A Revolução Cubana, em 1959, foi o resultado da ação heroica dos guerrilheiros do Movimento 26 de Julho combinada com a Greve Geral insurrecional feita pelos trabalhadores. Depois, a classe trabalhadora cubana ajudou a revolução avançar para além dos limites propostos pela direção do M-26, como a reforma agrária, a estatização da propriedade, virou uma referência mundial no combate ao analfabetismo e na saúde e um exemplo para os lutadores no planeta.
Em resposta, os Estados Unidos tentaram a invasão na Baía dos Porcos, mas fracassaram. A solução ianque passou a ser o bloqueio econômico à ilha. Em resposta, o governo cubano alinhou-se com o bloco soviético, para sobreviver economicamente. Como reflexo, Fidel Castro passou a seguir as diretrizes dos burocratas de Moscou e ajudou a frear os processos revolucionários em países latino-americanos, como o Chile de 1973; a Nicarágua em 1979 e El Salvador, nos anos 80.
A conta dessa escolha viria: o desmoronamento do bloco soviético, nos anos 1990, levou a economia cubana quase o colapso. Pragmático, Castro adotou o chamado “socialismo de mercado”, que, embora tenha garantido a sobrevivência do regime burocrático, trouxe um aumento da desigualdade social.
A restauração capitalista avançou na ilha. Em 2021, houve a legalização da propriedade privada, da entrada de capital estrangeiro e a formação de empresas particulares com incentivo estatal. Surgiu uma nova burguesia, oriunda de burocratas corruptos, do mercado paralelo e das privatizações. Em consequência, muitos subsídios à população (vítima de apagões e racionamentos) foram cortados.
Com a invasão à Venezuela, Donald Trump proibiu o país, o maior fornecedor de petróleo para Cuba, de seguir exportando. O mesmo ocorreu com o México, segundo exportador, também ameaçado pelos EUA. Trump aposta que a insatisfação popular em Cuba seja dirigida por setores contrarrevolucionários ou dissidentes da burocracia, alinhados com a restauração do capitalismo. Ou seja, provoca a fome no povo para derrubar o governo.
Já o governo Lula, que se diz solidário à Cuba, nada faz. A China, que comanda o BRICS, também lava as mãos. E a burocracia cubana é cúmplice do Capital.
Enfim, está nas mãos do povo cubano e na solidariedade da classe trabalhadora do mundo para barrar o aprofundamento da restauração capitalista em Cuba.




