A relação do Governo Lula com as frações burguesas

A próxima gestão do PT terá contradições difíceis para lidar, principalmente em encontrar um ponto de equilíbrio entre as frações do capital, todas preocupadas em como garantir o seu espaço na apropriação da riqueza nacional.

Uma das características dos governos Lula foi atender ao capital de conjunto. Redução do IPI para vários ramos da indústria, aumento da oferta de crédito, controle do Banco Central pelos bancos, o agronegócio foi financiado com juros abaixo do mercado, a construção civil teve o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) que impulsionou várias obras pelo país, enfim, atendeu o capital como um todo.

Sabemos que a burguesia tem interesses comuns, principalmente quando é contra a classe trabalhadora, mas, também existem contradições internas entre as frações agrária, industrial, financeira, a burguesia interna e a imperialista, pois o desenvolvimento de uma pode prejudicar outra. Por exemplo: taxas de juros altas favorecem bancos e financeiras, mas aumentam os custos da indústria que precisa de empréstimos para comprar máquinas e aumentar a produtividade.

Lula e o PT sabem que será preciso atender a burguesia de conjunto, pois, no momento que Dilma passou a privilegiar o setor da construção civil (via obras para as empreiteiras), foi quando a maioria da burguesia retirou apoio político ao governo e fortaleceu o impeachment.

A Frente-Ampla formada em torno da candidatura de Lula é em certo sentido  uma resposta a esse desafio. Alckmin, Amoedo, Simone Tebet, Meirelles, os economistas do Plano Real, as burocracias sindicais, entre outros, formaram uma grande frente de capitalistas para salvar a democracia burguesa de Bolsonaro e também garantir um projeto econômico em que todas as frações desses setores tenham espaço.

As especulações sobre o novo ministério são as mais variadas, mas o próprio Lula já afirmou que não será um governo do PT, ou seja, pelas articulações em andamento, estarão representados todos esses setores, num governo de conciliação de classe e de “centro direita”.

Tudo isso nos dá uma ideia de que só a burguesia continuará ganhado e nós da classe trabalhadora precisaremos continuar lutando, e muito.