burguesas é que explicam a existência dessas três candidaturas, mais a de Renan Santos (Missão), analisada em outro artigo do Blog. Na aparência, os três se mostram diferentes, mas, de conteúdo, as propostas dos mesmos se assemelham quanto ao alvo: os trabalhadores, os setores oprimidos e a população pobre.

 

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