O 1º de Maio, chegou com uma onda de mobilizações dos movimentos sociais, populações indígenas e de diversos setores da Educação pública.
As greves dos Técnicos-Administrativos das universidades federais, Professores das redes municipais de São Paulo e Minas Gerais, profissionais da Educação estadual do Rio de Janeiro e, com especial ferocidade, dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) têm exposto a podridão do Projeto Educacional da burguesia e da face truculenta de um Estado que, para atender aos interesses de mercado, retira verbas públicas municipais, estaduais e federal.
Uma parcela da classe trabalhadora tem enfrentado a retirada de direitos, o sucateamento, as privatizações e as políticas de austeridade. Mas, o governo federal tem garantido o aprofundamento das medidas que há décadas destroem o ensino público e são aplicadas agressivamente pelos governos nos estados e municípios.
Educação pública, gratuita e de qualidade
Nesse momento, os movimentos grevistas têm características semelhantes, embora com reivindicações específicas, e estão unidos contra um inimigo comum que é o Projeto Educacional que entrega a Educação pública para o controle de empresas e até de instituições financeiras.
Os Técnicos-Administrativos das universidades federais com greves ao menos em 54 instituições têm exigido apenas o cumprimento do acordo de 2024: o reajuste salarial, a jornada de 30 horas, o Reconhecimento de Saberes e Promoção na Carreira.
No entanto, o governo Lula finge não lembrar do acordo e o Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) também não dialoga. Apostam em restringir os critérios de promoção na carreira, em dividir a categoria e enfraquecer a luta.
Na cidade de São Paulo, os Professores têm enfrentado com greve o bolsonarista Ricardo Nunes (MDB), que aprofunda as perdas salariais e impõe mais cortes de direitos. Também enfrentam o Tribunal de Justiça da elite paulista que não cumpre Lei e criminaliza a luta ao determinar aplicação de multa e exigir que 70% dos professores estejam em sala de aula, na busca de enfraquecer a luta.
No estado do Rio de Janeiro, os Professores e demais profissionais da Educação pública têm denunciado as perdas salariais e de direitos desde 2019 e têm exigido a recomposição. O governador Cláudio Castro, também do Partido Liberal e aliado de Bolsonaro, trata os Professores como inimigos. A categoria tem se organizado e se mantém em estado de greve.
Estudantes da USP diante do governo de extrema-direita
Depois de muitas tentativas de diálogo com o reitor Aluísio Segurado, os estudantes da USP ocuparam salas, pátios e a própria reitoria em defesa da educação pública e de condições básicas como restaurantes universitários e moradia estudantil dignos, reajuste do auxílio permanência e por mais verbas para garantir a qualidade de ensino-aprendizagem.
A resposta da reitoria junto com o governo de extrema-direita de Tarcísio de Freitas (Republicanos) já está registrada nas páginas mais vergonhosas da história da universidade: a Polícia Militar a mando da reitoria, durante a madrugada do Dia das Mães, reprimiu os estudantes violentamente com agressões físicas e os ameaçando de morte. Cerca de 5 estudantes ficaram feridos e sem atendimento médico. E mesmo com ameaças e muita repressão, os estudantes vêm resistindo e seguindo com a greve!
Esse Projeto Educacional da extrema-direita tem sido aplicado nas várias universidades pelo país. Os estudantes da USP viveram o mesmo que os da UERJ. Em 2025, o ex-governador Cláudio Castro e a reitoria ordenaram que o CHOQUE os expulsasse da ocupação, independente dos meios necessários.
E o governo federal?
Uma afirmação necessária é que Lula (PT) também tem responsabilidade por essa situação caótica da Educação pública, que sob o discurso de defesa da igualdade e fim da pobreza, continua como governo da/para a burguesia e não para a classe trabalhadora.
O Orçamento da Educação em 2026 é o menor da última década e as universidades amargam sucessivos cortes, mas bilhões vão para o pagamento dos juros da dívida “pública” e para subsidiar grandes empresários. A Educação pública continua sendo tratada como despesa e não como o nosso direito.
Unidade e radicalidade nas lutas
Diante desse cenário, a resposta não pode ser o apelo institucional, a crença em governos, juízes e parlamentares. A nossa resposta tem que ser a luta direta e a unidade de toda a classe trabalhadora com a greve geral. As greves e mobilizações para manutenção e conquista de direitos são chamas do mesmo incêndio. A luta de classes não espera.




