Mikhail Gorbachev, na sua juventude, ingressou no Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Era a década de 50. Naquele período, a URSS passava pelo chamado processo de desestalinização, encabeçado pelo então secretário-geral Nikita Krushev, que consistia em afastar a imagem da União Soviética da figura e dos crimes cometidos por Stálin, o secretário geral do PCUS de 1922 até o ano da sua morte, 1953. Tudo para manter as coisas do mesmo jeito: ausência de democracia operária, privilégios materiais dos burocratas e opressão sobre as nacionalidades. Gorbachev foi um entusiasta do processo de desestalinização.
Em 1985, ele seria eleito como o 7º secretário geral do PCUS, após a morte de Konstantin Chernenko. Sua política de reformas conhecida como Glasnost (do russo, “transparência”) visou tirar o controle do partido comunista sobre o Estado soviético. Para isso Gorbachev precisou focar em reformas econômicas na URSS, descentralizando as mesmas do controle do partido e introduzindo elementos de mercado na economia soviética. Esse movimento ficou conhecido como Perestroika (em russo, “reestruturação”).
As previsões de Trotsky sobre a URSS
O revolucionário bolchevique Leon Trotsky (expulso da URSS e depois assassinado a mando de Stálin) previu, 50 anos antes, que a burocracia soviética, por sua natureza contrarrevolucionária e pequeno burguesa, seria o agente da restauração capitalista na URSS. Trotsky combatia a teoria reacionária do “socialismo em um só país”, abraçada por Stálin, que isolou a URSS dentro de uma economia capitalista mundial.
Para se mostrar confiável aos Estados imperialistas, Stálin teve responsabilidade na derrota de processos revolucionários como o da China (1925-27), da França (1936) e da Espanha (1936-39). Já na derrota histórica do proletariado alemão com a ascensão do nazismo (1933), sua linha ultra esquerdista foi determinante, traição depois ratificada no pacto de não agressão Ribbentrop-Molotov (1939), descumprido por Hitler com a invasão alemã a URSS em 1941.
Com o fim da Guerra Mundial e derrota do nazi-fascismo, a teoria do “socialismo em um só país” stalinista foi atualizada pela teoria da “coexistência pacífica” dos dois campos, traduzida nos Acordos de Yalta e Potsdan, já que a grande destruição de forças produtivas em escala mundial levou à formação de novos Estados no Leste Europeu de economias não capitalistas, sob influência soviética, justamente onde o capitalismo era mais frágil.
Para manutenção dessa convivência pacífica, Stálin contribuiu novamente na derrota dos revolucionários na Itália, na França e na Grécia. Também concordou com a criminosa divisão do proletariado alemão, fracionado em 2 Estados (Alemanha Ocidental e Oriental), com a criação do Estado de Israel na Palestina e não deu apoio irrestrito às revoluções chinesa e coreana para não melindrar os Estados Unidos e manter intactos os acordos de não proliferação da Revolução Mundial.
A estagnação da economia soviética e dos Estados satélites nos anos 80
Entretanto, ao longo de décadas, os limites e fronteiras do Estado nacional asfixiaram o desenvolvimento da economia soviética e fizeram que a mesma tivesse uma grave estagnação caracterizada pelo controle burocratizado do Estado. O modelo sofria com a escassez crônica de bens de consumo, filas quilométricas, baixa produtividade agrícola e forte dependência das exportações de petróleo e ouro para manter divisas.
O governo soviético tinha que importar grandes quantidades de grãos do ocidente. Havia escassez de alimentos e, até, de sapatos. O mercado clandestino chegou a 10% do PIB soviético. Enquanto a classe trabalhadora padecia em longas filas ou no mercado clandestino, os gastos militares eram mantidos e ampliados para satisfação dos burocratas. Processos caóticos similares ocorriam nos demais Estados do Leste Europeu.
A transformação da economia soviética em economia de Mercado
A resposta da fração majoritária da burocracia a essa situação foi a Perestroika, Gorbachev aplicou medidas como a permissão para se criar e operar pequenas empresas privadas; legalizou os investimentos de empresas estrangeiras; deu autonomia empresarial para as empresas estatais, que passaram a visar o lucro; cortou subsídios governamentais; reduziu o orçamento militar e retirou as tropas soviéticas do Afeganistão.
Pelos grandes serviços prestados ao Capital, Gorbatchev ganhou o prêmio Nobel da Paz de 1990. Ele ajudou a criar as bases materiais na URSS para que os burocratas do partido e do Estado transformasse o seu poder político em poder econômico. Surgiam os novos magnatas e oligarcas da Rússia capitalista moderna.




