Dória e o cinismo eleitoral

João Dória e cinismo são duas faces da mesma moeda. Um foi feito para o outro.

Ele é um dos responsáveis pelo caos na Saúde Pública (e também na Educação, Transporte, etc.) no estado de São Paulo e agora, pensando nas eleições para Presidente, tem posado como o salvador do povo brasileiro.

Diante da possibilidade de comercialização da vacina chinesa Coronavac, se apressou em apresentar um plano de vacinação para o estado de São Paulo até mesmo desconsiderando orientações cientificas quanto à eficácia e os cuidados necessários para uma vacinação. Na Inglaterra, por exemplo, houve casos de reação quando as pessoas são “excessivamente alérgicas”.

Este plano também é demagógico, pois até mesmo o Instituto Butantã afirmou que se a vacina for colocada no plano nacional de vacinação a prioridade é fornecer para o governo federal. Também é eleitoreira, pois ele sabe dessa situação, mas quer construir uma situação para usar nas próximas eleições. Se tivesse de fato alguma preocupação com a vida dos paulistas teria adotado mais fortes para conter o avanço do vírus e das mortes no estado. Já são mais de 44 mil mortes.

O cinismo é tanto que um desavisado pensa que ele é o cientista, o trabalhador do laboratório, quem entrega. Só que a pose para fotos é bem diferente da realidade e de como ele trata a saúde e a pesquisa desde quando foi eleito prefeito da capital e depois govenador. Vejamos alguns exemplos de como ele trata a Saúde Pública.

  • Em 2018, quando prefeito da cidade de São Paulo fechou 108 AMAs (unidades de pronto atendimento) e transferiu os serviços para as UBS (atendimento agendado, demorando até meses a depender da especialidade). Com isso, demitiu médicos e enfermeiros desestruturando o serviço de Saúde. R$ 4,9 bilhões, metade da verba destinada à Saúde, foi para pagamento de Organizações Sociais (OS’s);
  • Nesse ano tentou fechar a FURP (Fundação para o Remédio Popular), maior fábrica pública de medicamentos, que em 2019 produziu 530 milhões de medicamentos para a rede pública de Saúde e a FOSP (Fundação Oncocentro de São Paulo), também ligada à Saúde pública. Seu projeto foi derrotado após muita luta do funcionalismo público de São Paulo;
  • Nesse mesmo projeto tentou acabar com a FAPESP, agência de financiamento de pesquisas no estado de São Paulo, o que inviabilizaria as pesquisas no estado. Não conseguiu, mas continua com a política de enfraquece-la. O orçamento para 2021 prevê cortes de 454 milhões de reais na área de pesquisa;

Como governo o mínimo que deve fazer é garantir que toda a população do estado seja vacinada. O uso eleitoral – assim como faz Bolsonaro – de uma medida básica e fundamental para as pessoas só revela o seu oportunismo e cretinismo governamental.

A vacinação é uma decisão técnica e por isso deve estar sob cuidados e responsabilidades do Sistema Público de Saúde, o qual deve receber investimentos para equipar clínicas, hospitais, transporte para chegar às cidades mais afastadas e nas regiões rurais. Ou seja, é necessário exatamente aquilo que Dória foi extinguindo ao longo desses anos.

Também devemos lembrar o apoio entusiasmado de Dória a Bolsonaro nas eleições e nos primeiros meses do governo. Só se afastou porque o próprio Bolsonaro começou a ataca-lo, pois não quer mais um candidato disputando votos com ele em 2022.