Derrubar Bolsonaro pela mobilização operaria-popular

A queda brusca da popularidade, as dificuldades no Congresso Nacional, as críticas cada vez mais ruidosas de empresários e partidos de direita e principalmente a crise econômica-social com risco de rebelião popular fizeram acender a luz de alerta na classe dominante e a possibilidade de tirar Bolsonaro foi se tornando real.

Uma questão a ser considerada nessa situação é o nível de interesse da burguesia exportadora brasileira. Os atritos com a China (para onde vai parte importante das exportações) e a eleição de Biden nos Estados Unidos podem dificultar as exportações para esses países. E se tem algo que faz empresários romperem com governos é o risco de prejuízo ou uma queda na taxa de lucros.

Já há manifestações até de partidos e movimentos de direita pelo impeachment. O MBL (Movimento Brasil Livre), o jornal Estadão e a Folha de São Paulo defendem abertamente a saída de Bolsonaro. Muitos empresários também reclamam da lentidão no combate à pandemia.

Esse não é o “plano A”, mas, também não descartam essa possibilidade, tanto que vários dos movimentos de direita já iniciaram pequenas manifestações de rua. E com essa pressão, para não perderem o controle da situação, vão se sentido “na obrigação” de encaminhar o processo de impeachment.

Nesse cenário, entendemos que é importante a esquerda socialista atuar nesse processo e disputar a direção política desse movimento que tende a se ampliar. Como as ruas também são disputadas politicamente por parcelas da burguesia, é fundamental demarcarmos o nosso campo e fazermos todos os esforços para impedir que a burguesia continue a influenciar a consciência de classe da classe trabalhadora e continue nos impondo derrotas.

 

            Impeachment ou derrubar Bolsonaro?

Na política uma palavra tem vários sentidos. E não é apenas uma questão de semântica mas, da necessidade de compreendê-las junto com as tarefas que estão colocadas e de como chegar ao objetivo. Podemos observar isso na luta pelo “Fora Bolsonaro”.

Ao mesmo tempo em que o “tirar Bolsonaro” do poder une muita gente e muitos grupos, a forma de fazê-lo é muito diferente.

O impeachment, por exemplo, é um processo que ocorre no Congresso Nacional, que segue um ritmo lento, sob controle da institucionalidade, da legalidade burguesa e com o Judiciário tutelando todo o processo. O objetivo da burguesia é realizar a troca sem sobressaltos, mantendo tudo sob controle e, principalmente, afastando a participação popular. Todas essas esferas buscam estabilizar o regime político e, assim, continuarem com a exploração sobre a classe trabalhadora.

A lei define bem quem sai e quem entra. No caso brasileiro atual, sairia Bolsonaro e entraria Mourão. E não precisamos de muito esforço para entendermos que entre Bolsonaro e Mourão há muitas semelhanças. Somente para lembrar: Mourão apoia a ditadura, a tortura, é contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas e apoiou a política genocida de dificultar o acesso à vacina.

 

            Derrubar Bolsonaro e todo o seu governo com mobilização de massas trabalhadoras

Emancipação Socialista defende que a luta contra Bolsonaro deve ser associada à luta contra o projeto econômico que a burguesia implementa no Brasil. Dá para tirar um, colocar o outro e continuar os mesmos níveis de exploração. Mas, não é isso que queremos e não podemos aceitar!

Não queremos estabilizar o regime e dar normalidade a esse sistema que explora e oprime a classe trabalhadora. Lutamos contra todo o governo Bolsonaro, mas também lutamos contra esse sistema explorador.

Nesse sentido, a luta prioritária é para derrubar todo o governo: Bolsonaro, Mourão e os Ministérios. Não pode escapar nenhum!

E também não podemos confiar em deputados, senadores e, muito menos, no Judiciário, pois, a depender desses, Bolsonaro não sai ou vão colocar Mourão em seu lugar. Sairia o capitão e entraria o General.

 

            A necessária independência da classe trabalhadora

Com essa movimentação para o impeachment começou a surgir a proposta de “Frente Ampla” com PDT, PSB, PT, MBL, Maia, CUT, etc. atuando conjuntamente todos juntos contra Bolsonaro.

Que PT, CUT junto PC do B e CTB defendam essa política é compreensível porque há algum tempo já fazem parte da gestão do capital e não buscam atrito com a burguesia.

Mas, se esquerda socialista cair nesse conto será o maior dos erros. Precisamos denunciar e mostrar para a classe trabalhadora os objetivos desse movimento e que não podemos confiar nessa Frente. Já traíram muitas lutas.

Sabemos que a maior força social e política na sociedade é a classe trabalhadora e se parar, nada funciona. Precisamos sim, como parte dessa classe, buscarmos a unidade da esquerda socialista e avançarmos no diálogo e na luta com quem produz a riqueza para que possa exigir condições de vida e vida preservada e dignas. Somente isso poderá assustar a burguesia e seus partidos.

 

            Organizar um movimento de base pelo Fora Bolsonaro e seu governo!

Derrubar todo o governo Bolsonaro e seu projeto econômico são necessidades. Fruto de sua política há milhões de desempregados, aumento de preços de produtos alimentícios de primeira necessidade, fome e centenas de mortes pela COVID-19.

Esses são alguns dos motivos da urgente e necessária derrubada desse governo. Como dissemos, a luta pela derrubada de Bolsonaro deve estar combinada com a luta por reivindicações econômicas como o fim do desemprego, não pagamento da dívida pública, retorno do auxílio emergencial e de dois salários-mínimos, etc.

Essa luta necessita da urgente e intensa participação “dos de baixo”, ou seja, da classe que sente as consequências destruidoras da política econômica, é reprimida e sente o que tem de pior nessa sociedade.

 

            Formar Comitês de Base

As carreatas que estão sendo organizadas têm cumprido o papel de iniciar a mobilização mas, são completamente insuficientes, a princípio, porque excluem a maior parte da classe trabalhadora que nem carro tem.

Defendemos a organização de Comitês Populares com o impulsionamento da luta pelo “Fora Bolsonaro e todo o seu governo” de forma independente nas categorias profissionais, bairros, locais de estudo, moradia, etc.

Os Comitês poderão organizar essa luta pela base junto “aos de baixo” e realizar debates, atividades de convencimento para derrubar Bolsonaro e também avançar nas lutas por manutenção e conquista de direitos.

Podemos confiar somente na força da classe trabalhadora. Não podemos ter nenhuma ilusão e confiar nos partidos burgueses e movimentos de direita, no parlamento burguês e muito menos no Judiciário. Fora Bolsonaro e todo o seu governo!