Natal, como todos os dias, tempo de banquetes e prato vazio

Então é natal…

Propaganda com família reunida, festas, mesas fartas, presentes, a “festa da firma” e troca de presentes…Uma data em que a mercadoria é a grande atração.

Esse “monstruoso acúmulo de mercadorias” (Marx) se coloca como a “mediadora” de toda felicidade no mundo.

Como tudo no capitalismo, para milhões de pessoas tudo isso não passa de desejo e sonho. Para outros que conseguem “participar da festa” é em base a muito sacrifício.

Essas propagandas querem que esqueçamos que milhões de crianças não têm o que comer e nem onde morar, não têm escola e nem acesso a saúde. Muitas precisam correr das bombas jogadas por aviões cujos donos até se vestem de Papai Noel.

Outros milhões de adultos, mães e pais, estão desempregados e quando trabalham precisam escolher entre comer e morar; entre comer e uma lembrança para filhas e filhos.

 

Banquetes de um lado e fome de outro

Há quem nem possa escolher, pois só tem o nada.

Tem aquelas frases que a ideologia burguesa propaga, como “pelo menos pode escolher”, como se as pessoas devessem se conformar porque “há pessoas em situação mais difícil”. Mais uma das hipocrisias, pois a escolha nem sempre pode ser realizada.

Aquelas mesas fartas contrastam com a fome de milhões de pessoas no Brasil.

37% das pessoas que ganham até dois salários-mínimos não comem o suficiente. E a fome está presente mesmo quando aumenta a renda, pois entre quem ganha de 2 a 5 salários-mínimos são 17 que comem menos do que o suficiente. E quando são desempregados, a fome assombra 45% dessas pessoas.

Mais da metade da população brasileira tem algum tipo de falta de alimentação, quase 120 milhões de pessoas. E desses, 20 milhões, passam 24 horas ou mais sem comer.

Outros 40 milhões comem muito menos do que necessitam, a chamada insegurança alimentar grave.

O agro não é pop

Tanta fome em um país que é um dos maiores produtores de alimentos o mundo. O problema é que a maior parte dos alimentos produzidos por aqui são destinados à exportação, fazendo com que falte alimentos na mesa do povo brasileiro. Até outubro desse ano, as exportações do agronegócio somaram mais de 100 bilhões de dólares.

Outra questão consequência dessa política de privilegiar a exportação e a falta de alimentos é o aumento da inflação. Como a maior parte do que é produzido vai para o exterior tem menos alimentos e consequentemente aumenta a inflação, dificultando ainda mais o acesso aos alimentos.

São demonstrações de como o capitalismo é contraditório e como produz tanta desigualdade em meio a tanta riqueza.

Revolucionário não festeja?

Um olhar crítico sobre o mundo não é um olhar amargurado sobre a vida. Pelo contrário, amamos tanto a vida que queremos que toda a humanidade possa desfrutá-la plenamente, sem nenhuma restrição. Sem fome, sem exploração, sem opressão, de cultura e lazer, um mundo onde possamos satisfazer as nossas necessidades humanas.

Um mundo que o capitalismo não pode oferecer.