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Home Contribuição Individual

Saúde mental e capitalismo

23 de dezembro de 2025
in Contribuição Individual, Saúde
Ilustração de um homem feito de rocha, com uma expressão de dor e com a cabeça inclinada a esquerda, como se fosse bater em uma outra estrutura de rocha, desenhada mais abaixo.
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Praticamente há uma epidemia na saúde mental no mundo e no Brasil. São mais e mais pessoas angustiadas, com vários distúrbios, depressão e ansiedade. É um tema pouco abordado até mesmo pela esquerda anticapitalista e precisamos nos relocalizar, primeiro compreendendo o tamanho do problema, depois pensar formas de abordar essas questões e por fim, mas não menos importante, propor políticas de enfrentamento ao problema.

Vamos a alguns dados:

  • Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum tipo de transtorno saúde mental no mundo, como a ansiedade e depressão;
  • Também pela OMS, entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos se sentem solitários, as taxas mais altas estão entre os adolescentes. Quando se trata de um país pobre, 24% das pessoas estão nessa condição e é mais que o dobro da taxa registrada em países ricos, nestes são 11%.
  • As crianças também sofrem com esses problemas. Em 2021, 7% das crianças entre 5 e 9 anos estão nessas condições, com transtornos mentais. Quando consideramos de 10 a 19 anos, estima-se que um em cada sete (14,3%) tem a saúde mental abalada. Destacando que a maior parte não são reconhecidas e nem tratadas.
  • Estima-se que 10% a 20% dos adolescentes convivem com algum problema de saúde mental, mas nem são diagnosticados e tratados de forma inadequada. Além da desatenção e falta de política pública, em muitos países nem há acesso a um sistema de saúde público.
  • A depressão ocupa a 9ª posição de doença e incapacidade entre os adolescentes e a ansiedade está na 8ª posição.
  • No Brasil, de acordo com estudos da FIOCRUZ, entre 2022 e 2024 foram 262.606 internações de jovens por transtornos mentais e comportamentais no SUS. São 579,5 internações para cada 100 mil habitantes.
  • Se a população em geral sofre com esses problemas, na juventude os transtornos mentais aparecem com mais força. Entre jovens de 20 a 29 anos, a taxa de internação é mais alta comparada com a população geral. Para os jovens de 25 a 29 anos, a taxa é ainda mais alta, chegando a 719,7 casos para cada 100 mil habitantes.
  • No primeiro semestre de 2025, o SUS já registrou 192 mil atendimentos em Saúde Mental, 20% maior em relação ao mesmo período de 2023, então contabilizados 158 mil atendimentos.
  • Num mundo que não oferece alternativas, um futuro cada vez mais incerto e a perspectiva de “vencer na vida” (algo que a sociedade sempre exige) são pequenas, a decepção, a tristeza e a frustração é o que resta para grandes parcelas da juventude. E vêm as doenças mentais, muitas vezes com consequências drásticas. Por óbvio, o adoecimento mental tem várias causas, mas todas elas de alguma maneira relacionadas ao modo de vida dessa sociedade que tem como único padrão o acúmulo de riqueza (e a exploração do trabalho alheio).

É nesse contexto que o suicídio se tornou a terceira principal causa de morte em adolescentes mais velhos e adultos jovens (15 a 29 anos). Estudos indicam que entre os fatores de risco para o suicídio incluem o uso não social do álcool, abuso sexual na infância e o preconceito contra a busca de ajuda psicológica. É essa a vida sem sentido no capitalismo que leva as pessoas ao suícidio.

Uma causa, várias lutas e a Revolução Socialista como alternativa

Esse é um problema que a esquerda anticapitalista precisa se preocupar, tanto pelo nosso humanismo quanto pelo fato de que uma classe trabalhadora doente não faz Revolução, ainda mais quando se trata desses transtornos e sentimentos que “jogam as pessoas para baixo”, sem ânimo e sem perspectiva.

A extrema-direita (e vários governos burgueses) quer que acreditemos se tratar de uma geração incapaz e sem disposição de lidar com as dificuldades da vida cotidiana, preguiça para empreender. Para eles, a figura do “machão” e “destemido” deve ser valorizada. Num mundo competitivo não há espaço para pessoas sensíveis, descaracterizando a real condição humana, visto que independente da personalidade de cada pessoa, todas sofrem as consequências dessa realidade opressora, o que muda é a forma como se enfrenta ela, seja sofrendo com as mazelas, lutando para transformá-la ou ignorando e se alienando de sua realidade.

Entender que as causas da angústia da juventude estão na forma do sistema capitalista funcionar, principalmente em momentos como essa crise econômica e social, é identificar por quais caminhos passa a luta, quais as bandeiras políticas vamos levantar. O emprego precarizado com longas jornadas de trabalho, sem direitos e baixa remuneração, os obstáculos para chegar (e quando chega, permanecer) a uma universidade, a falta de condições de moradia (e a falta de perspectivas de ter uma, devido aos altos valores imobiliários), um serviço público insuficiente…

Essa compreensão é importante porque há correntes psiquiátricas que tratam os transtornos mentais como consequência exclusiva dos cérebros disfuncionais, ou seja, as causas da angústia mental estão no cérebro das pessoas como se fosse somente biológica e não nas condições criadas pela sociedade capitalista. Não por acaso, o enfrentamento é pela medicação e a indústria farmacêutica lucra cada vez mais com essa perspectiva de atuação.

Proteger a saúde mental da juventude é lutar pelos direitos sociais e trabalhistas, por um serviço público decente, por jornada de trabalho menor, ensino público de qualidade, saúde pública e gratuita de qualidade, inclusive com tratamentos de saúde mental que levem em consideração a liberdade e a autonomia crítica como formas de tratamento, visto que a internação e institucionalização também agravam a saúde mental e não pode ser a prioridade nesse tipo de atendimento.

Mas sabemos que o capitalismo jamais vai oferecer uma vida digna e atender essas reivindicações de forma completa.

Só uma sociedade socialista poderá nos oferecer condições materiais e psicológicas para uma vida digna. A resposta mais eficaz a esse sistema podre não é a Fluoxetina, mas a revolução socialista.

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