Marco Rubio, um dos principais representantes da extrema-direita mundial e secretário de Estado dos Estados Unidos, em sua cruzada reacionária, visitou Colômbia, Peru e Equador para alinhar acordos com esses países sobre o “Escudo das Américas”, um plano que as forças estadunidenses chamam de defesa da América Latina.
Quando falam de defesa da América Latina, devemos entender como submissão e abrir as portas aos interesses dos Estados Unidos. A escolha desses países não foi por acaso, pois são governos de extrema-direita e abertamente defendem os interesses estadunidenses, se dispondo a aceitar todo tipo de ingerência.
Em suas viagens, Marco Rubio sempre tem como companheira a morte. Os bombardeios contra Gaza, Líbano, Irã têm sua assinatura. O sequestro de Maduro, a expropriação do petróleo venezuelano e o bloqueio a Cuba (condenando o povo cubano a blackouts, falta de gasolina e comida) também foram organizados por ele.
O Escudo das Américas
Já tratamos aqui (https://shre.ink/Gsbt) sobre a “Doutrina Monroe”, a base ideológica da política externa dos Estados Unidos, que consideram a América Latina e o Caribe como seu quintal. Ou seja, os países latino-americanos e caribenhos devem atender aos interesses estadunidenses, chegando ao ponto de ser considerado como perigo à segurança dos Estados Unidos um desses países ter relações comerciais com a China, por exemplo.
Numa linguagem mais popular: os Estados Unidos se acham os donos da América Latina e do Caribe e de suas riquezas.
E para efetivar esse domínio, usam de todas as artimanhas: “as negociações com o porrete na mão”, golpes de Estado e até intervenções militares. A atual é o “Escudo das Américas”, um acordo político e de segurança com governos da extrema-direita da região. Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Guiana, Honduras, Panamá, República Dominicana, Trinidad e Tobago, El Salvador, Paraguai e Equador já eram parte desse acordo. Agora entram Peru e Colômbia. Todos eles com governos reacionários alinhados com Trump.
Sabemos também que os objetivos defendidos publicamente nunca são os reais. No discurso, esse acordo é para atacar o tráfico de drogas, mas, na realidade, o objetivo é o controle das riquezas naturais e do mercado latino-americano, além de forçar os países a seguirem os interesses de Washington e interromper a influência de outros países, como China e Rússia, na América Latina.
É, portanto, uma ação para atacar a soberania e a independência nacional, numa tentativa de transformar os países em uma espécie de colônia dos Estados Unidos.
Aumento da presença e ações militares dos Estados Unidos na região
A pressão estadunidense sempre envolve as seguintes questões: política e diplomática, a econômica (com o aumento das tarifas, por exemplo) e a militar, que tem crescido no último período, inclusive no contexto do “Escudo das Américas”. É como Rubio já declarou abertamente, “que o objetivo dessas pressões é para que o domínio do país em toda a América nunca mais seja questionado”.
O acordo prevê ações conjuntas e coordenadas de inteligência (nas quais os Estados Unidos não repassam, só recebem informações), vigilância integrada de fronteiras (satélites, etc.), extradições rápidas (em alguns casos, autorização de sequestro “dos inimigos” dos Estados Unidos para serem julgados pela justiça estadunidense) e operações conjuntas de forças de segurança e militares, com está ocorrendo no Equador.
É em base a esses acordos – que dão um ar de legalidade e legitimidade- que Trump, com o apoio dos lesa-pátria da extrema-direita, aumenta os ataques e ações militares no território latino-americano e caribenho.
No Equador, na Província de Esmeraldas, as forças armadas dos Estados Unidos estão realizando operações militares com helicópteros, navios de guerra e soldados e já controlam os portos da região. O governo reacionário de Noboa já publicou decreto permitindo essas operações por 180 dias e os soldados estadunidenses têm imunidade. Ou seja, se assassinam alguém, não serão julgados no Equador. Se forem julgados, serão nos Estados Unidos.
