Há 90 anos, em meados de julho de 1936, as tropas de Franco iniciavam seu ataque golpista contra o governo eleito de Manuel Azaña. Era o início à Guerra Civil Espanhola, conflito que representou o ápice da polarização ideológica no país ibérico. O governo era uma coalização de ‘republicanos’ (socialistas, anarquistas e comunistas) enquanto os “nacionalistas” reuniam os setores conservadores, monarquistas e fascistas, apoiados por Alemanha e Itália.
Tal contexto repousa na longa duração, desde o fim do século 19. A Espanha havia perdido quase todas as suas colônias no contexto das disputas da época e internamente a unidade do Estado espanhol era muito contestada pela reivindicação de autonomia das populações bascas e catalãs.
Os latifúndios eram dominantes em contraste com os milhões de camponeses pobres. Em geral, as condições de vida do povo não eram boas, o que levava à insatisfação com a Monarquia espanhola, considerada inepta e corrupta. O Rei Afonso XIII era impopular e crescia o ativismo republicano combinado expansão do movimento proletário.
Ideias anarquistas e socialistas se popularizavam entre os trabalhadores espanhóis e essas correntes lideravam os principais sindicatos. A polarização crescia e o choque de classes era frequente e mais violento. Grupos terroristas de extrema-direita, em especial o “Sindicato Libre”, atacavam as organizações operárias através de atentados e assassinatos de seus principais líderes. A esquerda criou grupos armados como o “Nosotros”.
Já agonizando, a Monarquia nomeou Primo de Rivera como chefe de um regime fascista, mas ele renuncia em 1930, por conta de uma série de escândalos de corrupção. Nas eleições do ano seguinte, os republicanos obtiveram a maioria de votos nos grandes centros urbanos e o Rei abdica do trono. Nasce a Segunda República espanhola, mas a crise política prossegue: nas eleições de 1933, a esquerda se divide e a direita sai vitoriosa.
Já em 1936, com o crescimento do fascismo na Europa, as organizações da esquerda revolucionária apoiam a “centro-esquerda” republicana (Frente Popular) que vence as eleições por pequena margem de votos: Manuel Azaña assume a presidência e Largo Caballero se torna chefe de governo.
A direita não aceita a derrota e passa a insuflar abertamente um golpe, acusando o governo eleito de ser pró-soviético. Os setores reacionários se organizam na Frente Nacionalista do general Franco, que unia o alto comando das Forças Armadas, a Confederação Espanhola de Direitas Autônomas, monarquistas, lideranças católicas e a Falange Espanhola, grupo paramilitar.
Em 16 de julho de 1936, o reacionário Calvo Sotelo é assassinado pela Guarda de Assalto republicana e a Frente Nacionalista usa esse fato de pretexto para atacar os republicanos e iniciar a Guerra Civil Espanhola.
O conflito
A guerra civil seria o climax da polarização espanhola vinda de anos. A Frente Popular (FP) consegue incialmente manter o controle de Madri e Barcelona, mas os fascistas recebem o apoio dos legionários vindos do Marrocos. Mussolini enviou 70 mil soldados italianos e Hitler mais 15 mil, além de apoio aéreo. A Luftwaffe (Força Aérea da Alemanha nazista) bombardeia várias cidades, como Guernica, no País Basco, fato imortalizado no quadro de Picasso.
Pelo outro lado, a França, a Inglaterra e demais países ocidentais se recusaram a intervir na guerra. O apoio da União Soviética foi aquém, encaminhando 5 mil consultores militares e armamentos, assim como o México de Cardenas. O papel de Moscou, ao fim e ao cabo, foi nefasto, como veremos mais a frente.
Milhares de apoiadores republicanos foram executados pelos nacionalistas, além dos estupros e torturas aos civis. A selvageria visava amedrontar os republicanos e forçá-los à rendição, mas teve efeito contrário, pois milhares de pessoas se voluntariaram para formar milícias e resistir ao avanço dos fascistas.
Essa polarização colocou a possibilidade da Revolução socialista na ordem do dia.
