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Estados Unidos: a guerra contra o Irã e a crise social interna

14 de junho de 2026
in Internacional
Morador em situação de rua nos Estados Unidos dorme em um banco na rua, coberto com um cobertor com o desenho da bandeira dos EUA. À esquerda, um carrinho de supermercado com os pertences do morador em situação de rua.
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A guerra Estados Unidos e Irã completou 90 dias em final de maio, levando em conta nesse intervalo de tempo que desde 8 de abril vigora um “cessar-fogo” entre os dois países. Depois do imperialismo ianque invadir com sucesso a Venezuela e ameaçar a Groelândia com a anexação, as ambições ianques se voltaram para o Irã. Nessas três situações, a rapinagem escancarada dos Estados Unidos objetivava o controle dos combustíveis fósseis venezuelanos e iranianos, além dos potenciais reservas de petróleo e gás, minerais de terras raras e metais críticos da Groelândia.

Agora, os Estados Unidos ameaçam invadir a Bolívia, que passa por uma insurreição popular contra um governo ianque, porque o país latino americano possui cerca de 31 dos 38 minerais críticos e estratégicos do mundo.

No confronto bélico com os Estados Unidos (este com o apoio de Israel), o Irã teve grandes perdas humanas: 3.468 mortos e cerca de 26.500 feridos, segundo dados oficiais, números bem superiores se comparados aos 13 mortos e 538 feridos norte-americanos. Houve também a destruição e/ou danificação de dezenas de edifícios militares; de rodovias; de 140 mil unidades residenciais e comerciais e da infraestrutura de transportes. Além disso, houve a danificação de instalações nucleares estratégicas.

Apesar disso tudo, os estoques de urânio altamente enriquecido iranianos e partes vitais da cadeia de suprimentos sobreviveram aos bombardeios. Em resumo: o objetivo dos Estados Unidos, de derrubar o regime dos aiatolás ou de destruir por completo o projeto nuclear iraniano e a criação da bomba atômica pelo país asiático, não foi conseguido.

O bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo, pelo Irã, fez o barril de petróleo chegar a altas históricas e criou a possibilidade de um desabastecimento mundial. Em função disso, países aliados dos Estados Unidos, como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes (que foram atacados pelo Irã), e o mercado corporativo pressionaram Donald Trump para que a trégua fosse instalada, objetivando um acordo de paz, mediado pelo Paquistão.

O trumpismo como resposta reacionária à crise do capital

O trumpismo é uma resposta à crise estrutural do capitalismo de 2008, que atingiu em cheio os Estados Unidos, seus bancos e grandes corporações. Sua proposta é um nacionalismo econômico para reverter o declínio industrial e a perda de hegemonia dos Estados Unidos, ganhando para essa ideia um setor mais precarizado da classe trabalhadora norte-americana.

Como consequência, a perseguição e a repressão aos imigrantes nos Estados Unidos atingiram níveis históricos, com o aumento das deportações, militarização do Serviço de Imigração e Alfândega e superlotação dos centros de detenção. Os números dos centros de detenção passam de 60 mil imigrantes presos, fora a deportação de milhares de cubanos e de outras nacionalidades no México.

O encarceramento em massa segue nos Estados Unidos, através da “Guerra às Drogas”. Cerca de 20% de todos os presos do planeta estão no país, que concentra quase 2 milhões de pessoas. Pessoas negras representam cerca de 36% a 42% dessa população carcerária e 23% dos detentos são latinos.

Já políticas do governo Trump ameaçam o acesso global das mulheres ao aborto e aos serviços de saúde reprodutiva e implementaram diversas medidas que restringem os direitos da comunidade LGBTQ+.

Como respostas a essa guerra contra os pobres e às minorias, a cidade de Minneapolis, foi palco de fortes manifestações e de uma Greve Geral, no início de 2026. E o movimento “No Kings” (Sem Reis) juntou 8 milhões de pessoas nas ruas, em final de março, em 50 estados norte-americanos.

Indicadores sociais mostram o que é o capitalismo nos Estados Unidos

Hoje, cerca de 47,4 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar nos Estados Unidos. O aumento do custo de vida e os cortes em programas sociais, como o programa de assistência alimentar do governo, agravaram essa crise.

