E tem luta na Inglaterra

Ferroviários abrem caminho de luta no Reino Unido com greve: “É uma guerra de classes!” A frase acima, citada pelo jornal inglês Sun, traz uma verdade rara na mídia burguesa, a forte greve dos trabalhadores ferroviários no país retoma o acirramento da luta de classes.

Tendo como ponto comum, a alta dos combustíveis (reflexo também da guerra Rússia X Ucrânia), a consequente alta dos preços e os baixos reajustes salariais, as greves sacudiram o poderoso Reino Unido (tanto quanto a queda do primeiro ministro Boris Johnson); o país teve uma inflação recorde de 9,4%, a maior em 40 anos! Nessa conjuntura, os sindicatos RMT e TSSA conseguiram mobilizar mais de 40.000 membros numa grande mobilização que parou o país. Depois, outro sindicato, ASLEF, também paralisou outro setor ferroviário com cerca de 5.000 maquinistas de braços cruzados, atingindo um quarto da rede ferroviária do Reino Unido.

Para se ter uma ideia, em um dos pontos de mobilização, em East Coast Mainline, os grevistas esperavam uma adesão à paralisação de 20% dos trabalhadores, alcançaram 70%! A luta é pela defesa dos empregos e por reajuste salarial.

A crise estrutural do capital tem atingindo todos os locais de trabalho e a pobreza tem aumentado entre a classe trabalhadora. Tal fato mostra que mesmo com o empenho dos grandes capitalistas em desmobilizar os grevistas no país, a grande maioria da população apoia a mobilização e culpabiliza o governo pela situação, visto a crise econômica que o país passa.

Ainda não foi definido se os ferroviários conseguiram conquistar sua pauta de exigências, mas já articularam novas paralisações, amais recente no sábado, 13 de agosto.  Além disso, outros sindicatos do país, como professores, setor de serviços de entrega, serviço público e na indústria de telecomunicações também já anunciaram assembleias e mobilizações pelo país. Viva a luta dos ferroviários na Grã-Bretanha!

 

América Latina na luta contra a crise do Capital! Na América Latina muita coisa tem acontecido também. O Panamá foi palco de uma Greve Geral que parou o país, além de uma série de protestos e bloqueios de estradas, tendo à frente os sindicatos dos professores e dos cargueiros.

As passeatas massivas lutavam contra a inflação, que acarretou o aumento do combustível e dos alimentos. Só para se ter uma ideia, o galão de gasolina teve alta de 47% no primeiro semestre, chegando a US$5,17. Com as manifestações pressionando, o presidente Laurentino Cortizo prometeu uma estabilidade no valor de US$3,95, acima da pauta de lutas (US$3), além de congelar preços de diversos produtos da cesta básica.

O governo alega que a guerra na Ucrânia, acelera o aumento dos preços, mesmo que compra de petróleo seja do Texas nos EUA, pois diz que a alta faz o mercado ficar mais competitivo, porém se mantém fiel ao projeto imperialista dos EUA e se nega a comprar o produto da Venezuela, para manter a relação com os estadunidenses, à custa das necessidades do povo. As mobilizações foram impulsionadas pela Aliança Povos Unidos e a Aliança Nacional pelo Direito dos Povos Organizados (ANADEPO), que reúnem diversos sindicatos. Já apresentam mais de 32 pedidos ao Executivo e estão à frente na mesa de negociação.

Outra nação que está sofrendo com a crise é a Argentina. A taxa de juros no mês de junho foi de 5,3%, chegando a um acumulado de 64% em um ano. No mesmo mês, o banco central argentino elevou a taxa básica em 52% para tentar frear o aumento recorde e generalizado dos preços dos produtos, que já são o maior valor em 30 anos. O dólar também apresentou uma alta em relação ao peso, logo após a saída do ex-ministro da Economia, Martín Guzmán.

Enquanto o presidente Alberto Fernández e os capitalistas tentam administrar a crise para manter seus lucros, o povo argentino está cada vez mais pobre e lutando contra o estado calamitoso que o país sofre. Em julho de 2022 vários manifestantes saíram às ruas reivindicando um salário universal para os mais vulneráveis e aumento do salário-mínimo dos aposentados.

Como desgraça pouca é bobagem, apesar de algumas lutas, a classe trabalhadora na Argentina ainda enfrenta um desafio já bem conhecido no Brasil: o crescimento da extrema-direita. Nas PASO (Elecciones Primarias, Abierta y Obligatorias) em 2021, nas quais se definem quais partidos estão habilitados para se apresentar nas eleições nacionais e nas respectivas listas de candidatos, a Libertad Avanza, liderada por Javier Milei obteve 13,6% em Buenos Aires, um feito histórico, ficando em terceiro lugar e com um crescimento inédito. Milei é economista e adepto das ideias da chamada escola austríaca do neoliberalismo e “anarco capitalismo”, sendo uma figura polêmica e ultrarreacionária que defende pautas conservadoras e contra os trabalhadores, tendo bastante atuação nas mídias sociais e parceria com Eduardo Bolsonaro.

Além da intensa crise social que a classe trabalhadora vive ao redor do mundo, mantém a necessidade de enfrentar a extrema-direita que se apresenta como uma alternativa aos trabalhadores e leva a mais ataques aos nossos direitos, como vemos no Brasil com as Reforma Trabalhista e da Previdência, por isso é importante usar o exemplo da Grã-Bretanha e Panamá e construir lutas nas ruas em defesa dos nossos empregos e contra a alta dos preços.