Uma revolução socialista esteve colocada como possibilidade
Organizações anarquistas lideraram uma importante insurreição em Aragão, na Catalunha e em partes de Valência. Trabalhadores assumiram o controle de indústrias, fazendas e serviços públicos (gestão dos serviços públicos, como bondes, hospitais e escolas), implementando sistemas de autogestão operária e coletivizações em larga escala e abolindo a propriedade privada dos meios de produção. Os latifúndios foram expropriados e entregues aos camponeses em muitos lugares.
Foram criados Conselhos Operários que organizaram a gestão e o processo revolucionário. Todas as decisões eram tomadas em assembleias populares. Foram feitas várias reformas sociais, como a secularização da sociedade e a igualdade de gênero.
Logo surgiram as divisões entre os grupos da Frente Popular. As experiências implementadas por anarquistas e comunistas de esquerda não tiveram apoio do Partido Comunista da Espanha, da União Soviérica e nem das demais organizações republicanas. Moscou e o PC espanhol priorizaram construir aliança contra o fascismo e a radicalização não era bem vista.
Assim, as relações entre a esquerda radical e os comunistas estalinizados se deterioraram continuamente, a ponto de ter enfrentamento armado entre os dois grupos durante os chamados “Eventos de Maio” em 1937. Sob ataque de parte da Frente Popular e dos fascistas, as possibilidades da ‘Revolução Espanhola’ não se efetivaram.
Stalin, o eterno coveiro das revoluções
É inegável que a URSS deu algum apoio à luta contra Franco, assim como os comunistas ajudaram articular as Brigadas Internacionalistas, mobilizando mais de 60 mil combatentes voluntários de todas as partes do mundo.
No entanto, a estratégia desse apoio não era para repetir a Revolução Russa. Uma vitória revolucionária do proletariado espanhol no coração da Europa, poderia ter, em tese, reforçado a resistência da classe trabalhadora ao fascismo e contagiado as lutas nos outros países e impedido a expansão do fascismo. Essa possibilidade – revolucionária – de fato esteve colocada em julho de 1936 e, com alguma chance, em maio de 1937.
Os chefes republicanos da Frente Popular temiam mais a revolução proletária do que a contrarrevolução fascista e fizeram de tudo para desmobilizar os trabalhadores. Jesus Hernandez, dirigente do PCE, teria dito: “É totalmente falso que o objetivo desta mobilização operária é a instauração de uma ditadura proletária ao fim da guerra. […] Nós, os comunistas, somos os primeiros a repudiar semelhante suposição. Nos motiva unicamente o desejo de defender a república democrática”.
Essa era linha central estalinista. Stalin, o principal articulador da política da Frente Popular internacionalmente, vinha operando o desmonte de qualquer radicalização do processo espanhol mantendo as boas relações com franceses e ingleses. Ambos os países chegaram a embargar o envio de armas para os espanhóis contra Franco.
Stalin chegou a enviar uma carta pessoal a Largo Caballero onde afirmava ser “necessário evitar que os inimigos da Espanha vejam nela uma República comunista”. Para a burocracia soviética era decisivo manter resguardadas boas relações diplomáticas com as burguesias ‘democráticas’ europeias, mesmo que precisasse sufocar os ímpetos revolucionários na Espanha.
O fim do conflito
Enquanto as forças da esquerda lutavam entre si, as tropas de Franco ampliavam seu domínio sobre várias cidades. Madri, Barcelona, Valência, Bilbao e Málaga ainda resistiam com grandes dificuldades. No pior momento, Franco isolou as forças republicanas em três enclaves submetidos a um severo bloqueio e, neste cenário, as tropas entraram em colapso, permitindo aos nacionalistas capturarem Madri e Barcelona em 1938.
A rendição plena foi em abril de 1939, mas as tropas de Franco seguiram com o o chamado Terror Branco, executando centenas de milhares de civis e ex-combatentes republicanos. O regime franquista que surgiu ali foi uma ditadura fascista, respaldada pela conivência das potências imperialistas e pela política derrotista da URSS. Franco governou a Espanha até sua morte, em 1975. Um governo marcado pela severa repressão contra a esquerda e os movimentos sociais, fim dos direitos civis e favorecimento aos grupos capitalistas. Depois, a Monarquia (dessa vez parlamentarista) é restaurada e o Rei se torna o chefe de Estado.
