As fortes chuvas na Zona da Mata já resultaram em 68 mortos, 4 mil desabrigados e desalojados e mais de 15 desaparecidos, principalmente em Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá. Elas são mais uma consequência das transformações que o capitalismo tem provocado no clima e no ecossistema, até o já propalado (por muitos especialistas) colapso final da natureza.
O governo Lula fala na liberação de R$ 800,00 de auxílio e na antecipação do Bolsa Família e do BPC para as pessoas desabrigadas pelas fortes chuvas. Já o governador mineiro Romeu Zema, do partido Novo, promete antecipar recursos de R$ 48,2 milhões para ajudar as cidades afetadas pelas chuvas em MG. Sejamos sinceros: é pouco, muito pouco.
Levando em conta que ainda há previsão de bastante chuva e que mais de 23% da população de Juiz de Fora, por exemplo, mora em situação de risco, especialmente em encostas, a tragédia poderá aumentar. A prefeita petista de Juiz de Fora, Margarida Salomão, fez um apelo para que todos saiam das áreas de risco, ou seja, 2 em cada 10 habitantes da cidade. Esse chamado resolve alguma coisa?
Na verdade, o dinheiro que deveria ser revertido para a contenção de encostas e estar à disposição para prevenir tragédias climáticas, como as que aconteceram no Rio Grande do Sul, em 2024, no governo de Eduardo Leite, e, agora, na Baixada Fluminense (prefeituras de direita), está sendo direcionado ao pagamento da dívida pública, que consome cerca de 50%, ou mais da metade, do orçamento federal brasileiro com juros e amortizações aos banqueiros.
É no pagamento da dívida pública que está o dinheiro que deveria ser destinado a situações calamitosas e de tragédia ambiental como esta. Mas, nisso, nenhum governo, de extrema-direita, direita, “centro” ou “esquerda”, se propõe a mexer. Pelo contrário: o governador mineiro Romeu Zema cortou 96% das verbas para prevenção de chuvas. Seu aliado, o mandatário gaúcho Eduardo Leite, cortou verbas da Defesa Civil e desmontou órgãos ambientais. E o governo Lula, mesmo após a tragédia no Rio Grande do Sul, reduziu, em 2025, o orçamento para a gestão de riscos e desastres ambientais.
O reacionário governo Zema, defensor dos cortes de gastos públicos, reduziu drasticamente as verbas para proteção contra os impactos das chuvas, que caíram de 135 milhões de reais (já muito pouco) para apenas 6 milhões de reais. Essa é uma das perversas consequências mortais dessas políticas, que privilegiam o setor privado em detrimento da população pobre. De outro lado, mostrando seu descaramento, Zema aumentou seu próprio salário em 300%.
Também é importante destacar que essa tragédia não é um simples acontecimento natural, como os governos e a mídia estão tratando, mas resultado da forma como o capitalismo trata a natureza. Esse sistema, em busca de lucro, desmata, empurra os pobres para regiões degradadas e morros que todos sabem que, em algum momento, levarão a tragédias, desvia o curso dos rios nas cidades, entre tantas outras agressões ao meio ambiente.
Nesse contexto, é urgente que as centrais, confederações, federações, entidades e associações sindicais, os movimentos popular e estudantil etc. façam uma campanha de solidariedade às vítimas da Zona da Mata Mineira, da Baixada Fluminense e de outras regiões do país afetadas, abrindo postos de arrecadação de donativos (roupas, cobertores, colchões, produtos de limpeza e alimentos), além da abertura de uma conta corrente para essa finalidade.
Isso deve se combinar com uma campanha pela suspensão e auditoria da dívida pública, esta, em última instância, a verdadeira responsável pela falta de provisionamento para situações de tragédia como a da Zona da Mata Mineira.



