A guerra imperialista dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está completando um mês. Trata-se de uma guerra organizada, minuciosamente, por Trump em incessantes reuniões com Netanyahu. O custo desta guerra é enorme. Em março, o governo Trump solicitou ao Congresso mais US$ 11 bilhões para cobrir os custos iniciais. O Ministério das Finanças de Israel prevê gastos militares de três bilhões de dólares, por semana.
A ampliação desta guerra contra o Líbano também é devastadora. Os bombardeios afetam todo o sul do país, bem como a capital, Beirute, e áreas do Vale do Bekaa. Israel emitiu ordens de evacuação para todo o sul do Líbano, o que indica uma ocupação militar em preparação para, eventualmente, avançar em direção à capital.
Netanyahu tem como objetivo eliminar a República Islâmica e mergulhar o Irã em uma guerra civil que leve à fragmentação política, religiosa, étnica e territorial, seguindo o modelo da Síria ou da Líbia. Só pode sobreviver mediante a estratégia de “guerra permanente” no Oriente Médio, como demonstra nos bombardeios contra o Líbano. Do lado de Trump, o que não pode permitir é afundar os EUA em outra “guerra eterna” que consuma meios e recursos.
Apesar da superioridade militar da aliança entre Estados Unidos e Israel, isso por si só não foi suficiente para forçar a rendição ou o colapso do regime iraniano.
Irã mostra capacidade de resistência
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde circula 20% do comércio internacional de petróleo, desencadeou uma grande crise energética. Os ataques militares a navios petroleiros e a paralisação do tráfego marítimo no Golfo impactam negativamente a economia mundial, elevando a inflação e levando o barril de petróleo a mais de 100 dólares.
O Irã anunciou que o bloqueio no Estreito de Ormuz é seletivo: países que compram petróleo usando a moeda chinesa podem passar.
Mojtaba Khamenei agora lidera o regime político teocrático e ultraconservador após o assassinato de Ali Khamenei, sustentando uma linha desafiadora contra os EUA. Regime que sofreu duros golpes, mas tem resistido. Teerã continua respondendo militarmente, em seu direito à autodefesa contra a agressão imperialista. Com isso, desgasta os sistemas de defesa inimigos, bombardeia embaixadas norte-americanas e aliados de Trump no Golfo Pérsico.
Estes, por sua vez, endurecem medidas contra o Irã e ampliam o apoio logístico e financeiro à ofensiva liderada por EUA e Israel. São países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Jordânia, entre outros. As monarquias árabes estão sendo puxadas para esta ofensiva. E estão secretamente pressionando os EUA a lançarem um ataque que paralisaria completamente o Irã. Por outro lado, um ataque direto ao Irã as colocaria como combatentes declarados diante de um rival maior do outro lado do Golfo.
Um fato que chamou a atenção: pela primeira vez, Teerã mirou uma aeronave norte-americana desde o início da guerra, em 28 de fevereiro deste ano. O caça que foi atingido é da quinta geração, sendo o mais moderno do arsenal dos Estados Unidos. Ele sobrevoava o território iraniano. Anteriormente, os EUA só tinham perdido em combate três caças deste modelo.
Registre-se que o regime político do Irã se colocou, em inúmeras ocasiões, como inimigo implacável das massas trabalhadoras e populares do Irã, responsável pela perseguição das mulheres e pela repressão às greves operárias no país.
Entretanto, o povo iraniano enfrenta uma situação muito difícil. O número de mortos já passa dos dois mil, sendo 200 crianças, além de ampla destruição de escolas, hospitais, indústria farmacêutica, reservatórios de petróleo, centros de produção e distribuição de gás, o que contribui para unidade política interna.
Hoje, apesar do caráter profundamente reacionário e opressor do regime iraniano, e sem lhe dar nenhum apoio político, consideramos que uma derrota dos Estados Unidos, do Estado sionista e de seus aliados abriria novas possibilidades para os explorados e oprimidos do mundo.
Abaixo a guerra imperialista contra o Irã! Pela derrota dos Estados Unidos e de Israel! Pelo fim dos bombardeios no Líbano! Pela retirada total das tropas norte-americanas da região! Em defesa da soberania do povo iraniano!




