A possibilidade de um novo El Niño de forte intensidade, entre o fim do inverno e a primavera, em 2026, coloca novamente o Brasil em alerta sobre o risco de eventos climáticos extremos. Os efeitos se tornam ainda mais preocupantes, pois ocorrem em um planeta já mais quente (a temperatura média da Terra subiu cerca de 1,43°C a 1,47°C em comparação com os níveis pré-industriais de 1850 a 1900, aumentando a frequência e intensidade de enchentes, secas, incêndios florestais, crises hídricas e problemas de saúde pública.
Para especialistas, a principal lição deixada pela tragédia de 2024 no Rio Grande do Sul é que não basta acompanhar as previsões meteorológicas. Mais do que nunca, é preciso preparar a sociedade para conviver com um clima cada vez mais instável, uma das consequências da ganância predatória do capitalismo. No Brasil, o El Niño costuma provocar aumento das chuvas e do risco de enchentes no Sul; favorece secas no e também está por trás das crises hídricas no semiárido, que abrange 1.477 municípios em nove estados do Nordeste e no norte de Minas Gerais. Ocupando 15,3% do território nacional e que abriga cerca de 31 milhões de habitantes.
Além disso, expõe as consequências de décadas de urbanização desigual, concentração fundiária, desmatamento, ausência de planejamento territorial e exclusão social. O que torna visível processos pelos quais determinados grupos sociais são sistematicamente mais expostos aos riscos climáticos e menos atendidos pelas políticas públicas.
Com probabilidade de seca forte no Norte e no Nordeste, chuvas extremas no Sul e calor fora do comum no Centro-Oeste e no Sudeste, especialistas já fazem as contas sobre possíveis impactos na atividade econômica e no bolso da população.
Dois segmentos com grande peso no cálculo do IPCA, o índice oficial de inflação do país, estão em alerta: o setor elétrico e o de alimentos. No primeiro, a geração hidrelétrica pode ser afetada negativamente pela seca, obrigando o acionamento de mais termoelétricas, aumentando consideravelmente as contas de luz. No segundo, a irregularidade das chuvas ameaça o plantio da soja, a principal commodity agrícola brasileira, e até mesmo a produção leiteira.
No Brasil, a população negra será a mais afetada, juntamente com as mulheres e os indígenas pelas fortes alterações climáticas que se anunciam. O fato da maioria dos negros morar em áreas de risco, com possibilidade de alagamento e deslizamento, se combina à ausência de saneamento básico e de moradias dignas.
Uma realidade que se mantém e só se aprofunda, sacrificando os segmentos sociais mais proletarizados, renegados e precarizados, seja pela falta de energia, infraestrutura e moradias precárias. Enfim, os problemas parecem diferentes, mas são causados pelo sistema capitalista, aquele que privilegia o lucro contra o meio ambiente, favorecendo, em consequência, os setores burgueses, os mesmos que causam as destruições ambientais e condições de vida precária da população.




