COVID segue matando e governos continuam sem tomar medidas para defender vidas

Descaso generalizado com a população

Foi só passar as eleições para os números de contaminação, internação e mortes por COVID aumentarem. Na verdade, eles já estavam crescendo há dias, mas para preservar o período eleitoral os governos procuravam esconder a situação.

No Brasil já tivemos (12/12) mais de 181 mil pessoas mortas pela COVID-19. Até essa mesma data eram 6.880.595 casos. O que chama a atenção é a naturalização dessas mortes, como se morrer tanta gente em tão pouco tempo fosse normal.

A começar por Bolsonaro, que desde o início adotou uma postura de “tanto faz” morrer um ou 1 milhão, que era apenas uma “gripezinha”, passando pelos ricos, como Roberto Justus, que afirmou “não podemos parar por 7 mil que vão morrer”, o que vemos é o desprezo que a classe dominante tem pela vida das pessoas trabalhadoras.

Depois foram Dória, Covas, Crivella e outros governos e prefeitos, mesmo com centenas de mortes diárias, liberando atividades comerciais, de lazer e até pressionado para retomarem as atividades nas escolas. A pressão dos grandes comerciantes, das empresas e academias levou a praticamente liberar totalmente as atividades nas grandes cidades.

Com 295 mil novos casos na última semana, o Brasil só ficou atrás dos Estados Unidos em quantidade de novos casos: 11 estados estão com mais de 70% dos leitos de UTI lotados. Seis deles próximos do colapso. Lembremos que a região Sul (todos os estados com mais de 80% de lotação) foi onde primeiro as medidas de isolamento foram flexibilizadas.

Dória e Bruno Covas continuam brincando com as nossas vidas

Mas foi só passar as eleições e a verdade veio à tona. Mesmo sem garantir o cumprimento das regras, um dia depois das eleições, Dória decreta o retorno para a “fase laranja” de isolamento. No estado de São Paulo a média móvel (por7 dias) de mortes é de 134, 34% superior. Brincam com nossas vidas.

Há várias cidades em que não há mais vagas nas UTIs.

Na Grande São Paulo a taxa de ocupação de leitos de UTI em hospitais públicos já está em 62,2%. No estado inteiro, 55,5% dos leitos de UTI estão ocupados.

Até mesmo na rede privada há dificuldade de internação em UTI. No começo de dezembro, 84% dos leitos de UTI dos hospitais privados ou contratados pela prefeitura estão ocupados.

Transporte coletivo, ruas e comércios lotados: está sendo colocando tudo a perder do pouco que das taxas de contaminação que se conseguiu conter. As aulas em São Paulo só não reiniciaram porque houve resistência dos professores e da comunidade escolar. Se não fosse isso, a situação já estaria sem controle.

Mais interessado nos votos do que na saúde e vida da população antes da eleição, Covas cinicamente declarou que “há uma estabilidade em relação ao número de casos na cidade de São Paulo, há uma estabilidade em relação ao número de óbitos na cidade de São Paulo”, como se fosse normal tantas pessoas ficarem doentes e até morrendo.

Crivella e seu fundamentalismo provoca mortes

O Rio de Janeiro está próximo do caos. Não há mais leitos disponíveis para tratamento da COVID-19 em enfermarias e UTIs.

Até o dia 09/ 12, a fila para internação na rede pública do estado do Rio de Janeiro era de 491 pessoas, sendo 251 para a terapia intensiva. Há cerca de um mês eram 76 pessoas aguardando um leito, trinta necessitando de UTI.

O aumento tão significativo de pessoas à procura de vagas em hospitais, no entanto, não muda os planos do governo: Cláudio Castro, governador em exercício do RJ e o prefeito da capital, Marcelo Crivella, descartam a possibilidade de restringir as atividades. Apenas as escolas municipais foram novamente fechadas, devido ao aumento dos casos de COVID-19. Os shoppings, por sua vez, estão autorizados a funcionar 24 horas por dia para evitar aglomeração. Em 10/ 12 foi decretado um escalonamento dos setores: indústria a partir das 7h, serviços a partir das 9h e comércio de 11h em diante.

A preocupação dos governos de extrema direita é com os lucros do comércio neste período de consumo significativo por causa das festas de fim de ano. Mas não fizeram um plano para atender os cariocas quando os serviços foram reabertos. Pelo contrário, hospitais de campanha foram desativados.

As áreas de lazer das orlas de Copacabana, Ipanema e Leblon e do Aterro do Flamengo, espaços ao ar livre, estão proibidas por ordem de Crivella e os ambulantes legais que nelas trabalham receberão cestas básicas. Conhecendo a má qualidade de tudo o que é oferecido à população pela gestão Crivella já é possível imaginar em que situação estes trabalhadores precarizados se encontrarão em breve…

A pandemia se agravou muito depois de Crivella liberar o funcionamento de bares, praias e escolas. Ele queria votos para a reeleição e, para ganhar apoio de Bolsonaro, resolveu rezar na cartilha na minimização dos perigos da doença. Chegou até a declarar que a COVID-19 “matou menos que o esperado no Rio”.