Outro país que permite a presença militar do imperialismo em seu território é o Paraguai. Nos marcos do “Escudo das Américas”, foi realizado um acordo permitindo livre movimentação dos militares estadunidenses pelo Paraguai e com imunidade total, como não ser julgado pela Justiça paraguaia, poder andar armado, equipamentos não podem ser fiscalizados quando entrarem no país, entre outros privilégios. É, na prática, a instalação de uma base militar dos Estados Unidos no Paraguai.
Ficamos nesses dois exemplos. Mas, Guatemala e Panamá têm acordos semelhantes e há negociações em curso com outros países.
Interesses econômicos
O discurso dos Estados Unidos continua sendo o de combate ao tráfico de drogas, na chamada política de guerra às drogas (uma nota: mesmo dentro dos Estados Unidos, essa política é um fracasso completo porque o país é um dos maiores consumidores de drogas ilícitas do mundo), mas buscam mesmo é o controle sobre as riquezas minerais e tentar afastar a China do comércio da região. O “sincero” Secretário de Defesa, Pete Hegeseth, não faz questão de esconder a razão, dizendo que a “influência chinesa não pode controlar nosso próprio quintal”.
Há muitas disputas econômicas e tecnológicas na América Latina e a China tem forte presença, com bilhões de dólares em investimentos em infraestrutura (portos, estradas, etc.) e um comércio também gigantesco. Outro ponto dessa disputa são os minérios, como o lítio, o petróleo e terras raras, recursos fundamentais para a atual etapa tecnológica mundial.
A China crescendo quer dizer os Estados Unidos perdendo espaço.
E no Brasil?
O Brasil tem enfrentado vários ataques dos Estados Unidos, como o aumento das tarifas comerciais, ação de funcionários do governo Trump contra o sistema eleitoral brasileiro, proteção a golpistas como Eduardo Bolsonaro e agora a tentativa de caracterizar facções criminosas como terroristas (buscando uma brecha para intervenções militares em território brasileiro).
Se comercialmente há, pelo menos no discurso, alguma resistência, no plano militar a proximidade e influência dos Estados nas forças de segurança brasileiras é grande. Os exercícios militares conjuntos entre as forças armadas dos dois países, as constantes participações de oficiais na cadeia de comando da Quarta Frota dos Estados Unidos, a doutrina militar aplicada nas escolas de preparação e de oficiais brasileiros (a Doutrina de Segurança Nacional e do inimigo interno foram assumidas pela ditadura militar), a formação de militares brasileiros nos Estados Unidos, através de cursos e intercâmbios e a dependência da tecnologia militar em relação aos Estados Unidos são alguns dos exemplos da influência estadunidense sobre as forças armadas brasileiras.
Essa ofensiva imperialista sobre a América Latina não é para “proteger a América”. É, sim, ter controle político, econômico e militar sobre a nossa região.
Quem protege a América Latina dos ataques dos Estados Unidos? Fora imperialismo da América Latina!
O avanço dos Estados Unidos tem como objetivo controlar a região e extrair as nossas riquezas, o que só aprofundará a miséria e pobreza. A defesa da soberania nacional (defesa das riquezas, autodeterminação dos povos e a independência nacional) é uma das principais tarefas colocadas para os movimentos sociais da América Latina e Caribe, enfrentando a ofensiva imperialista liderada por Trump.
Essa luta se combina com o enfrentamento aos grupos entreguistas da extrema-direita da região que estão servindo de ponto de apoio para a política imperialista. Muitos, como os Bolsonaros, defendem abertamente as medidas de Trump contra o país (tarifas, caracterizar facções criminosas como terroristas, etc.).
Esses acontecimentos demonstram que, apesar de serem um acontecimento importante, na América Latina, a libertação nacional ficou pelo meio do caminho, mantendo as portas abertas para os países imperialistas. Por isso, a atual luta anti-imperialista precisa se combinar com a luta anticapitalista porque só o poder da classe trabalhadora pode cumprir as tarefas de libertação nacional.
Outra questão importante é que essa luta não pode ser realizada nos marcos das fronteiras nacionais. Por isso, a necessidade da unidade em um movimento anti-imperialista latino-americano e caribenho, reunindo as experiências de organização e de luta na região.



