Quem luta, educa! – Greve das trabalhadoras e trabalhadores da educação do estado de Minas Gerais

O ano letivo em Minas Gerais começou de forma conturbada. O governo do estado alterou as matrículas para um sistema online que dificultou muito o acesso para a maioria das famílias, que iniciaram o ano sem saber onde ou se conseguiriam matricular suas crianças na escola.

Desde o ano passado, turmas estão sendo fechadas, apesar de uma demanda real, principalmente no turno da noite, afetando diretamente aquelas e aqueles que precisam trabalhar para se sustentar ao longo do dia e garantir a continuidade de seus estudos.

Para as professoras e professores, o cenário é extremamente grave e desanimador. Além de receber o salário parcelado, cerca de 25% da categoria iniciou o ano sem receber seu 13º referente a 2019. Além disso, os salários estão abaixo do piso previsto em lei e congelados desde 2016, levando a categoria a uma perda do poder de compra real mediante os altos índices inflacionários

No dia 11/02, as trabalhadoras e trabalhadores da educação do estado de Minas Gerais resolveram dar um basta nessa situação. No segundo dia letivo do ano iniciou-se uma greve com adesão de muitas escolas e profissionais. A categoria está insatisfeita com o modo como a educação vem sendo tratada nesse país há muito tempo. Não dá para aceitar de braços cruzados todos os ataques aos direitos trabalhistas e à qualidade da educação pública que vem sendo deferidos pelo governo de Romeu Zema, do partido que se intitula de “Novo”, mas que reforça todos os ataques da velha política neoliberal de sucateamento dos serviços públicos para justificar uma privatização.

Em Uberlândia, importante cidade localizada no Triângulo Mineiro, já no primeiro dia de greve, cerca de 17 escolas importantes em história de luta e quantidade de funcionários/estudantes aderiram ao movimento e estão juntas na construção dessa mobilização. Desde então, uma semana após o início da greve, o número de escolas e trabalhadoras(es) que aderem ao movimento, dando corpo e força, só cresce. No dia 18 de fevereiro, contamos com 32 escolas em greve, seja total ou parcialmente.

As assembleias da categoria vêm ganhando cada vez mais força e participação. As trabalhadoras e trabalhadores estão se dedicando a atividades que divulguem as pautas da greve, esclarecendo e dialogando com a população, que tem demonstrado um apoio e uma sensibilização boa para o movimento. Existe uma compreensão crescente de que a luta da categoria não é apenas uma luta por uma remuneração mais adequada ou pelo pagamento do 13º atrasado, mas sim em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade, que esteja a serviço do povo.

O atual governo federal, de Guedes e Jair Bolsonaro, segue uma linha de desmonte e desvalorização dos serviços públicos, retirando cada vez mais os direitos conquistados pela luta da classe trabalhadora ao longo da história de nosso país. Nossa classe está sofrendo com redução de postos de trabalho, cortes de verba, congelamento de salários, aumento de impostos sobre os salários, aumento da inflação, desrespeito pelas nossas diferenças, violência contínua e crescente sobre nossos corpos e nossas identidades. Não obstante, os governos estaduais vêm aplicando essa mesma linha de atuação e o governo de Romeu Zema tem tido um papel importantíssimo em garantir que estas atrocidades sejam efetivadas.

A luta em defesa da educação do estado de Minas Gerais é uma luta pela sobrevivência da classe trabalhadora em nosso país. É uma luta de toda a população. É uma luta justa, legítima e, mais do que isso, extremamente necessária.

Nas últimas semanas, várias categorias começaram a se mobilizar contra os ataques dos governos federais, estaduais e municipais. Se faz urgente unificar todas essas lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora brasileira. Precisamos unir esforços para derrotar o projeto de Bolsonaro, Guedes, Zema e tantos outros. É momento das Centrais Sindicais fortalecerem o movimento nas bases de suas categorias e de unificarem as agendas de luta.

É momento de ocupar as ruas e gritar aos quatro cantos que não iremos deixar nossas vidas serem atacadas dessa forma.

Chega de ataques, chega de descaso, chega de desmonte dos serviços públicos!

  • Estamos em greve pela vida da classe trabalhadora!
  • Total apoio e solidariedade à greve das(os) Petroleiras(os)!
  • Total apoio e solidariedade à greve das(os) Caminhoneiras(os)!
  • Pela unificação dos calendários de luta e pelo fortalecimento dos movimentos em curso!

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