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Home Nacional

Afinal, para quem Lula governa?

14 de junho de 2026
in Nacional
Charge em que braços com mangas de paletó expremem um trabalhador, que usa luva, botas e um capacete que cai, enquanto grita.
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No “fórum anual da Esfera Brasil”, organizado pelo dono do grupo “Transamérica”, um dos debates foi sobre a 3ª via no processo eleitoral. Se autointitular sociedade civil organizada, mas são os grandes empresários se articulando de como ganhar mais dinheiro.

Estavam por lá Luciano Huck (apresentador da Rede Globo), Flávio Rocha (Lojas Riachuelo) e Lírio Parisotto (ramo químico e especulador na Bolsa de Valores). Esses com fortunas bilionárias. Os três clamaram por outro nome, fora do “lulismo” ou do “bolsonarismo”. Negam o bolsonarismo por conta da instabilidade política que carrega (como o banco Master) e ricos gostam de explorar sem muita agitação social.

Lula é rejeitado por causa dos “gastos públicos excessivos”. Luciano Huck até disse que o Bolsa Família incentiva as pessoass a não procurarem emprego e,por isso, precisa de uma 3ª via para restringir acesso à políticas públicas para os mais pobres.

Será que o governo Lula tem gastos públicos excessivos? Ou eles querem o povo mais miserável e defendem cortar gastos com a saúde, educação, transporte, segurança pública, programas sociais (Bolsa Família e outros)? Vejamos.

Governo Lula é de continuidade na economia

Lula manteve a essência da política econômica dos governos anteriores, mantendo os “programas sociais para os ricos”, mecanismos de transferência de dinheiro público para o “andar de cima”. Os principais:

Em 2026, a estimativa é os empresários ganharem R$ 618,4 bilhões com a renúncia fiscal. Nesses valores, estão as isenções e anistias fiscais, subsídios e benefícios tributários para várias empresas e grupos econômicos, atividades ou grupos sociais específicos. Exemplo de isenção: os ricos (através de suas empresas) não pagarem imposto sobre lucros e dividendos. Provavelmente, todos os participantes desse fórum têm algum desses benefícios.

O Arcabouço fiscal. Esse mecanismo é o “jeitinho petista” de fazer a mesma coisa com outro nome. Além de manter teto dos gastos públicos, ainda possibilita passar a pesada carga para as costas dos trabalhadores públicos se os gastos ficarem próximos da meta. Há também um limite de 2,5% para o crescimento dos gastos. Ou seja, mudou o nome, mas manteve o limite de gastos públicos, medida aplaudida pelo mercado.

Nesse compromisso com o “deus mercado” diante do risco de furar o teto dos gastos, o que Lula faz? Corta no orçamento. Nesse ano, já houve o bloqueio de R$ 22,1 bilhões do orçamento e, também, dedução de R$ 1 bilhão em gastos com saúde e educação.

Dívida pública: Os empresários reclamam dos gastos quando é para programas sociais ou serviços públicos, mas se for para beneficiá-los o silêncio é total. É o caso da dívida pública. Lula seguiu os governos anteriores e manteve o pagamento da dívida pública. Em 2025, foram pagos mais de R$ 2,15 trilhões da dívida pública ou 42,2% do orçamento federal. Esse dinheiro foi parar no bolso dos banqueiros e especuladores. Para eles, não pode construir um hospital porque é menos dinheiro público no bolso deles. Estado máximo para eles, Estado mínimo para o povo.

Jeito petista: algumas migalhas

No nosso modo de ver, Lula sempre aplicou uma política econômica de caráter neoliberal.No entanto, os seus governos se caracterizaram por alguns programas sociais que distribuem “migalhas” da riqueza nacional.

É o caso do Bolsa Família, o programa social mais importante nas últimas décadas. Um programa limitado, mas que permite chegar alimentos para uma parte da população. O custo é muito baixo, em 2026 está estimado em R$ 158 bilhões, ou, 1,3% do PIB brasileiro (R$ 12,7 trilhões). Custo que não impacta a lucratividade do capital.

A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil reais segue a mesma lógica: para corrigir a defasagem da tabela do Imposto de Renda, a isenção deveria ser para quem ganha até R$ 6.694,37, ou seja, medida parcial, mas fala como se tivesse resolvido o problema.

A expansão das Universidades e Institutos Federais foi importante, mas pagando a dívida pública não sobra orçamento suficiente, levando a maioria delas à precarização, atingindo até mesmo as maiores universidades, como a UFRJ.

A reclamação da burguesia, por conta dessas políticas mesmo “a conta-gotas”, só revela como os ricos não aceitam mesmos pequenos benefícios para os pobres.

Pode ser diferente?

Muitos argumentam que o centrão e a extrema-direita barram muita coisa. É verdade, mas isso não isenta Lula que, desde o começo, priorizou construir a governabilidade em vez de atacar os privilégios dos ricos e resolver os problemas sociais.

Se quisesse enfrentar a extrema-direita (além da direita e do centrão), deveria se apoiar na mobilização da classe trabalhadora, mas foi ao contrário, apostou (e perdeu) na conciliação e desmobilizou a classe trabalhadora.

Esse era o caminho para ser um governo diferente.

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