A experiência do POUM (Partido Operário da Unificação Marxista)
Trataremos da experiência do POUM em parte da Guerra Civil espanhola, revisando e reapresentando artigos publicados em 2025 nesse jornal e no site Emancipação Socialista.
Em geral, foi difícil – e tem sido – o caminho da unidade dos revolucionários desde o século passado. Atualmente há algumas experiências interessantes de aproximação de correntes e militantes independentes da esquerda revolucionária, mas, em geral num ritmo lento e com vícios e dificuldades. Não obstante, tais iniciativas são válidas e devem ser multiplicadas e contam com a militância e os esforços da Emancipação Socialista.
Temos atuado e estimulado o Movimento pela Frente Socialista Revolucionária (MFSR), iniciativa que aproxima e articula grupos e militantes revolucionários(as) buscando a unidade e colaboração entre seus membros, quebrar a fragmentação e a ‘diáspora’ entre os agrupamentos revolucionários. Uma tarefa árdua, considerando que as rupturas e a autofagia dominam a relação entre os grupos e nem sempre existem regimes saudáveis internamente nas organizações. Conviver com as diferenças parece ser um fardo pesadíssimo e parece estar virando uma espécie de costume arraigado: melhor dividir e fazer um ‘novo grupo’ do que apostar no debate saudável e qualificado das diferenças e sínteses superiores.
Neste cenário desafiador de aproximar os revolucionários vale analisar a experiência do POUM espanhol, surgido no contexto da luta contra o fascismo (e várias forças de direita) na Espanha, como analisado anteriormente.
A vitória eleitoral da aliança republicana(1) abriu uma nova situação política e o POUM se localizou neste contexto e na crítica ao seguidismo dos PCs a Stálin. Importantes setores do movimento proletário, sobretudo na Europa, organizavam dissidências contra os ditames da URSS e do stalinismo. No marco da onda de mobilizações e greves do período, a Frente Popular se constituiu como uma alternativa eleitoral antifascista. Já a direita espanhola, por sua vez, gozava do apoio da grande burguesia, dos latifundiários e de boa parte da Igreja Católica e do Exército, ou seja, uma força social com peso de massas.
A Frente Popular tomou posse e em poucos meses adotou algumas medidas progressivas como a expropriação de mais de meio milhão de hectares de terras para instalar famílias de camponeses: tudo combinado com o compromisso da manutenção da propriedade privada e do sistema capitalista, cabe destacar. Tal contradição estaria presente durante toda Guerra Civil.
Origens do POUM
O POUM havia surgido 10 meses antes a partir da unidade orgânica entre a ‘Esquerda Comunista’, liderada por Andres Nin (que chegou a trabalhar com Trotsky na Rússia) e o Bloco Operário e Camponês de Joaquim Maurin, vinculado a posições originadas de Bukharin, e, pejorativamente, chamado pelos estalinistas de ‘comunistas de direita’. Ambos criticavam o estalinismo: nas páginas de seu jornal “A Batalha”, o POUM foi o único a criticar os Processos de Moscou que eliminaram milhares de militantes e opositores a Stálin. Apesar das distintas origens, o POUM surgiu em base a um acordo programático significativo e atraiu ativistas revolucionários de variadas origens dentro do campo da esquerda comunista.
Em julho de 1936, o POUM contava com cerca de 8.000 militantes, um salto já em relação ao numero fundacional. No final desse mesmo ano chegaria a 40.000 numa Espanha que contava com cerca de 24 milhões de habitantes. Mesmo sendo uma força minoritária, tinha um peso político expressivo, demonstrando a correção da unidade orgânica entre os revolucionários especialmente alicerçada em um programa e tarefas comuns para atuar na realidade.
Infelizmente, o POUM errou muito politicamente, especialmente na sua posição perante a Frente Popular: apesar de criticá-la, colocou a sua assinatura no acordo fundacional e chegou a ter Andres Nin como Ministro, o que não compromete a experiência que resultou na unidade de boa parte dos revolucionários espanhóis. A principal justificativa para se aliar com uma parte da classe inimiga, na Frente Popular, era a “tática eleitoral” para não ficar “isolado” ante o forte apoio à Frente Popular naquele período de avanço global das forças fascistas.
