Este janeiro de 2026 ficará marcado na história. Na madrugada do dia 3, numa ação extremamente rápida e eficiente, os Estados Unidos bombardearam a Venezuela – depois de semanas de cerco a navios e petroleiros -, invadiram sua soberania aérea e com relativa facilidade sequestraram o Presidente e sua esposa Cilia Flores. Foi uma ação até então sem precedentes na América do Sul, região que os Estados Unidos atuavam com pressões econômicas, apoio logístico a ditaduras, espionagem, etc. Foi anunciada a morte de 100 pessoas na operação e os bombardeios em Caracas não foram pequenos. Tudo indica algum grau de colaboração de um setor do regime chavista para que tal sucesso fosse alcançado, sem baixas por parte do imperialismo.
Trump não está preocupado com a “democracia” nem qualidade de vida dos venezuelanos e tem sido sincero neste ponto: deseja o controle do petróleo local e ocupar um novo espaço na geopolítica internacional. O imperialismo assume com Trump um perfil de grande agressividade e descompromisso com normas internacionais, mesmo com a reacionária OTAN e muito mais ainda com a ONU e suas instituições.
Após o sequestro, Maduro e Cilia foram levados a Nova York onde devem ser “julgados” de forma ilegítima, visto que os Estados Unidos não representam uma Corte internacional com poderes planetários.
Trump também enfrenta protestos internamente contra as ações policiais contra os imigrantes. Mineapolis é onde ocorre as maiores e mais radicais manifestações contra essa política racista. Além da questão dos imigrantes, Trump sofre um forte desgaste em todas as áreas. 58% das pessoas consideram o 1º ano do mandato como fracasso.
Também no início do ano, mais uma onda de protestos atingiu o Irã. O ultrarreacionário regime teocrático enfrentou a ação de milhões de pessoas em várias partes do país. Inicialmente movidos pela causa econômica, rapidamente a política entrou na pauta dos protestos. As manifestações começaram nos bazares de Teerã contra a inflação desenfreada e logo se espalharam. A inflação disparou nos últimos dias somado à falta de alimentos nos mercados. O governo não conseguiu contornar tal crise e teve que enfrentar um setor historicamente leal ao regime: os “bazaaris”, que são comerciantes tradicionais do país – conhecido pela tradição comercial dos persas-, lojistas e artesãos que controlam os grandes bazares cobertos nas cidades do Irã. Em média, representam uma classe média alta e conservadora, com profunda influência política e econômica no país e sua participação neste tipo de protesto é também uma novidade.
A repressão do regime dos Aiatolás levou a milhares de mortos, um número ainda desconhecido, mas que pode ultrapassar os 6 mil. Milhares foram presos e o regime aparentemente conseguiu controlar a situação depois de uma brutal ação repressiva. Durante o protesto, defensores da antiga Monarquia, imperialistas e sionistas também disputaram os rumos da luta e se posicionaram em cínica “solidariedade”. Parece evidente que ninguém tem o controle absoluto da situação e não surgiu uma alternativa de massas aos já conhecidos inimigos do povo iraniano.
O que parece bem provável é que 2026 será um ano de grande instabilidade global (política e econômica) e que o mundo está cada vez mais inseguro: a crise estrutural do capital leva ao aprofundamento das disputas comerciais, mais guerras e polarizações.
Gaza segue o martírio imposto pelo sionismo e a Rússia continua sua agressão expansionista na Ucrânia visando sufocar o país, muito além das zonas em disputas no leste. Cabe incluir o colapso ambiental que avança sem freios, levando ao frio recorde no norte do planeta, forte calor em outras regiões e grandes eventos climáticos altamente destruidores para os espaços urbano e rural.
Seguimos opinando que falta uma alternativa da classe trabalhadora no país e em termos internacionais que possa fazer a disputa por fora dos interesses mercantis e da rapina capitalista. Este imenso desafio de construção também estará colocado para 2026 e pelo próximo período. Vamos lutar e militar por isso.



