Dados do relatório da OXFAM sobre concentração de renda, lançado em 19 de janeiro de 2026, revelam que a desigualdade social está aumentando. O documento, intitulado Resistindo ao domínio dos ricos: defendendo a liberdade contra o poder dos bilionários, foi lançado durante o Fórum Econômico em Davos.
Vamos aqui comentar as informações contidas no documento. Mas, é importante registrarmos que as conclusões sobre possíveis maneiras de sanar a extrema pobreza e o poder dos super-ricos não correspondem à nossa concepção de sociedade.
A OXFAM Brasil é uma organização da sociedade civil, fundada em 2014, sediada em São Paulo e focada em pesquisas que visem à melhoria das condições de vida da população, nos limites de um sistema que sempre levará à opressão de uma grande parte para benefício de uma minoria.
Para a Emancipação Socialista, a miséria e a existência de grupos sociais oprimidos são consequências inerentes ao capitalismo. Qualquer medida no âmbito desse sistema é apenas uma forma de amenizar momentaneamente as desigualdades.
Para nós, não se trata de limitar a riqueza, como propôs a filósofa Ingrid Robeyns, citada no documento – sua ideia é que as sociedades permitam um máximo de 10 milhões de dólares. A distribuição igualitária de riquezas, de acordo com as necessidades de cada ser humano, é possível superando o capitalismo.
O abismo entre os bilionários e o resto do mundo
Segundo o parecer da OXFAM, o aumento da miséria e a distância econômica entre os super-ricos e os mais pobres ameaçam a democracia. Aumentam as medidas de austeridade fiscal, retirada de direitos, perseguição a imigrantes e maior vulnerabilidade dos grupos oprimidos, como pessoas LGBTQIAPN+, populações racializadas e mulheres.
Nos EUA, fortunas dos bilionários cresceram a uma taxa três vezes mais rápida do que a média anual dos cinco anos anteriores desde a eleição de Trump, em novembro de 2024. Há um dado que chama atenção: os 12 bilionários mais ricos concentram mais dinheiro do que 4 bilhões de pessoas juntas. Enquanto isso, uma em cada quatro pessoas no mundo é ameaçada pela fome.
De acordo com o relatório, no Quênia o recuo de direitos na educação, saúde e proteção social consiste em uma austeridade deliberada imposta aos pobres, enquanto os ricos continuam a lucrar com impunidade.
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Por outro lado, pessoas não estão paradas enquanto bilionários e autoritários corroem suas liberdades. Defensores da igualdade e da justiça fiscal exigem ação sobre a desigualdade e a taxação dos super-ricos. Uma convenção tributária da ONU, liderada pela África, está em vias de acontecer.
Classe trabalhadora protesta
De nossa parte, vemos com esperanças as revoltas populares, como a da Bolívia, e as greves que têm acontecido. Mas, sabemos que a classe trabalhadora tem agido só na defensiva, sem condições de barrar o genocídio em Gaza e as mortes na Guerra da Ucrânia, conflitos que movem a indústria bélica, umas das mais lucrativas do planeta.
O relatório conclui que a última década foi muito boa para os bilionários. Eles têm atuado na compra de políticos e na mídia. Em 2022, Elon Musk comprou o Twitter, atual X, e prometeu, sob o pretexto da “liberdade de expressão”, reduzir as medidas de monitoramento e censura do discurso de ódio. O resultado foi um aumento de 500% de insultos raciais, além de termos misóginos, transfóbicos e similares.
O processo de alienação é brutal. Aprendemos com Marx e Engels que a alienação é o grande engenho da classe dominante para justificar o status quo. Segundo a OXFAM, os super-ricos construíram seu poder político pela compra de influência, investindo na legitimação do poder e acessando diretamente as instituições. Por fim, o documento observa que os governos não escolhem lutar contra os oligarcas.
Os socialistas sabem que nenhum Estado estará do lado da classe trabalhadora. Ela precisa tomar o poder e coletivizar as riquezas, distribuindo-as.



