O que é roubar um banco comparado a fundar um? (Bertold Brecht)
A fraude do Banco Master é uma das maiores da história do Brasil, um rombo de mais de R$ 50 bilhões. Daniel Vorcaro, o dono do banco, utilizava fundos de investimento e carteiras de crédito fictícias para esconder o caos da instituição.
Mais de 1,6 milhão de credores afetados e um prejuízo de dezenas de bilhões. Somente o BRB de Brasília, a mando do Governador Ibaneis Rocha (MDB) injetou R$ 16,7 bilhões, tendo um prejuízo de mais de R$ 8 bilhões. Em 2023, o escritório do seu filho recebeu R$ 43 milhões da Reag, ligada ao Banco Master. Já o fundo de pensão RIOPREVIDÊNCIA aplicou, por decisão do governador bolsonarista Cláudio Castro, quase R$ 1 bilhão em títulos do Banco Master, ignorando os alertas do TCE-RJ.
Em 18 de novembro, o BC decretou a liquidação do Master e de diversas instituições ligadas ao banco. Em seguida, o dono do banco foi preso preventivamente quando tentava fugir para a Europa. Solto dias depois, mas foi preso novamente porque estava intimidando opositores através de matadores de aluguel.
Nesse contexto, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, que fazia esses serviços para Vorcaro, também foi preso e dias depois tentou o suicídio, morrendo dois dias depois. Vorcaro está negociando uma delação premiada, já marcada pela disputa entre a PF e PGR, sendo a primeira de confiança do Ministro bolsonarista do STF, André Mendonça, e a última mais aceita pelos Ministros do STF envolvidos com o Banco Master.
A lista de envolvidos deve crescer…
Ministros do STF, governo, “Centrão” e bolsonaristas, todos na lama de Vorcaro
O STF era, até o caso Banco Master, a instituição mais sólida da democracia burguesa brasileira e funcionava como um poder moderador entre o governo Lula e o Congresso. No entanto, as investigações da PF mostraram que os tentáculos de Vorcaro alcançavam Ministros da Corte. Dias Toffoli pegou carona num jato particular com advogado do Master e sua família tem negócios com Vorcaro, o que levou o ministro se declarou impedido. Já Alexandre de Moraes viu o seu nome envolvido em função do contrato de R$ 80 milhões do banco com o escritório de advocacia de sua esposa.
O escritório de advocacia da família de Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e STF, recebeu cerca de R$ 5 a 6 milhões do Banco Master por consultoria jurídica entre agosto de 2023 e setembro de 2025. Até Lula atendeu Vorcaro, em uma reunião não oficial no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024.
Lula teme que a delação premiada do banqueiro aponte relações do banco com ministros do governo, como a já apontada relação da empresa da nora do senador petista Jacques Wagner por um contrato de R$ 11 milhões. Já o Banco Central teve 65 reuniões com o Master de 2019 a 2025. O bolsonaristas e ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, mesmo sabendo dos problemas, não tomou nenhuma medida para conter o prejuízo.
A oposição de direita também está metida até o pescoço com Vorcaro: ACM Neto ( vice-presidente do União Brasil) recebeu R$ 3,6 milhões do banco. Também Antonio Rueda (presidente do União Brasil) ganhou valores não revelados. Hugo Motta (Republicanos-PB) recebeu empréstimos de R$ 22 milhões. E o deputado de extrema-direita, Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou o jatinho de Vorcaro 9 vezes para fazer a campanha de Bolsonaro em 2022.
Tarcísio de Freitas de São Paulo também está nessa. Recebeu doação do cunhado de Vorcaro e há suspeitas da aplicação de R$160 milhões da estatal (agora privatizada) EMAI ser parte das falcatruas para privatização da SABESP.
Enfim, como em todos os casos de corrupção, os poderes da República estão de braços dados com os corruptores.
Pela estatização de todo o sistema financeiro
A classe trabalhadora não pode deixar que tudo acabe em pizza. Ou que o caso Master se torne uma nova “Operação Lava-Jato”, que foi patrocinada pelo Departamento de Estado estadunidense e que acabou desembocando na eleição de Bolsonaro em 2018.
A única forma de denunciar o controle de todos os bancos sobre as instituições de poder no Brasil é defender a estatização de todo o sistema financeiro, sob o controle dos trabalhadores. Essa bandeira jamais será defendida pelo governo Lula e pela oposição de direita.




