Capitalismo é exploração
A riqueza do mundo é feita pela classe trabalhadora, mas é apropriada pela burguesia. Para a classe trabalhadora vemos pobreza, desemprego, jornadas extenuantes, falta de moradia e uma vida de sofrimento. O capitalismo só pode sobreviver por meio da exploração da força de trabalho e essa exploração é garantida pelo controle das instituições do Estado (policia, judiciário, etc.) pela burguesia. Vários mecanismos reprimem a potencialidade humana e transformam os seres humanos em meros objetos de acumulação de valor.
Esse sistema não pode ser controlado e nem “humanizado”, pois sua lógica é a busca do lucro acima de qualquer coisa. Só a classe trabalhadora, que domina o ‘saber fazer’, pode reorganizar a produção da riqueza social voltada para as necessidades humanas. Mas, para isso, será necessária uma Revolução e “expropriar os expropriadores”.
Essa é a nossa batalha para construir uma organização para ajudar a classe trabalhadora a desenvolver uma consciência, se organizar e romper com esse sistema de exploração.
A crise estrutural do capital
É próprio do sistema ter várias contradições, mas ele entrou numa fase que chamamos de crise estrutural: ele já não pode administrar essas contradições sem se tornar crescentemente destrutivo.
As crises econômicas são a principal contradição do sistema e com algumas medidas ele conseguia deslocar as contradições (as guerras mundiais, políticas públicas, etc.) e ter alguma estabilidade. Já na crise estrutural, essas medidas perderam eficácia e as crises permanecem cada vez mais graves.
É o caráter destrutivo da produção capitalista: aumento excessivo da produção e do consumo (que esgota a natureza), indústria de armas de destruição em massa entram em cena, guerras…. tudo pondo a humanidade em risco.
Colapso climático: o capitalismo nos joga para o precipício
O mundo está à beira do colapso ambiental como consequência do modo do capital produzir. Essa é uma diferença importante, pois há quem simplesmente negue o problema ou quem acha que pode ser resolvido na esfera da política. Para nós, qualquer resposta efetiva exige a ruptura com o capital.
O colapso ambiental é um nível acima da crise climática: é o aquecimento global ultrapassando as marcas aceitáveis, o frio e o calor extremos, a poluição das águas, do ar e do solo, a desertificação, a perda da biodiversidade, desequilíbrio climático, catástrofes, etc. Já estamos em ponto de ‘não retorno’ em vários aspectos e é preciso agir.
Reforma e Revolução
Guerra, desigualdade, exploração, colapso ambiental, etc. expressam a lógica desse sistema e não é possível “consertar”. Para nós, esse sistema é podre. Há quem aposte no caminho eleitoral, acumulando forças para buscar mudanças via parlamento. É um caminho sem saída, pois o poder não está no parlamento, mas com os banqueiros e grandes empresários. Tem ainda os Tribunais, a polícia e altos oficiais das Forças Armadas, ou seja, quem manda de fato não é eleito: assim é a democracia dos ricos e para os ricos.
Na história setores de esquerda já ganharam eleições, mas logo traíram fazendo o jogo do sistema ou sofreu algum tipo de golpe. A burguesia não aceita nada progressivo. Não lutamos para reformar as instituições do Estado, mas para derruba-las. Lutamos pela Revolução para substituir o Estado capitalista por organizações baseadas nos Conselhos de trabalhadores, os quais passam a decidir coletivamente como a sociedade deve ser organizada.
Pela institucionalidade nada se consegue
A democracia burguesa tentar cooptar até mesmo correntes de esquerda e oferece as benesses do parlamento e muitas vezes consegue. A hipotética presença da esquerda anticapitalista no parlamento deve ser vista com muitas ressalvas. Primeiro é preciso entender que a essência do parlamento é legislar para burguesia; segundo, só votam leis contra o povo; terceiro, as poucas leis favorecendo o povo é fruto da luta e da mobilização.
O que defendemos nos períodos eleitorais? Como organização, a cada eleição definimos uma tática, ou seja, como melhor debater com a classe trabalhadora sobre as nossas propostas. Sabemos que elas nunca serão aprovadas no parlamento porque são medidas radicais para resolverem os problemas sociais. Também definimos o nosso posicionamento sobre as candidaturas. Nas últimas eleições batalhamos pela unidade da esquerda anticapitalista (PSTU, PCB, UP), mas não tivemos êxito, decidimos pelo voto nas candidaturas do PSTU (mesmo tendo divergências).
Somos anticapitalistas. Somo socialistas
Começamos por desmontar o mito de que o socialismo e o comunismo nunca deram certo. Primeiro, porque nunca houve um país socialista. O mais próximo foram os primeiros anos da Revolução Russa, quando os soviets (conselhos formados por membros eleitos pelos operários, soldados e camponeses e com mandatos revogáveis) governavam a Rússia revolucionária.
Outros países que chegaram a expropriar a burguesia (China, Cuba, Vietnam, etc.) não avançaram para o socialismo, incluímos os países da Europa onde o “Exército Vermelho fez a revolução”. Faltou a classe trabalhadora no poder e uma burocracia controlava o Estado. E socialismo é necessariamente a classe trabalhadora no poder.
