Neste 1º turno indicamos voto nas candidaturas anticapitalistas (PCB, PSTU ou UP)
O proletariado deve aqui cuidar de que por toda a parte, ao lado dos candidatos democráticos burgueses, sejam propostos candidatos operários, na medida do possível de entre os membros da Liga e para cuja eleição se devem acionar todos os meios possíveis. Mesmo onde não existe esperança de sucesso, devem os operários apresentar os seus próprios candidatos, para manterem a sua democracia, para manterem a sua autonomia, contarem as suas forças, trazerem a público a sua posição revolucionária e os pontos de vista do partido.
(Marx e Engels, em 1850, trecho da “Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas”).
Nesta breve nota, resumimos as posições da Emancipação Socialista para o pleito deste ano. Trata-se de um texto inicial de apresentação de nossas posições.
Este processo eleitoral, como os anteriores, envolverá milhões de pessoas em diferentes graus de interesse. Trabalhadores, jovens, campesinos, operários e intelectuais estarão com algum grau de atenção nestas eleições gerais.
As candidaturas milionárias vão mobilizar seu processo de legitimação do seu domínio, de convencimento das pessoas de que a única alternativa de alguma mudança é a participação nas eleições. Também muito pouco se discute projetos políticos, as causas dos problemas sociais que a classe trabalhadora enfrenta, como a desigualdade social e as questões econômicas. O limite posto é a troca dos gestores do capital.
A burguesia não quer e não pode discutir questões de fundo e nós, marxistas e revolucionários, entendemos o mundo e a realidade a partir das relações de produção, de quem produz e quem apropria da riqueza produzida.
Nada se resolverá neste “jogo de cartas marcadas”, mas a partir da ação da classe trabalhadora na luta contra o capital, é no enfrentamento direto que está a chave para a vitória contra a burguesia, ou seja, a nossa prioridade sempre é a organização e a luta da classe trabalhadora porque esse é o meio de conseguirmos vitórias e direitos.
No entanto, atuar para mudar a realidade implica também atuar nesta dita ‘esfera política’, pois é um dos momentos de disputa da consciência da classe trabalhadora, de demonstrar os limites e os perigos da burguesia e do capitalismo.
Por isso, atuamos nas lutas sindicais, nas lutas populares e em diversas pautas (liberdades democráticas, contra a violência policial, pela legalização das drogas, etc.), mas também utilizamos esse processo eleitoral para apresentarmos as nossas propostas anticapitalistas, pois é um momento em que a classe trabalhadora, de alguma forma, se abre para reflexões sobre a situação do país, dos problemas que enfrenta e de como resolvê-los.
Os projetos majoritários em disputa: neoliberalismo petista e extrema-direita
Nesse processo eleitoral, as duas principais candidaturas representam o projeto burguês, cada um ao seu modo, os dois governarão para os ricos.
Um setor importante e com peso social e político que aposta em um projeto reacionário e moralista, de enfrentamento aos direitos democráticos: é a extrema direita e nem precisamos dizer muito sobre o que significam. Flávio Bolsonaro é o principal candidato, mas Zema, Caiado e Renan Santos são parte desse projeto político. É um setor que precisa ser derrotado, mas isso só será possível nas lutas e nas ruas.
O outro setor é o lulismo/petismo, com um discurso (e prática distante) progressista em relação a questões, como o meio ambiente e o acesso à universidade, mas o modelo econômico é neoliberal, como mostra a aplicação do Arcabouço fiscal, um teto de gasto público com outro nome. Nesse campo também colocamos o PSOL que debandou para a candidatura de Lula, não obstante, existirem candidaturas proporcionais críticas a esse apoio.
Ambos projetos não atendem as necessidades da classe trabalhadora.
Disputar a consciência da classe trabalhadora
Entre os trabalhadores, mesmo sabendo que os eleitos não vão mudar nada e continuarão governando para os ricos, há uma parcela que, por falta de alternativa radical, termina buscando o “menos pior”.
