A Copa do Mundo de 2026 revelou contradições profundas. Para a classe trabalhadora, esta edição carrega algumas marcas preocupantes: o avanço da extrema-direita sobre o espaço esportivo, o crescimento desenfreado das apostas, transformando o futebol em um grande negócio financeiro, e o racismo.
O primeiro ponto é a forte presença da extrema-direita, expressa pelo trumpismo e por uma política de ataques às soberanias nacionais. A FIFA, ao permitir essa influência, acaba se rendendo a interesses políticos que utilizam o esporte como instrumento de disputa e controle.
Os episódios envolvendo seleções e atletas demonstram como essas pressões ultrapassam o campo de jogo. Restrições, conflitos e decisões políticas passaram a interferir diretamente na participação de equipes e jogadores, mostrando que a Copa não está isolada das disputas do mundo real. É importante lembrar que o árbitro Omar Artan, da Somália, foi impedido de entrar em território estadunidense. Além da anulação de um cartão vermelho dado a um atleta da seleção dos EUA, a pedido de Trump. O futebol acaba sendo atravessado por interesses que atacam direitos e liberdades.
A ilusão das bets entrou em campo
O segundo grande problema é a presença massiva das chamadas bets, as empresas de apostas esportivas. A Copa do Mundo praticamente passou a ser tratada como uma vitrine da indústria da jogatina. Mais do que um campeonato esportivo, transformou-se em uma oportunidade de exploração econômica sobre milhões de torcedores.
O impacto dessa lógica sobre o povo trabalhador é grave. São muitos os relatos de pessoas que comprometeram sua renda, perderam recursos e passaram a viver situações dramáticas. Tudo causado pela ilusão de ganho fácil, promovida pelas apostas. O futebol, que deveria ser espaço de alegria e convivência, passa a ser usado como ferramenta para alimentar um mercado que lucra com a vulnerabilidade das pessoas.
Por isso, esta Copa parece carregar uma marca contraditória: de um lado, a força do futebol; de outro, os interesses daqueles que tentam transformar o esporte em negócio e instrumento de poder.
É preciso também valorizar aquilo que mantém viva a essência do futebol: a resistência dentro de campo. Equipes com pouca visibilidade, sem os grandes holofotes da mídia, mostraram coragem, organização e talento. Seleções como Cabo Verde, Egito, Irã, República Democrática do Congo e outras representam um futebol que desafia previsões e mostra que o esporte ainda pertence aos jogadores e aos povos. Em relação ao Irã, mais especificamente, foram várias as restrições impostas por Trump, chegando ao cúmulo de permitir que a delegação iraniana permanecesse em território estadunidense apenas durante os jogos.
Racismo é gol contra
O terceiro ponto se refere às manifestações racistas. Desde ataques ao espanhol Lamine Yamal, passando pela agressão de uma senadora paraguaia contra o francês Kylian Mbappé, as redes sociais foram o meio utilizado para atacar jogadores de destaque.
A polêmica com Mbappé foi apenas um dentre diversos incidentes durante o torneio. Eles incluíram também: três jogadores holandeses que sofreram racismo na internet após perderem pênaltis contra o Marrocos, no mata-mata; um torcedor argentino que mandou um influenciador das redes sociais “ir chorar no zoológico”; um torcedor mexicano que pediu desculpas por fazer um gesto racista para um coreano; e torcedores do Egito e de Cabo Verde, que declararam terem sido alvo de cerveja e garrafas atiradas por torcedores argentinos. Algo que chamou a atenção foi o silêncio constrangedor por parte dos jogadores argentinos, sobretudo de Lionel Messi. Afinal de contas, tem se acumulado casos repetidos envolvendo torcedores argentinos nos campeonatos mundo afora. E o silêncio acaba virando permissão.
Apesar das tentativas do trumpismo, da FIFA e dos grandes interesses econômicos de controlar o esporte para seus próprios objetivos, o futebol continua resistindo.
Porque o verdadeiro futebol está na arquibancada, nas ruas, nos campos e na paixão de milhões de pessoas. E essa resistência continuará.




