08 de Março: Dia Internacional de Luta da Mulher e a Situação Sob o Capitalismo

Nos dias 08 de Março de anos anteriores, mesmo diante de ameaça de eleição do governo Bolsonaro, movimentos e organizações de luta sempre apresentaram assuntos polêmicos e que expressam a situação da mulher trabalhadora.

Sempre compreendemos esse Dia Internacional de Luta da Mulher como uma data para denunciarmos as dificuldades de vivermos sob o sistema capitalista opressor, que sustenta o patriarcado, o machismo e a homofobia para intensificar a exploração e a desigualdade social-política-econômica. É um dia para nós, mulheres da classe que vende o trabalho em troca de salário, lutarmos também contra o desemprego, o feminicídio, o estupro, o aborto, todas as demais formas de violência, a fome e a guerra.

No governo Bolsonaro/Damares, ao fazer uma breve comparação nesses dois últimos anos, podemos reafirmar que intensificar essas lutas é mais que necessário, é urgente:

O desemprego entre as mulheres bateu recorde. Foram 17,9% de desempregadas, enquanto para os homens foram 12,2% (início 2021). A diferença salarial continua alta, mulheres têm salários 34% menores que homens. Assédio sexual no trabalho (cresceu 21%). Mulheres Negras têm maior mortalidade Covid-19 na base do mercado trabalho. A divisão de tarefas da casa continua mal com 21,4 h/semana para mulheres e com 11 h para homens. O feminicídio (cerca de 04 mortes/dia), morte LGBTQIA+ (cresceu 8%, 1 cada 29 h), estupro (cerca de 36 mil/ano ou 100 crianças-adolecentes/dia), o aborto (média anual/SUS 1630 – 10% da necessidade real) e o casamento infantil (65 mil/ano de 10-14 anos) aumentaram e com subnotificação, inclusive na pandemia.

Com tudo isso, os altos cortes de verbas foram mantidos para necessários serviços públicos básicos (Saúde, Delegacias da Mulher, Casas Abrigo, etc.) durante toda a pandemia, com atraso e negativa de vacina pelo governo.

As Reformas Trabalhista e da Previdência estão sendo aplicadas a todo o vapor, são parcelas inteiras de mulheres trabalhando sem direitos, sem carteira assinada, sem condições adequadas de trabalho (inclusive, sanitárias), jornadas estafantes e com a aposentadoria cada vez mais distante. Além de baixo o valor do salário-mínimo (R$ 1212), muitas empresas e terceirizadas criam seus contratos para não pagar também esse valor.

O alto índice de desemprego, aumento da restrição para Auxílio Emergencial (4 x R$ 375), atrasos na Licença/Salário Maternidade, aumento de preços do petróleo, do gás de cozinha, dos alimentos, dos alugueis, etc. massacram o cotidiano de qualquer mulher trabalhadora no Brasil (desempregada, assalariada, mãe) e intensificam a miséria.

Não é surpresa o papel de todo o governo Bolsonaro com sua ministra Damares que, de forma autoritária, impõem o esperado para atender os anseios dessa burguesia hipócrita que fala “contra a violência”, de “ajuda humanitária” e até “ressalta a mulher”, mas, aumentam a exploração, a opressão e a humilhação, são antivacina e violam direitos humanos.

Embora, do ponto de vista de classe trabalhadora, todos esses ataques sejam verdadeiros crimes, precisamos ainda insistir na construção de “forças coletivas” de esquerda em cada local, para reverter essa cruel realidade. Não bastam mandatas e candidaturas que insistam no distanciamento às periferias, aos locais de trabalho, moradia, estudo, etc. É urgente a unidade das mulheres da classe trabalhadora nessas lutas e contra qualquer governo burguês, pois não dão sustentação para extirpar tais crimes e a falta de “democracia”.

Nos impactos da Covid-19 e da Guerra na Ucrânia

Os capitalistas impõem um maior aprofundamento da fome (reconhecido até por ONU e Unicef) aos pobres no mundo. São utilizadas inclusive para seguir intensificando o nível de toda essa já existente exploração e de suas várias formas de opressão, que têm servido para que mantenham ou até mesmo aumentem suas taxas de lucro sobre cada riqueza produzida pela classe trabalhadora mundial de conjunto.

Essa Guerra já atinge milhares de mulheres e crianças que estão mortas ou tiveram bombardeadas suas casas, trabalho, escolas, creches, etc.; estão refugiadas; rejeitadas em fronteiras; com filhas/os órfãos ou perdidos nas filas da Guerra. Muitas amargam também o Recrutamento Obrigatório, mas várias reagem “Direitos iguais, sim! Deveres, não!

O capitalismo é assim, cruel, não abre mão das Guerra, da fome (reconhecida mais da metade na Ásia, mais de um terço na África, grande porção na América Latina), do aumento da miséria (mesmo no Brasil grande produtor de alimentos, petróleo, etc.) e de nada do que utiliza para manter a exploração.

No Brasil, com toda essa gravidade, necessitamos voltar às ruas para a luta direta sem aceitar toda essa situação imposta à mulher da classe trabalhadora. Pela vida das Mulheres, pelo fim imediato da Guerra, da fome, por emprego, para derrubar as Reformas, por direitos, por Saúde (inclusive com a legalização do aborto), Educação, contra a violência e todas as formas de opressão (patriarcado, machismo, racismo, homofobia, etc.)! Fora Bolsonaro com todo o seu governo e Damares!