O MFSR (Movimento pela Frente Socialista Revolucionária) lançou nessa semana um manifesto em defesa de uma “Frente da Esquerda anticapitalista nas eleições”, com o qual temos muitos acordos e nos somamos porque tenta responder a uma questão importante: como a esquerda anticapitalista vai atuar durante o processo eleitoral? Vai tentar se colocar como uma alternativa ou vai apostar na sua autoconstrução?
Nós defendemos que o centro deve ser a disputa pela consciência da classe trabalhadora e a unidade entre nós é uma condição importante para termos êxito.
Nem ilusão e nem abstenção no processo eleitoral
Não temos ilusão e não podemos iludir os trabalhadores de que as eleições vão trazer conquistas. Já sabemos que não vão. A institucionalidade não é um caminho confiável e só a luta e organização da classe trabalhadora pode mudar a nossa vida.
Há muitos setores que se colocam como esquerda que atuam nas eleições priorizando eleger o máximo de candidatos. Não pensamos que esse deve ser o objetivo dos revolucionários durante o processo eleitoral.
Para nós, o principal objetivo é disputar a consciência da classe trabalhadora, organizar uma agitação e propaganda revolucionárias denunciando as mazelas do sistema, apresentar uma plataforma com as reivindicações que possam efetivamente resolver os problemas que os trabalhadores mais sentem e chamar a classe para se organizar. Essa é uma tática revolucionária.
Também não concordamos com a política abstencionista, um discurso de que as eleições não servem para nada. Então, nem discutimos e nem agimos de jeito nenhum. A consequência é a burguesia e os traidores ficarem livres para iludirem o povo.
Queiramos ou não, as eleições movimentam milhões de pessoas, que escutam propostas e alternativas. E, pelo menos nesse período, se interessam mais em como resolver os problemas sociais. Então, trata-se dos revolucionários aproveitarem esse momento e apresentarem as suas propostas, ou seja, o seu programa.
Unir a esquerda anticapitalista
Um dos problemas que enfrentamos na atualidade é a dispersão e a fragmentação da esquerda anticapitalista. São várias pequenas organizações espalhadas pelo país. Os partidos legalizados também têm pouca inserção na classe trabalhadora.
E esse é um problema complicado. Porque um dos principais problemas que temos é apresentar uma alternativa para fazer frente ao neoliberalismo petista e à extrema-direita, dois projetos burgueses. Mas, que têm em comum manter a exploração sobre a classe trabalhadora. A diferença entre esses dois projetos é como aplicar esse projeto.
É nesse sentido que entendemos ser importante a construção de um movimento em torno de uma única candidatura da esquerda anticapitalista, construída em uma plenária com militantes, ativistas e lutadores, na qual se definiria o programa comum (que é o mais importante) e as candidaturas representando esse movimento.
Esse é o chamado que fazemos aos agrupamentos revolucionários, partidos da esquerda anticapitalista legalizados (PSTU, PCB e UP), aos ativistas e ao movimento social. Só com essa unidade é que poderemos ter alguma chance de fazer essa disputa com os partidos burgueses.
Sabemos que, no interior da esquerda, há muitas divergências. Mas, também há acordos políticos importantes que podem sustentar uma única candidatura que se apresente como alternativa contra as candidaturas burguesas. E, obviamente, esses partidos priorizarem a luta mais geral e não a sua autoconstrução.



