O movimento de extrema-direita dos caminhoneiros do Canadá

O negacionismo anti-vacinas contra a COVID-19 não tem fronteiras. O movimento dos caminhoneiros canadenses contra o passaporte obrigatório da vacina para os transportadores transfronteiriços é um exemplo. Começou no final de janeiro e só terminou na terceira semana de fevereiro.

A capital do Canadá, Ottawa, chegou a ser ocupada por um comboio de caminhoneiros, com a adesão de centenas de carros, interrompendo o tráfego, fechando lojas e escritórios (48% dos estabelecimentos do centro da cidade fecharam antes ou durante o protesto) e intimidando os moradores.

O chamado “Comboio da Liberdade” se espalhou com o bloqueio de uma terceira passagem fronteiriça com os Estados Unidos (inclusive na ponte Ambassador Bridge, que liga Detroit, nos EUA, e Windsor, na província de Ontário), interrompendo o comércio no posto fronteiriço mais movimentado da América do Norte, por onde passa 25% de todo o comércio entre os dois países.

O movimento foi liderado por ppersonalidades de extrema direita – que adotaram no passado a retórica islamofóbica ou nacionalista branca. Alguns manifestantes foram vistos usando símbolos nazistas e agitando bandeiras racistas. Idealizado por James Bauder, um autoproclamado teórico da conspiração, e teve a participação de Romana Didulo, ambos defensores do movimento Qanon (grupo que agrega pessoas de extrema-direita, divulga teorias conspiratórias e fake-news) chegaram a exigir a execução de qualquer um que ajudasse a vacinar crianças.

Uma campanha na plataforma GoFundMe arrecadou 7,6 milhões de dólares para apoiar o comboio, sendo muitas doações feitas por atores de extrema direita americanos.

O movimento teve o apoio de quase um terço da população e foi encerrado pela polícia, com confrontos, 191 presos e 57 caminhões rebocados. Para isso, pela primeira vez na história do Canadá, foi acionada a Lei de Emergência Nacional.

Esse Monark só dá pedal para a extrema-direita

Bruno Monteiro Aiub, fundador do Flow Podscast, conhecido como Monark, escandalizou a opinião pública ao defender a legalização de partido nazista no Brasil. No episódio que disse essa besteira, chegou a ter a concordância de Kim Kataguri e uma tímida (e quase conivente) opinião contrária de Tábata.

Monark acabou sendo demitido da própria plataforma que fundou e foi limado de outras plataformas digitais, após os protestos de milhares de militantes de partidos de esquerda, de movimentos sociais, organizações de direitos humanos e antirracistas e de judeus. A Flow Podscast ficou com medo de perder patrocinadores.

Monark alegou que estava bêbado quando fez a declaração. Kim Kataguiri, do reacionário Movimento Brasil Livre, também fez autocrítica e Tábata Amaral, eleita com o apoio da privatista Fundação Lehmann, pediu desculpas por ter se deixado fotografar com Monark na ocasião, mas não convenceram.

Na verdade, Monark é apenas a voz e a expressão do crescimento da extrema-direita no Brasil. Dados da ONG Anti-Defamation League (ADL) mostram que hoje o Brasil é o país no mundo onde mais cresce o número de grupos de extrema direita, com 530 células nas regiões Sudeste e Sul do país. Muitos desses grupos estão envolvidos com as milícias das redes sociais que apoiam o governo Bolsonaro e ajudam alavancar essas plataformas digitais e influencers como os Monarks da vida.

Laudêmio para a família real em meio à tragédia de Petrópolis

A tragédia das chuvas da cidade turística de Petrópolis já deixou mais de 223 mortos, tendo ainda 30 desaparecidos e incontáveis casos de dramas pessoais que perdurarão ao longo da vida de pessoas simples e trabalhadoras. Por exemplo, o professor Alessandro Garcia que perdeu a esposa, os dois filhos, os sogros e a casa onde morava.

Nessa tragédia, estão responsabilizando o meio ambiente e não os governantes que se lixaram para as condições de moradia do povo pobre da cidade. Mais escandaloso é saber que ainda existe o privilégio do laudêmio, uma taxa cobrada desde o período colonial, para antiga e parasita família real.

Em Petrópolis, o laudêmio é recolhido pela CIP (Companhia Imobiliária de Petrópolis), criada para gerir a herança e administrada por dez integrantes da família Orleans e Bragança. A chamada “taxa do príncipe” é de 2,5% sobre todas as transações imobiliárias na área da antiga fazenda imperial, o centro histórico de Petrópolis.

O autoproclamado príncipe imperial Bertrand de Orleans e Bragança soltou nota se solidarizando com as vítimas da tragédia, porém, nenhuma palavra a respeito sobre abrir mão do indecente imposto. Muito cara de pau!

Atenção: 1) Solidariedade de classe à Petrópolis: Contribuição Financeira ao Banco do Brasil, agência 0303-4, conta corrente: 45567-9. CSP Conlutas; 2) Solidariedade ao professor Alessandro Garcia: os vídeos do mesmo no canal do Youtube, Ministério dos Quadrinhos, pois o Youtube transforma audiência em monetização e remunera os canais pelo número de visualizações.