Partimos do pressuposto que a unidade entre grupos socialistas com bom grau de identidade no contexto espanhol foi correto. No entanto, esta organização falhou em questões importantes na luta de classes: sua política e encaminhamentos centrais foram desastrosos no contexto de ascenso popular no país e ante o avanço fascista. É possível analisar a experiência do POUM identificando e separando, em certo sentido, estes dois aspectos.
Importante destacar que o POUM sempre teve uma posição crítica à esquerda tradicional daquele período (socialistas e comunistas) e se posicionou (de forma insuficiente e contraditória) contra a estratégia estalinista/social-democrata de limitar-se a defender o governo republicano.
O POUM também defendeu expropriações, ocupações de terras e fábricas. Defendia que era preciso derrotar o conjunto da burguesia para impedir a expansão do golpe de Franco. Ainda foi defensor dos vários comitês de base surgidos no início da resistência antifascista e chegou a apontar que eles deveriam se unificar em um poder proletário revolucionário, mas também desmobilizou barricadas e mobilizações independentes da classe trabalhadora colaborando com o governismo republicano.
Com o avanço da Guerra Civil, os espaços de autonomia da militância antifascista foram substituídos gradualmente pela imposição da ideia de defender e restaurar a institucionalidade burguesa, pois Franco e o avanço fascista desmontavam o regime democrático burguês. Nesta altura, o POUM era parte do governo com o Ministro Andreu Nin e sua militância saltou para 40 mil militantes. Era uma força com influência e capacidade de incidir na realidade com espaço para as ideias socialistas e revolucionárias, mas também para o fascismo em ascensão. A aliança com o governo republicano aproximou militantes, mas também a visão mais à esquerda e radical do POUM aproximou muita gente num contexto de resistência antifascista.
Considerando-se estes fatores, infelizmente, o partido manteve-se prisioneiro de uma espécie de ‘centrismo endêmico’: fazia saudações à Revolução, mas era parte da Frente Popular, muito além da unidade antifascista, certamente necessária. E aqui um ponto central: seria possível combater unitariamente o fascismo sem estar no governo burguês republicano? Do nosso ponto de vista, sim. Possível e necessário – um tema muito atual-, em clássicas palavras, seria possível golpear o inimigo comum unificados, mas marchar separados.
A dura crítica de Trotsky
Trotsky naquele momento vivia o duro exílio da Noruega. Mesmo em condições adversas, ele conseguiu acompanhar e escreveu sobre o contexto espanhol. Foi duro na crítica da unificação que gerou o POUM e muito mais na análise das políticas do partido. Segundo ele, os “comunistas de esquerda” eram vacilantes, conciliadores e centristas, ou ainda “oportunistas e traidores”.
Para ele, ao criticar a tática de aliança do POUM com a Frente Popular, os verdadeiros revolucionários deveriam traduzir as condições particulares do seu país para a linguagem internacional do marxismo, ou seja, não se limitar às realidades locais. O POUM simplesmente havia aplicado “servilmente a política que o VII Congresso da Internacional Comunista impôs a todas as suas seções”, igualando a política do partido ao do estalinismo sobre apoiar governos de “Frentes Populares”. Ou seja, o partido buscava pressionar a realidade pela esquerda, mas evitava um rompimento com as suas direções e assim ficando a reboque dos estalinistas e sociais-democratas.
A crítica de Trotsky afastou o POUM das articulações para a formação da 4ª Internacional que seria fundada em 1938. Ele também considerou que a unidade entre correntes distintas foi um erro, gerando um programa centrista que justificava a capitulação ao governo republicano. Trotsky não manteve o diálogo nem com o setor mais à esquerda do POUM, tratando a experiência desta organização como desastrosa, sem mediações. Vale destacar que o partido tinha divisões em suas fileiras: havia em Madrid militantes que cooperavam com os trotskistas e criticavam o caráter burguês do governo republicano da Frente Popular defendendo a estratégia revolucionária. Mas, regionais com influência do antigo ‘Bloco’ bukharinista, declaravam apoio ao governo republicano e condenavam o “radicalismo” dos setores mais críticos.