Cerca de 771.480 pessoas vivem em situação de rua nos Estados Unidos. Este número representa um aumento recorde, impulsionado pelo encarecimento do custo de vida e dos aluguéis no país, pois estima-se que mais de 1,2 milhão de ações de despejo são abertas anualmente.

A taxa de desemprego atingiu 4,3% da força de trabalho. O governo registrou cortes massivos de cerca de 300 mil cargos no serviço público e um programa de demissão voluntária que atingiu a marca de 154 mil servidores. Soma-se a esse quadro que entre 40 a 60 milhões de pessoas nos Estados Unidos estão em empregos precários, temporários, informais ou como trabalhadores autônomos.

Por outro lado, os Estados Unidos têm o sistema de saúde mais caro do mundo. Mais de 100 milhões de norte-americanos possuem dívidas médicas. Os Estados Unidos são a única nação desenvolvida sem um atendimento médico garantido a todos os cidadãos. O país enfrenta o ressurgimento de doenças evitáveis, devido à queda na cobertura vacinal, por exemplo.

Na educação, o ensino superior nos Estados Unidos não é gratuito. Os estudantes pagam anuidades e taxas cujos valores médios superam os $ 29.000 por ano. A inadimplência e o endividamento estudantil atingiram níveis críticos. Atualmente, mais de 42 milhões de estadunidenses possuem dívidas, passando de $ 1,7 trilhão.

Essa crise na educação norte-americana é o que explica porque o Irã, com 93 milhões de habitantes mas que tem o ensino superior público e gratuito, forma aproximadamente 200 mil a 233 mil engenheiros por ano, que se concentram fortemente nas áreas de software, tecnologia da informação e engenharia civil. Por seu lado, a China, que também não tem o ensino superior gratuito, mas tem anuidades bem menores do que nos Estados Unidos, forma entre 1,4 milhão a 3,5 milhões de engenheiros por ano. Já os Estados Unidos, maior PIB do mundo e com 342 milhões de habitantes, formam apenas cerca de 130.000 a 140.000 engenheiros por ano.

O Vale do Silício e a IA

As “Big Techs” (Meta, Apple, Google, Amazon, Microsoft, Intuit) do Vale do Silício (Califórnia) são hoje o fator da afirmação do poder econômico ianque no mundo. Mas, este setor também está em crise, impulsionada pela reestruturação massiva do setor tecnológico e pela escassez de energia para a Inteligência Artificial. Em final de maio, a Meta anunciou que vai demitir 8 mil funcionários e a Intuit cortará 17% da sua folha de pagamento, em função da substituição do trabalho humano pela IA. Mas, essa medida também não é tranquila, pois megacentros de dados no Vale do Silício têm enfrentado interrupções devido à incapacidade da rede elétrica de suportar as altas cargas de trabalho exigidas pelas operações de IA.

Disputa entre os imperialismos aguça e ameaça a humanidade

O recente encontro entre Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping mostrou que o imperialismo chinês, aliado do Irã, está em condições de igualdade para discutir com o imperialismo ianque. É assim em 90% das tecnologias críticas e de pesquisa global; nas IAs aplicadas e modelos de linguagem; na robótica industrial; no desenvolvimento em tecnologias quânticas; nas redes 5G/6G; e na biofabricação e interfaces cérebro-computador.

Na fabricação de chips avançados, setor dominado pelos Estados Unidos e aliados, os fabricantes chineses locais de chips já suprem boa parte do mercado de servidores de IA interno. Em consequência, o imperialismo norte-americano intensificou a guerra comercial contra a China.

No tocante à “Guerra Espacial” entre China e Estados Unidos, a igualdade também existe. Pequim planeja enviar humanos à Lua até 2030 e está desenvolvendo mega constelações estatais e a própria estação espacial. Quem vencer a “Guerra Especial”, determinará quem estabelecerá o modelo, as regras de exploração e ocupação das regiões lunares mais valiosas. Essa disputa mostra o caráter apodrecido do capitalismo: os 2 países que mais emitem gases de efeito estufa e que têm provocado um superaquecimento anormal da Terra, procuram estender essa prática nefasta para o espaço sideral, ameaçando diretamente o ecossistema terrestre e a órbita do planeta.

Veja os mapas abaixo:

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