Eduardo Paes, prefeito eleito da cidade, vai seguir na mesma linha. Ele já declarou que não vê motivos para um lockdown, alegando que é uma medida que as pessoas não irão cumprir e que pretende melhorar os serviços de saúde da cidade, além de estimular o uso de máscaras e o distanciamento social. Bem, todos sabem de que modo Paes, por dois mandatos prefeito do Rio, trata os serviços: na base da terceirização e dos desvios de verba.

Bolsonaro e o Ministro da Saúde, genocidas

O Ministério da Saúde não divulga os números de mortes e contaminação pelo país. E quando há alguma divulgação é parcial. Reina o descontrole.

Ainda não é uma situação de colapso (que seria acima de 70%), mas os infectologistas indicam que estamos caminhando para o descontrole, ainda que lentamente. Segundo o Imperial College de Londres, a taxa de transmissibilidade (Rt) da doença no Brasil está em 1,14. Ou seja, cada 100 infectados podem contaminar outras 114 pessoas.

Sem nenhuma política efetiva de combate e controle, fecham os olhos para a realidade. Paulo Guedes chega até a descartar uma segunda onda, quando muitos até discutem que nem saímos da primeira, ou seja, a situação é grave.

O aumento de casos de COVID-19 é resultado da política desses governos capitalistas que colocam o lucro acima da vida. Preferem salvar as empresas, mesmo que aumentem as mortes. Sem a vacina, em qualquer aglomeração em empresas, restaurantes, transportes, lazer, vai haver a contaminação. Prédios, máquinas e equipamentos não morrem; pessoas sim.

Para nós, a vida está acima da propriedade privada dos meios de produção. Sempre

A burguesia faz qualquer coisa para garantir seus lucros. Se tiverem que escolher entre o lucro e a vida ficam com o lucro, pois a vida só tem sentido se der lucro. Por isso pressionam contra a quarentena.

Nós lutamos pela vida. Qualquer medida para enfrentar a pandemia deve começar por medidas para a garantia a vida de todos.

E nesse momento de retorno do aumento dos casos, colocando sobretudo a população pobre em risco, a quarentena para todos, exceto para aqueles trabalhos de interesse social, é essencial. É o que a ciência recomenda como a melhor forma de prevenção.

E para garantir que os pobres, subempregados, desempregados e trabalhadores informais fiquem em casa, defendemos a aplicação de um plano econômico garantindo a renda mínima de pelo menos 2 salários-mínimos para cada trabalhador e pequenos comerciantes. É assim que se preserva a vida.

Junto com essa medida devem vir outras como a estabilidade no emprego e a estatização das empresas que demitirem; Ampliação das parcelas do seguro desemprego; Isenção de todas as tarifas de serviços públicos (água, luz, transporte públicos, etc.);

  • Ninguém pode ficar sem atendimento ou ter atendimento precário: Destinar verbas para equipar e construir novos hospitais com leitos adequados para o tratamento;
  • Para os que se contaminarem, atendimento igualitário: por ordem de chegada no Sistema de Saúde, sem distinção de quem tenha ou não plano de saúde;
  • A Emancipação Socialista defende que todos tenham acesso à Saúde de maneira igualitária. Os hospitais e laboratórios lucram com a doença. A existência humana será muito mais plena e feliz quando todas as vidas de fato valerem exatamente a mesma coisa. Que haja um único Sistema de Saúde no Brasil, público e acessível a todos sem distinção alguma.

De onde viria o dinheiro?

Já se pode antecipar o discurso de banqueiros, grandes empresários e dos governos: não tem dinheiro. Dinheiro tem, mas usam para os ricos ficarem mais ricos.

Há recursos na Conta Única do Tesouro, depósitos em bancos (reservas internacionais) nos Estados Unidos; “sobra de caixa” no Banco Central (dinheiro que os bancos não conseguiram emprestar e o governo paga juros aos bancos, mesmo sem usá-lo).

E também tem a dívida pública que, segundo a “auditoria cidadã da dívida”, até o mês de agosto desse ano já foram pagos R$ 1.046.874.486.123 (mais de um trilhão!!) para os agiotas e especuladores, dinheiro suficiente para pagar 2 salários mínimos (por 7 meses) para as 67 milhões de pessoas que fizeram uso do auxílio emergencial.

Esses números comprovam bem como as prioridades no Capitalismo são o dinheiro e para o lucro. Sabemos que governos burgueses não adotarão medidas propostas pelos revolucionários porque eles defendem os interesses econômicos da classe dominante e nós a vida da classe trabalhadora.

Por isso, medidas efetivas de defesa dos interesses da classe trabalhadora só podem ser concretizadas com a mobilização. Não há outra possibilidade.

Mobilização contra o pagamento dessa dívida (quanto mais se paga mais ela cresce) certamente vai enfrentar resistência dos banqueiros e especuladores, pois não querem perder seus privilégios. A polícia e o exército serão chamados para a repressão e a mídia burguesa vai fazer propaganda contra. Enfim, os ricos também vão se mexer.

Por isso as mudanças só podem vir pelo Socialismo, um Sistema Político e Social que defende a Vida e o bem-estar onde as pessoas são mais importantes do que a propriedade privada.

E é pela Revolução que chegaremos a esse Sistema social.