Neste contexto, a luta unitária antifascista alicerçada no governismo e apoio à Frente Popular, justificava a linha política que se tornaria dominante no POUM. Tal escolha ajudou a enterrar as possibilidades revolucionárias naquela Espanha radicalizada, mas pior de tudo é que tal colaboração não iria garantir nem a existência do próprio partido.
O desmantelamento do POUM
A partir do desenrolar da Guerra Civil Espanhola, o centro da política estalinista era a restauração ‘democrática’ e aliança com Inglaterra e França. Gradualmente, a dualidade de poderes existente na Guerra Civil foi desmontada por dentro: era a política deliberada do PSOE e PCE e respaldada pelas direções sindicais majoritárias e pelo próprio POUM, a partir de suas vacilações e centrismo.
Um exemplo dessa estratégia foi verificado nas batalhas de maio de 1937, quando o governo republicano tenta assumir o controle das comunicações ocupando o edifício da Telefônica, em Barcelona. A classe trabalhadora enche a cidade de barricadas enquanto a militância da CNT (central sindical) e do POUM dominam a situação, mas logo recuam e chamam a desmontar a resistência e confiar na política da Frente Popular. Mais uma vez, o POUM não se atreve a romper com o governo e desmobiliza sua própria base no meio da batalha.
Após esta colaboração com as forças governistas, o partido seria ilegalizado sob a acusação absurda de “fascista”, ou seja, o ‘prêmio’ por colaborar com o governo da Frente Popular. Andreu Nin foi sequestrado e torturado até a morte pelo estalinismo. Milhares de militantes foram executados ou presos pela ação repressiva estatal, especialmente com a ação da NKVD.(2)
Para a alegria de Franco e do fascismo internacional, quem reprimiu e eliminou milhares de lutadores socialistas foi a esquerda tradicional: o PC espanhol e o PSOE com apoio da burocracia soviética. Muitos militantes foram para a clandestinidade para fugirem do governo espanhol e dos assassinos enviados por Moscou. Mesmo leal a Frente Popular, enfim, o POUM foi desmantelado, enquanto os fascistas avançavam militarmente ante uma esquerda dividida e sem rumo revolucionário.(3)
Seria o fim trágico do centrismo do POUM e, mais tarde, o fascismo venceria a Guerra Civil, inaugurando um longo governo reacionário surgido após a morte de mais 500 mil pessoas: segundo historiadores, ali estava a antessala da Segunda Guerra Mundial.
O POUM entrou para a história mesmo com sua breve existência na qual teve erros e acertos. Era uma situação radicalmente polarizada e com oportunidades tanto para a revolução socialista como para o fascismo, mas marcada por uma situação internacional muito desfavorável – ascensão fascista em vários países e do estalinismo na URSS – que ajudou a selar o terrível desfecho para o partido e, especialmente, para a classe trabalhadora espanhola por décadas.
Notas
(1) As eleições foram muito polarizadas: a Frente Popular (FP) conseguiu 4,7 milhões de votos e a Frente Nacional cerca de 4,4 milhões.
(2) A NKVD (Narodniy Komissariat Vnutrennikh Diel) era o Comissariado do Povo de Assuntos Internos. Criada em 1934, incorporou funções centrais na administração e na segurança do Estado.
Controlava a economia e o serviço secreto, prestando contas ao Conselho de Comissários do Povo e ao CC do Partido Comunista. A NKVD controlava os Gulag e os campos de trabalho, famosos por aprisionar perseguidos políticos. Na Guerra Civil Espanhola seus agentes atuavam em conjunto com o PC Espanhol exercendo influência sobre o governo republicano. Ali, estabeleceu prisões secretas em Madri, torturou e matou centenas de oponentes, incluindo nacionalistas espanhóis, católicos, anarquistas e trotskistas.
(3) Assista ao filme “Terra e Liberdade”, dirigido por Ken Loach, 1995. Link: https://n9.cl/t37u5




