A Copa do Mundo não é apenas o maior evento esportivo do planeta. É, sobretudo, um dos negócios mais rentáveis da economia global do entretenimento. A cada quatro anos, a FIFA organiza um ciclo financeiro que movimenta bilhões de dólares, com receitas altamente concentradas e riscos amplamente distribuídos. Ou seja, o que menos interessa é o futebol.
Deixou de ser um assunto exclusivo dos cadernos esportivos. Em outros tempos, a preocupação central seria o desempenho das seleções, dos ídolos, as chances de levar a taça. Entretanto, definitivamente, os tempos são outros.
O futebol profissional movimenta muito dinheiro e muitos interesses em todo o mundo. A FIFA é a organização capitalista internacional que gerencia esse lucrativo negócio. Seu poder e influência são imensos.
O futebol passou a ser um produto, um dos maiores da história da humanidade. Certamente, o mais popular. E cresceu da simples prática recreativa para mover bilhões de pessoas pelo planeta, compartilhando símbolos, ritos e características que unem os fãs da modalidade ao redor do mundo. Com um potencial tão grande para mover e fidelizar as massas, o futebol foi atravessado por estratégias de capitalização, vendidas como necessárias para a manutenção e expansão de sua estrutura global.
A mercantilização do futebol no Brasil e no mundo tem aumentado progressivamente. Os clubes têm donos; jogadores pertencem a empresários; os “cartolas” enriquecem de forma escandalosa; sites de apostas esportivas crescem de forma acelerada, e até mesmo torcidas organizadas são profissionalizadas.
Mas esse dinheiro também é concentrado. O fato é que o futebol, hoje, dá muito dinheiro a um punhado de jogadores, dirigentes, empresários, redes de TV e empresas patrocinadoras, mas 98% dos jogadores no Brasil ganham até três salários mínimos.
A mercantilização também penalizou a massa torcedora e se reflete no afastamento do povão dos estádios. Não poderia ser diferente. No atual campeonato brasileiro da Série A, a média do preço dos ingressos é R$ 52,64. Jos dos times mais populares, como Flamengo e Corinthians, a média passa de R$70,00. A depender do jogo e do local do estádio, há ingressos que passam de mil reais.
Uma realidade bem diferente de alguns anos atrás, quando torcedores pobres pagavam o equivalente a R$ 3 na geral e R$ 10 na arquibancada do Maracanã, por exemplo. E a qualidade dos jogos era muito superior!
O futebol mercantil avançou com o passar do tempo
A presença da gestão empresarial gerou também consequências políticas nesse processo. A Fifa deixou de ser uma mera federação esportiva internacional, desempenhando um papel diplomático comparável ao da Organização das Nações Unidas e, gradativamente, passou a adotar práticas de uma grande empresa, desde o investimento em marketing para valorizar o seu produto até a comercialização das competições.
Nessa comercialização, há empresas ligadas a todas as atividades da Fifa, atuando nas edições de Copa do Mundo, Campeonato Mundial de Clubes, Copa do Mundo Feminina, etc., com acordos que são classificados como parcerias estratégicas de longo prazo. Neste caso, todas elas ganham local de destaque nos produtos da Fifa, nos principais torneios e, é claro, em sua vitrine máxima, a Copa do Mundo.
Outra prática são os acordos com direitos de exposição nos torneios, principalmente a Copa do Mundo. Nesse caso, as empresas se beneficiam da associação com os principais torneios da entidade e contam com o uso de ferramentas específicas de marketing e exposição publicitária, além de ofertas de ingressos e hotelaria nos eventos.
Para a Fifa, a ideia é que a Copa de 2026 seja o mais lucrativo evento esportivo de todos os tempos, com uma previsão de arrecadação de 11 bilhões de dólares.
O processo de mercantilização dentro da Copa do Mundo não deixa dúvidas e, de acordo com os exemplos que vimos, a televisão exerceu papel vital nessa transformação. Sem ela, não haveria a mesma projeção e capilaridade, atingindo quase toda a população mundial em tempo real – o que explica bastante as cifras bilionárias em acordos publicitários e os esforços políticos em torno do evento. Principalmente, quando não se tinha as redes sociais.



