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Home História

A restauração capitalista na ex-URSS: 40 anos da Perestroika

23 de agosto de 2026
in História
Figura com Gorbachev em primeiro plano (um homem branco, de óculos, careca, com uma marca vermelha na cabeça). As palavras "Glasnost" e "Perestroika" em destaque e vários símbolos ao fundo, coloridos, inclusive o símbolo da foice e martelo.
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Mikhail Gorbachev, na sua juventude, ingressou no Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Era a década de 50. Naquele período, a URSS passava pelo chamado processo de desestalinização, encabeçado pelo então secretário-geral Nikita Krushev, que consistia em afastar a imagem da União Soviética da figura e dos crimes cometidos por Stálin, o secretário geral do PCUS de 1922 até o ano da sua morte, 1953. Tudo para manter as coisas do mesmo jeito: ausência de democracia operária, privilégios materiais dos burocratas e opressão sobre as nacionalidades. Gorbachev foi um entusiasta do processo de desestalinização.

Em 1985, ele seria eleito como o 7º secretário geral do PCUS, após a morte de Konstantin Chernenko. Sua política de reformas conhecida como Glasnost (do russo, “transparência”) visou tirar o controle do partido comunista sobre o Estado soviético. Para isso Gorbachev precisou focar em reformas econômicas na URSS, descentralizando as mesmas do controle do partido e introduzindo elementos de mercado na economia soviética. Esse movimento ficou conhecido como Perestroika (em russo, “reestruturação”).

As previsões de Trotsky sobre a URSS

O revolucionário bolchevique Leon Trotsky (expulso da URSS e depois assassinado a mando de Stálin) previu, 50 anos antes, que a burocracia soviética, por sua natureza contrarrevolucionária e pequeno burguesa, seria o agente da restauração capitalista na URSS. Trotsky combatia a teoria reacionária do “socialismo em um só país”, abraçada por Stálin, que isolou a URSS dentro de uma economia capitalista mundial.

Para se mostrar confiável aos Estados imperialistas, Stálin teve responsabilidade na derrota de processos revolucionários como o da China (1925-27), da França (1936) e da Espanha (1936-39). Já na derrota histórica do proletariado alemão com a ascensão do nazismo (1933), sua linha ultra esquerdista foi determinante, traição depois ratificada no pacto de não agressão Ribbentrop-Molotov (1939), descumprido por Hitler com a invasão alemã a URSS em 1941.

Com o fim da Guerra Mundial e derrota do nazi-fascismo, a teoria do “socialismo em um só país” stalinista foi atualizada pela teoria da “coexistência pacífica” dos dois campos, traduzida nos Acordos de Yalta e Potsdan, já que a grande destruição de forças produtivas em escala mundial levou à formação de novos Estados no Leste Europeu de economias não capitalistas, sob influência soviética, justamente onde o capitalismo era mais frágil.

Para manutenção dessa convivência pacífica, Stálin contribuiu novamente na derrota dos revolucionários na Itália, na França e na Grécia. Também concordou com a criminosa divisão do proletariado alemão, fracionado em 2 Estados (Alemanha Ocidental e Oriental), com a criação do Estado de Israel na Palestina e não deu apoio irrestrito às revoluções chinesa e coreana para não melindrar os Estados Unidos e manter intactos os acordos de não proliferação da Revolução Mundial.

A estagnação da economia soviética e dos Estados satélites nos anos 80

Entretanto, ao longo de décadas, os limites e fronteiras do Estado nacional asfixiaram o desenvolvimento da economia soviética e fizeram que a mesma tivesse uma grave estagnação caracterizada pelo controle burocratizado do Estado. O modelo sofria com a escassez crônica de bens de consumo, filas quilométricas, baixa produtividade agrícola e forte dependência das exportações de petróleo e ouro para manter divisas.

O governo soviético tinha que importar grandes quantidades de grãos do ocidente. Havia escassez de alimentos e, até, de sapatos. O mercado clandestino chegou a 10% do PIB soviético. Enquanto a classe trabalhadora padecia em longas filas ou no mercado clandestino, os gastos militares eram mantidos e ampliados para satisfação dos burocratas. Processos caóticos similares ocorriam nos demais Estados do Leste Europeu.

A transformação da economia soviética em economia de Mercado

A resposta da fração majoritária da burocracia a essa situação foi a Perestroika, Gorbachev aplicou medidas como a permissão para se criar e operar pequenas empresas privadas; legalizou os investimentos de empresas estrangeiras; deu autonomia empresarial para as empresas estatais, que passaram a visar o lucro; cortou subsídios governamentais; reduziu o orçamento militar e retirou as tropas soviéticas do Afeganistão.

Pelos grandes serviços prestados ao Capital, Gorbatchev ganhou o prêmio Nobel da Paz de 1990. Ele ajudou a criar as bases materiais na URSS para que os burocratas do partido e do Estado transformasse o seu poder político em poder econômico. Surgiam os novos magnatas e oligarcas da Rússia capitalista moderna.

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