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Home Cultura

45 anos sem Bob Marley

10 de abril de 2026
in Cultura
Desenho de Bob Marley cantando, segura o microfone com uma mão enquanto levanta o punho com a outra.
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O dia 11 de maio deste ano de 2026 (Dia Nacional do Reggae no Brasil) marca os 45 anos da morte de Bob Marley, até hoje o principal nome da história do reggae. Foram mais de 75 milhões de discos vendidos, o que confere a ele o status de maior artista de um país periférico do ponto de vista do resultado comercial. Nascido no interior da Jamaica, um dos países mais pobres do planeta, Bob ganharia o mundo com sua arte.

O reggae sempre foi mais do que um ritmo contagiante, suave, embalado ou romântico: representou uma voz de luta, resistência e transformação social. Desde a Jamaica e das periferias, boa parte das músicas deste ritmo ecoou e ainda ecoa mensagens de justiça, igualdade e liberdade.

Percebemos o panafricanismo, movimento típico dos anos 1970, em canções como “Africa, Unite”: “Porque estamos saindo da Babilônia / E nós estamos indo para a terra de nossos ancestrais / Quão bom e quão agradável seria / Ante Deus e o homem, sim / Ver a unificação de todos os africanos, sim”. Na letra, o sentimento antissistêmico (antibabilônico) se combina com a visão rastafari, religião de Bob Marley, que se traduzia num movimento espiritual e cultural que pregava a adoração de Jah, a divindade de Haile Selassie I (Imperador da Etiópia) e a valorização da cultura africana.

Há, neste contexto, fortes elementos de resistência contra o sistema opressor: o uso ritual de cannabis para meditação (obviamente também como marca de protesto), o amor ao próximo, o anticolonialismo e o retorno espiritual e físico à África.

Outra letra fundamental do trabalho de Bob é “Get Up, Stand Up” (luta por direitos): “Pastor, não me diga / que o paraíso está embaixo da terra / Você não sabe quanto / A vida realmente vale / Nem tudo que brilha é ouro / Só metade da história foi contada / E então agora que você enxergou a luz, é! / Lute pelos seus direitos, vamos lá! / Levante, resista, lute pelos seus direitos! / Levante, resista, não desista da luta!”.

Fica registrada aqui nossa homenagem ao cantor falecido muito jovem, aos 36 anos, vitimado por um câncer raro iniciado debaixo da unha de um dedo do pé. Como ele negou a amputação recomendada, o câncer espalhou-se na forma de metástase.

Bob se foi, mas o reggae se faz presente como uma das maiores expressões culturais das periferias e com um perfil antissistêmico evidente.

 

 

 

 

 

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