Também há outra parcela bem numerosa (a base do petismo/lulismo formada nas últimas décadas no país e com alguns posicionamentos progressistas) e que reconhece na institucionalidade o espaço possível para obter conquistas. Em alguns momentos, também atraem outro setor que não está disposto a se alinhar com a extrema-direita. Seguirão defendendo um governo de colaboração de classes atrelado a diversos setores da burguesia e sem capacidade de grandes reformas e concessões e, ao contrário, que aplica o receituário neoliberal com doses “mais suaves”.
No campo da esquerda anticapitalista, infelizmente prevalece a fragmentação e a pouca influência política entre os explorados. E os partidos legalizados (PSTU, PCB e UP) priorizam suas construções em detrimento de um projeto da classe trabalhadora contra o projeto da burguesia, demonstrando para os explorados e o povo pobre que qualquer mudança passa por enfrentar a burguesia e não só seus candidatos.
No entanto, nestas eleições de outubro, as direções dos partidos legalizados (PSTU, PCB e UP) infelizmente não apostaram numa candidatura unificada, a qual seria um fato inovador e significativo na mesmice eleitoral. Muitas ativistas se sensibilizaram com o chamado por esta “Frente da Esquerda anticapitalista”, mas isso não superou a postura de autoconstrução dos partidos legalizados que, em detrimento da construção de um movimento mais amplo, apostam em seus projetos. Considerando tal contexto nossa posição nestas eleições é chamar o voto nas candidaturas anticapitalistas para presidência e governos estaduais e apostar numa campanha unificada em conteúdo, eventos e ações focadas especialmente nas lutas. Desta forma, estaremos claramente nos opondo e apresentando uma alternativa: “nem a extrema-direita, nem o neoliberalismo petista”. Defendemos o voto nas candidaturas da esquerda anticapitalista, ou seja, a “3ª via” só tem sentido sendo a esquerda anticapitalista, é trabalhador contra burguês.
Um programa anticapitalista
Entre outros eixos de luta que propomos, se destacam o fim da jornada 6×1 com redução da jornada para 36 horas, sem redução salarial para todos os trabalhadores, salário mínimo de acordo com o DIEEESE, anulação das reformas trabalhista e previdenciária, taxação das grandes fortunas e dos bens de luxo (iate, aeronave, etc.) e não pagamento da dívida pública.
Ainda, defendemos a reforma urbana, nenhum imóvel desocupado, nenhuma família sem um lar, reforma agrária sob controle dos trabalhadores, enfrentamento ao colapso ambiental, contra o marco temporal, demarcação de todos os territórios indígenas, reconhecimento das terras quilombolas e nenhuma indenização aos invasores!
Outra questão é importante é o fim das emendas secreta e PIX (servem para a corrupção) e que a população trabalhadora controle o orçamento público.
Construir um movimento político da classe trabalhadora
Além das candidaturas majoritárias, no estado do Pará confirmamos o apoio ao camarada Eduardo Rodrigues, para deputado federal, nosso parceiro de luta do MSI (Movimento de Socialistas Independentes) e do MFSR (Movimento pela Frente Socialista Revolucionária). No Rio de Janeiro chamaremos o voto na companheira Barbara Sinedino, para deputada federal, lutadora da CST-UIT (Corrente Socialista dos Trabalhadores e das Trabalhadoras)
Tal posição reflete a batalha pela construção da unidade entre a esquerda revolucionária e por um movimento político e de uma consciência no interior da classe trabalhadora que deve continuar sendo o nosso horizonte mesmo após as eleições.
Uma das tarefas imprescindíveis para o próximo período é a constituição desse movimento político dos trabalhadores, como base para o desenvolvimento de uma consciência capaz de demarcar os interesses históricos da classe e uma plataforma de luta. Esse movimento é, necessariamente, superior às organizações, é a representação da classe de conjunto, dos setores urbanos e do campo. Só um movimento mais amplo pode atacar as bases da exploração e da reprodução capitalista no Brasil. Essa é a grande tarefa que a esquerda revolucionária precisa abraçar, se quiser responder aos desafios da realidade, é uma condição para a Revolução brasileira.
Brasil, agosto de 2026.




