Fora imperialismo da Venezuela!
Fora imperialismo da América Latina!
Construir uma mobilização latino-americana para derrotar Trump
Os Estados Unidos invadiram e sequestraram um petroleiro venezuelano em águas territoriais do país. Uma ação e dois crimes: invasão do território e roubo do petróleo.
Trump, referindo-se à ação, declarou: “Acabamos de apreender um petroleiro na costa venezuelana. Um grande, muito grande petroleiro”. Quando perguntando sobre o destino do petróleo afirmou e assumiu o roubo, “Bem, nós estamos ficando, eu acho”.
A justificativa para o roubo do petróleo é que Venezuela e Irã não podem vender seus produtos. A razão? É o desejo dos Estados Unidos, agindo como se fossem os donos do mundo.
Desde o começo de setembro são dezenas de embarcações, aviões, porta-aviões e outros pesados armamentos controlando o Mar do Caribe. Uma ação intervencionista e de ameaça aos povos da América Latina. Já foram bombardeados vários barcos, muitos deles de pescadores. Dezenas de pessoas morreram (estima-se 87 pessoas) nessas ações, inclusive alguns foram mortos mesmo depois de sobreviverem aos bombardeios.
Não temos nenhuma simpatia pelo governo Maduro, mas defendemos a ação da classe trabalhadora para derrotá-lo. Trata-se da soberania popular, do povo venezuelano. O povo venezuelano é único legitimado para derrubar qualquer governo de seu país.
María Corina Machado é parte do golpe
Numa ação de apoio à extrema-direita venezuelana, o prêmio Nobel da Paz foi entregue para Maria Corina Machado, a principal liderança da extrema-direita da Venezuela, “por sua luta pacífica por uma transição justa e democrática”. Isso é uma contradição porque Corina apoiou as várias tentativas de golpe nos últimos anos e tem defendido a invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos.
Corina vem de uma das famílias tradicionais da Venezuela e com riqueza construída com a exploração de trabalhadores na indústria siderúrgica do país. Liderança do Súmate, uma ONG financiada por organizações internacionais, está empenhada em legitimar uma intervenção militar no país, pois “Só assim o regime será quebrado, e é o que estamos avançando”.
Silêncio de uns, apoio de outros
É muito grave essa invasão na América Latina e não é só sobre a Venezuela, mas diz respeito a todos os países da região. O argumento de ser uma cruzada contra as drogas, como demonstramos em outra nota política, é uma farsa porque nem o Mar do Caribe é uma rota muito utilizada pelo tráfico internacional e nem a Venezuela é um centro de produção de drogas.
As provocações são constantes. No dia 09/12, dois caças F-18 dos Estados Unidos sobrevoaram o espaço aéreo venezuelano por 40 minutos, circulando ao redor do Golfo da Venezuela, perto da cidade de Maracaibo. Trump diz aos quatros ventos que uma ação terrestre está sendo preparada.
Mesmo com todos esses absurdos os governos da região estão divididos: uns em completo silêncio e se limitando a “ações diplomáticas”, e outros, como Milei, apoiando a intervenção no território venezuelano. Os Estados Unidos também contam com o apoio da extrema-direita na região. Principalmente a venezuelana, que defende abertamente a invasão.
Não é um ataque só à Venezuela (já seria muito grave), mas a todos os povos da América Latina. Por isso é preciso uma reação da classe trabalhadora de todos os países. Sabemos que não é a primeira vez que o imperialismo atua militarmente na América Latina, mas é preciso lutarmos para essa ser a última invasão.
Nesse sentido, é preciso exigir de Lula ações concretas contra os Estados Unidos. O Brasil, por ser o país mais importante da região, pode e deve cumprir um papel de vanguarda nesse enfrentamento, sob pena da invasão se estender contra outros países, inclusive o nosso.
Também cabe às direções dos movimentos sociais latino-americanos construir uma articulação internacional para enfrentar a intervenção imperialista, até mesmo com a organização de brigadas internacionalistas de apoio ao povo venezuelano na luta em defesa de seu país.



