A discussão do “mal menor” dentro da esquerda internacional e brasileira é antiga e já provocou grandes derrotas para os trabalhadores no Brasil e no mundo. Foi assim na falência da II Internacional Socialista na 1ª Guerra Mundial; na derrota da 1ª Revolução Chinesa de 1925/27; na ascensão de Hitler na Alemanha, em 1933, seguida da prisão e mortes de milhares de esquerdistas alemães; na derrota da Revolução Espanhola, em 1936/39; no acordo de não agressão de “Stalin- Molotov e Hitler-Ribentrop”, em 1939, e posterior invasão da URSS pelos nazistas; na divisão do mundo em áreas de influência, entre Roosevelt, Truman, Churchill e Stalin, nos acordos de Yalta e Potsdan, com a traição às revoluções socialistas na França e Itália, no pós 2ª Guerra Mundial; no Brasil, antes do Golpe de 1964 e no congelamento das revoluções portuguesas, angolanas, moçambicanas (1974/75) e nicaraguense (1979). Mais recentemente, podemos citar o governo do Syriza, na Grécia em 2013.
No Brasil: o “mal menor” é o governo Lula
Mesmo com todas essas lições da História, a discussão do “mal menor” sempre volta. Atualmente, no Brasil, os governistas alegam que falar mal do governo Lula é fortalecer a extrema-direita. Assim, petroleiros e trabalhadores dos Correios, que fizeram uma poderosa e justa greve nacional, em final de 2025, ajudaram os bolsonaristas, o “mal maior”.
O mesmo acontece com o ministro do STF, Alexandre de Moraes: na grande fraude financeira do Banco Master (cuja banca de advogados incluía a esposa de “Xandão”, com contrato de honorários milionários), os governistas não admitem críticas ao ministro, o mesmo togado que tem votado sistematicamente contra os trabalhadores na Corte.
Agora, depois de Lula ter um posicionamento covarde diante da invasão ianque à Venezuela, não se pode criticá-lo sobre isso, como também sobre o seu telefonema “amigável” a Trump, justamente quando o último foi emparedado pela Greve Geral em Minnesota e pelos protestos nos EUA.
E no plano internacional, o “mal menor” é o chavismo, o regime dos aiatolás …
Mas, no âmbito dos acontecimentos recentes no exterior é que o discurso do “mal menor” ganhou novamente corpo. Na recente invasão ianque à Venezuela, um setor da esquerda mundial mais uma vez “lacrou” qualquer crítica ao regime chavista. Sequer a possibilidade de discussão do surgimento de uma “quinta coluna” no interior do regime, pôde ser aventada. Isso quando Trump negocia abertamente com Delcy Rodrigues, substituta do aprisionado e sequestrado Maduro, descartando a oposicionista subserviente Maria Corina.
Já nos protestos populares no Irã, que redundaram em milhares de mortes e na tentativa de monarquistas, sionistas e imperialistas ianques em aproveitar os mesmos, muitos dessa dita esquerda se alinharam ao “mal menor”, o regime dos aiatolás, sob o argumento de que o mesmo é anti-imperialista e que sua derrocada favoreceria Israel e EUA. Lembrando: na Revolução Iraniana de 1979 contra o Xá Reza Pahlevi, milhares de comunistas foram presos e mortos, pelo regime dos aiatolás. Isso sim foi um grande serviço aos imperialistas e sionistas.
Dentro dessa lógica, com o desejo de anexação de Trump da Groelândia, muitos adeptos do “mal menor” poderão defender que a ilha ártica continue em posse da Dinamarca, esquecendo de levantar a independência da mesma. Uma hipótese dentro do acordo costurado também por Lula entre o MERCOSUL e a União Europeia, que fará com que muitos elejam o imperialismo europeu como o novo “mal menor”.
“Mal menor” e “Mal maior” são faces do mesmo Capital
O abandono do discurso de independência da classe e a contínua escolha de “um mal menor” da classe burguesa pavimentarão novas derrotas para os explorados. Na verdade, é o silêncio de nossa parte sobre as medidas de ataques aos pobres de Lula, do chavismo e do regime dos aiatolás que fortalece a extrema-direita e não o contrário. Portanto, o Capital é o mal: só nos resta derrota-lo.



