Com muita força, mulheres cis, trans, negras, indígenas e brancas somadas a homens têm feito denúncias de casos de feminicídios, estupros e demais opressões.
Em São Paulo, recentemente, o assassinato de uma policial militar veio à tona o cotidiano da relação abusiva que sofria com o assassino.
Somente no Rio de Janeiro, de novembro/2025 para cá, outros casos desencadearam fortes indignações. O primeiro foi um duplo feminicídio, ocorrido nas dependências da CEFET (campus Maracanã), quando um homem atirou em duas colegas de trabalho e depois se suicidou. No outro, em janeiro, uma mulher de 17 anos foi conduzida pelo ex-namorado para um apartamento onde sofreu o estupro coletivo. Dias depois, duas adolescentes registraram na PM a denúncia de terem sido vítimas do mesmo grupo (estudantes e ex-estudantes do Colégio Pedro II) em 2023 e em 2025.
Violência de gênero e opressão de classe
O patriarcado, parte da estrutura do sistema capitalista, atribui à biologia questões que são resultados de uma construção social. Sendo assim, força física e de trabalho da mulher foram relacionadas com as tarefas que “deveriam” cumprir. Funções como cuidar de crianças, idosos, irmãos mais novos e da casa foram delegadas à mulher não pela natureza de seus corpos e suas emoções, mas pela organização social.
Assim, toda essa ossatura da sociedade pode ser modificada (e será no comunismo) e, conforme escreveram importantes feministas como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin, o cuidado das crianças dever ser de todos e as tarefas domésticas não podem ser uma prisão para a mulher.
Evidentemente, denunciar a opressão de gênero como um dos sustentáculos da sociedade tem sua importância, mas nós marxistas reconhecemos que as mulheres não são todas iguais e, consequentemente, os homens também não. Para além das clivagens de cor, religião e orientação sexual, a classe social desempenha papel fundamental na carga de opressão que a pessoa tem de suportar.
Por exemplo, uma das adolescentes estupradas pelo grupo de estudantes em 2023, agora está detido. Na ocasião, foi levada ao local do crime, mas não tinha dinheiro para fugir de lá. Condições financeiras precárias, responsáveis que trabalham longe e em horários estendidos não conseguem dar assistência e deixam crianças sozinhas e vulneráveis. A gravidez na adolescência sempre culpabiliza as meninas e suas mães e atinge majoritariamente meninas em condição de pobreza, negras e indígenas. O recorte racial está explicado por ser a maioria da classe trabalhadora, das jovens expostas a uma infância com menos recursos e no caso das mulheres indígenas estão sujeitas aos conflitos armados.
Brasil: recorde de feminicídios em 2025
O país registrou, no ano passado, o aumento de 4,7% em relação aos números de feminicídios de 2024, um total de 1568 vítimas. Quatro mulheres ou meninas são mortas por dia no Brasil. No mundo, a cada 10 minutos um dito parceiro ou familiar comete esse tipo de crime. A maior parte das vítimas tem baixa escolaridade e é pobre.
Com relação aos assassinatos de pessoas trans, o Brasil continua em primeiro lugar e ao menos 80 casos ocorreram no ano passado. Em 2024 chegaram a 122 casos. A imensa maioria desses crimes demonstram a dimensão do ódio a essa população. As mortas são, quase sempre, mulheres trans e travestis. Homens trans são vítimas em menor intensidade. Por estes dados podemos concluir que o universo do feminino engloba as mulheres trans. No entanto, o exemplo da eleição de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher na Câmara causou indignação daqueles que levam os aspectos biológicos tão somente como determinantes do gênero. Porém, a predominância de assassinatos de mulheres trans sobre os crimes contra homens trans nos prova que não é bem assim.
Os genocídios são majoritariamente de mulheres
O extermínio de mulheres grávidas e crianças, ataque às maternidades e escolas ocorrem na Palestina pelo Estado ilegítimo de Israel e o aliado imperialista Estados Unidos para extinguirem população palestina. O filme tunisiano A Voz de Hind Rajab é a história real de uma menina de 5 anos que aguardou por três horas, no carro com familiares mortos, por ajuda do Crescente Vermelho. O corpo da sofrida menina foi resgatado meses depois.
O primeiro bombardeio deste ano ao Irã também denota a intenção de exterminar corpos femininos, pois aconteceu em uma escola de meninas e matou cerca de 170. Nas guerras a maioria é de homens jovens que lutam, mas as mulheres são as procuradas, assassinadas e vítimas de estupros que as mantêm como mães solo com crianças abandonadas.
Essa é a sociedade capitalista opressora, machista, racista, LGBTfóbica, dividida em classes sociais e que precisamos lutar para destruí-la. Nenhuma a menos!



