Dom e Bruno: mais homicídios dos crimes ambientais

O brutal crime que vitimou o indigenista Bruno Araújo Pereira, servidor licenciado da FUNAI, e o fotógrafo inglês Dom Phillips, que escrevia um livro sobre a Região Amazônica, chocou a opinião pública internacional. Os restos dos corpos foram encontrados após o desaparecimento em 05 de junho na região do Javari, na Amazônia.

O assassinato de Bruno e de Dom é consequência da política desenvolvida nos últimos três anos pelo governo Bolsonaro. Desde a mineração, pesca e o garimpo ilegais nas reservas indígenas, assim como o extrativismo desenfreado e o desmonte da FUNAI, passando pelo tráfico de drogas, tudo isso deu um salto de qualidade no mandato do atual presidente, que sempre procurou facilitar os lucros dos capitalistas das mineradoras, madeireiras e do agronegócio.

Os irmãos Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, e Oseney da Costa dos Santos assumiram o crime. Amarildo já tinha sido apontado como um dos autores de diversos atentados em 2018 e 2019, na Base de Proteção da FUNAI, no Vale do Javari e também ameaçou Bruno antes do assassinato, inclusive com tiros.

Bruno, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, recebia constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.  A impunidade, uma constante do atual governo cuja base social tem os criminosos milicianos, criou as condições para mais este bárbaro crime. Há três anos, outro indigenista, Maxciel Pereira dos Santos, foi morto e o crime permanece impune. O líder indígena Sarapó Ka’apor, morto aparentemente por causas naturais em 14 de maio, teve seu corpo exumando por suspeita de assassinato. Ele era mais um engajado na luta contra o garimpo e as madeireiras na região de São Luís.

Estas mortes não importam para Bolsonaro. Como não houve lamento no terrível caso da menina ianomâmi de 12 anos morta após ser estuprada por garimpeiros e da criança de três anos que caiu de um barco e desapareceu enquanto a tia tentava salvar a menina das garras dos estupradores. A seguir 24 indígenas da aldeia ianomâmi de Aracaçá sumiram, provavelmente em fuga. A desorganização de sua vida social não é um problema para o governo federal que fez da Funai, não mais um órgão de proteção das culturas e vidas dos povos indígenas, mas um aparelho a serviço da sanha capitalista do agronegócio.

Haja vista, as declarações lamentáveis de Bolsonaro, após ser noticiado o sumiço de Bruno e Dom: “partiram em uma aventura’. A violência no campo e florestas brasileiras é tão antiga quanto o contato com os colonizadores. Chico Mendes e Dorothy Stang foram ambientalistas mortos por ousarem se opor aos interesses do Capital. A barbárie, porém, nunca havia sido tão assumida por um presidente. Chocados, brasileiros e o restante do mundo assistem à evidente indiferença com relação a estas duas mortes por estarem em campos políticos opostos.

Sem dúvida, Bolsonaro não é capaz de entender a importância que os indígenas isolados têm para o Meio Ambiente hoje e para a vida humana do futuro. Ele só enxerga o presente em seu desejo de manter os lucros dos ricos.