O capitalismo, em sua busca incessante por novas formas de exploração da natureza e da força de trabalho, ingressou em uma fase que altera irreversivelmente o destino do planeta. O colapso ambiental se manifesta em todas as frentes: o aumento do volume dos mares, impulsionado pelo derretimento das calotas polares, gera ressacas devastadoras, enquanto fenômenos como o El Niño intensificam ondas de calor extremo, ameaçando diretamente a classe trabalhadora, submetida a jornadas exaustivas.
A ideologia dominante, contudo, atribui as mudanças climáticas a escolhas individuais equivocadas, como banhos prolongados ou descarte inadequado de lixo. Os negacionistas, por sua vez, argumentam que o aquecimento global é um processo natural da Terra, marcado por variações térmicas ao longo de eras geológicas. No entanto, a industrialização acelerou esses processos de forma brutal. Em menos de 300 anos, o desmatamento para pastagens, a queima de combustíveis fósseis e a urbanização transformaram o mundo mais intensamente do que todo o período anterior de ocupação humana. Desde a Revolução Neolítica, há cerca de 10 mil anos, não se via um salto qualitativo tão drástico na exploração da natureza. Cientistas denominam essa nova era de Antropoceno, embora oficialmente ainda estejamos no Holoceno, um período de estabilidade climática que vigorou nos últimos 11.700 anos.
O Antropoceno representa a era de dominação humana sobre o planeta e, simultaneamente, a consolidação da sub-humanidade. O filósofo Ailton Krenak utiliza esse conceito para designar os oprimidos pelo sistema capitalista — quilombolas, indígenas, caiçaras e ribeirinhos —, para quem o fim do mundo já ocorreu com as grandes navegações, quando europeus impuseram seu modo de vida ou a morte. O Antropoceno é o prenúncio do extermínio da fauna, da flora e da diversidade humana, sendo os sub-humanos as primeiras e mais evidentes vítimas, submetidos a etnocídio e genocídio.
O colapso ambiental é agravado por conflitos bélicos. Apesar de proibidas por convenções internacionais, armas químicas como bombas de fósforo branco e termobáricas têm sido utilizadas, como no recente conflito em Gaza. O custo climático dessas guerras supera as emissões de carbono de mais de 100 países somados, evidenciando a dimensão global do problema.
Os oprimidos do capitalismo frente ao colapso ambiental
No Brasil, o discurso oficial de representatividade contrasta com a prática de conivência com o extermínio dos povos originais. Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência um projeto que desmonta procedimentos de demarcação de terras indígenas, anulando a homologação de áreas como Morro dos Cavalos e Toldo Imbu, em Santa Catarina. No Maranhão, a pulverização aérea de agrotóxicos contaminou a água de 200 comunidades, enquanto a monocultura do eucalipto, expandida por corporações como a Suzano, devastou a fauna aquática em regiões próximas a Canaã e Palmeira. No Pará, o projeto de lei 2486/2026 reduz os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, abrindo caminho para grilagem, desmatamento e conflitos agrários, nos quais os povos originários são as principais vítimas.
Não existe um planeta B, pelo menos não para os 90% de sub-humanos que enfrentam riscos cotidianos com desabamentos, enchentes, água contaminada e temperaturas extremas no trabalho e nos transportes. Enquanto isso, uma minoria bilionária investe em bunkers de alto luxo para assistir, como espectadores distantes, às guerras e aos efeitos do colapso ambiental. A mudança desse sistema, portanto, depende da ação organizada dos trabalhadores. Somente em uma sociedade socialista, pautada pelo bem comum, será possível mitigar os efeitos devastadores do Antropoceno e construir um futuro minimamente sustentável para a humanidade e para o planeta.