No caso da URSS, as mudanças começaram quando a burocracia, liderada por Stalin, assume o poder e coloca fim aos soviets, os diretores das empresas deixam de serem eleitos pelos trabalhadores, o partido é único e a burocracia vai acumulando privilégios e os trabalhadores ficam de escanteio. A partir desse momento, o caminho para o socialismo é interrompido.
No socialismo há liberdade deve haver liberdade de crítica para os trabalhadores, o planejamento econômico é democrático e votado pelos Conselhos, não há privilégios para os dirigentes. Muito diferente do “socialismo real” (URSS, Alemanha Oriental, etc.), países com a economia estatizada, mas que a exploração e opressão sobre os trabalhadores era real.
Independência de classe
As dificuldades da luta revolucionária e a ofensiva da extrema-direita pressionam militantes para, nessa conjuntura, defender alianças “com deus e o diabo” para derrotar a extrema-direita. É um sentimento compreensível, mas fadado ao fracasso.
O caso mais emblemático é o governo Lula e o PT. Ambos cresceram politicamente na luta, mas foram mudando as propostas até se tornarem “aceitáveis” para os empresários. E Lula foi eleito porque se provou confiável para a burguesia. Já é o quinto mandato e o máximo foram alguns programas sociais, mas a essência continua a mesma, inclusive a política econômica se manteve neoliberal.
Também a CUT (e as demais centrais) se tornou “chapa branca” e virou uma correia de transmissão da política do governo no movimento, mesmo essa política sendo contra a classe trabalhadora. Para nós, a independência de classe é um princípio, ou seja, não se negocia. É uma das principais questões do nosso programa, de batalhar para a classe trabalhadora se organizar de forma independente da burguesia.
Oposição de esquerda ao governo Lula
Nós avaliamos os governos petistas como governos burgueses e de política econômica neoliberal. Corta verbas para serviços públicos e alivia para banqueiros. O MEC está cheio de empresas privadas de educação e seguiu com as privatizações.
Na área ambiental é mais discurso do que prática. A mais grave é a liberação da extração de petróleo na Foz do Amazonas. Os povos indígenas continuam sendo atacados pelos grileiros do agronegócio e a reforma agrária não saiu das promessas. Mesmo sendo um governo burguês, o governo Lula não é igual os da extrema-direita, pois há mais mediações e se apoia no movimento social.
Por essas razões nos colocamos como oposição ao governo Lula, mas uma oposição de esquerda. Defendemos um programa radical de ruptura com o sistema e lutamos junto com a classe trabalhadora e da juventude. Lula e o PT são parte desse sistema explorador. Nessa oposição não nos aliamos à oposição burguesa, nem aos liberais ou à extrema-direita.
Acabar com toda forma de opressão
Além da exploração direta do trabalhador, o capitalismo também usa a opressão como forma de poder. São várias formas: machismo, racismo, LGBT+fobia, etarismo, entre outras formas de opressão.
As diferenciações entre pessoas servem para de desqualifica-las e pagar salários menores e aumentar a exploração, além de nos dividir, colocando uns contra os outros.
É importante entender que a luta contra as opressões é parte da luta contra o capitalismo: a luta contra o machismo não é uma luta só das mulheres, mas também dos homens, heteros precisam se colocar contra a LGBT+fobia e brancos contra o racismo. São lutas de todos os explorados.
A Revolução no Brasil é socialista
O desenvolvimento do capitalismo no Brasil ocorreu a partir do modelo agroexportador, enviando produtos agrários e matéria prima para os países desenvolvidos e importando produtos industrializados. Essa combinação tornou a economia brasileira dependente dos países centrais.
Resumidamente, esse processo explica porque o país é tão pobre, quando poderia ser uma potência. Ou seja, o subdesenvolvimento daqui garante o desenvolvimento dos países imperialistas, ou seja, é impossível o Brasil se tornar um país “rico”. Essa estrutura criou um país muito desigual, com uma pequena parcela rica e a imensa maioria pobre e superexplorada. A mudança dessa realidade só pode vir pela Revolução Socialista e com a expropriação dos grandes capitalistas.
Construindo a Emancipação Socialista
As lutas salariais, por mais verbas para a Educação, pelo direito à moradia, reforma agrária, etc. são lutas importantes para melhorar algum aspecto da vida, mas não batem de frente com o sistema. É o caso da luta pela valorização da força de trabalho, é importante, mas não ataca a exploração do trabalho, a base do capitalismo.
Nós travamos várias lutas, mas a principal é a pela Revolução Socialista, para mudar o sistema. Lutamos para construir Emancipação Socialista, mas não nos consideramos “a” Organização Revolucionária e sim parte de um movimento no qual, em algum momento, os revolucionários se unirão em algo mais forte do que todos nós separadamente.
Venha construir uma sociedade socialista!
Venha construir o Emancipação Socialista!



