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Acordo Irã-Estados Unidos: imperialismo foi obrigado a recuar

26 de junho de 2026
in Internacional
Acordo Irã-Estados Unidos: imperialismo foi obrigado a recuar
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O chamado “acordo de paz” entre Estados Unidos e Irã entrou em vigor por 60 dias, enquanto as negociações seguem. Um acordo que não vai garantir a paz, mas coloca algumas questões importantes na situação política da região.

A primeira é que, apesar de Trump tratar como uma grande vitória para os Estados Unidos, as coisas não saíram como ele imaginava. Os termos desses acordos entre governos burgueses nunca aparecem como exatamente eles são, mas dá para termos algumas ideias a partir dos termos divulgados pela imprensa.

Entre os pontos negociados estão o fim dos bombardeios dos Estados Unidos contra o território iraniano, o fim do bloqueio naval dos navios e portos iranianos e a abertura do Estreito de Ormuz e livre passagem para os navios petroleiros que estavam barrados.

É um acordo por 60 dias e enquanto seguem as negociações entre os dois países.

EUA perde e não conclui plano inicial

Os objetivos de Trump eram explícitos: desarmar o Irã, derrubar o regime dos aiatolás, colocar um governo fiel e leal e, como ele não se cansou de dizer, tomar o petróleo iraniano. Se partimos desses objetivos é óbvio que não foram alcançados.

Nesse aspecto, sair do conflito (mesmo que provisoriamente) é uma derrota do imperialismo. Pressionado internamente pela oposição à guerra, pela crescente impopularidade e pelo risco de entrar em uma guerra imprevisível, Trump não tinha muitas opções a não ser recuar e buscar algum tipo de acordo que não parecesse uma derrota completa. Mas a derrota aparece em três pontos:

Poucos meses antes o regime iraniano tinha enfrentado mobilizações importantes e a popularidade dos aiatolás nunca esteve tão baixa. Por isso, a avaliação inicial – e que se mostrou errada – de Netanyahu e Trump era que o regime iraniano entraria em colapso rapidamente. Mas a realidade foi bem diferente, pois o regime conseguiu responder aos ataques rapidamente, fechando o Esteiro de Ormuz (provocando tremores na economia mundial) e atacou várias bases estadunidenses na região e países aliados dos Estados Unidos e Israel, como Bahrein, Kuwait e Jordânia.

Os ataques israelenses e estadunidenses matando crianças em uma escola, atacando a população e a infraestrutura do país (inclusive reservatórios de água) produziu internamente uma unidade da população em defesa do país, fato que terminou fortalecendo o regime. Pelo menos por enquanto o regime se mantém.

Um dos eixos da política imperialista era sufocar financeiramente o Irã, que consistia em impedir a exportação de petróleo e confiscar recursos iranianos no exterior. E com o acordo, o Irã poderá seguir exportando petróleo – sua principal fonte de riqueza – e ainda receberá alguns bilhões de dólares, possibilitando resolver o problema interno de falta de dinheiro. No acordo há uma cláusula prevendo um plano de 300 bilhões de dólares para a reconstrução do Irã, incluindo a devolução de mais de 20 bilhões de dólares em fundos iranianos congelados no exterior. Outro elemento importante que mostra as dificuldades para os Estados Unidos é que a força militar iraniana não foi derrotada e mostrou muita capacidade de resistência, incluindo a derrubada de poderosas aeronaves.

Segundo informações da “insuspeita” mídia estadunidense o Irã restaurou o acesso operacional a 30 dos 33 locais de mísseis que mantêm ao longo do Estreito de Ormuz, e, mesmo com a destruição da maior parte do arsenal da marinha iraniana, o país ainda possui “centenas de pequenas lanchas que podem ser usadas para colocar minas no Estreito”, e mantém intactos cerca de 70% de seus lançadores móveis e “cerca de 70% de seu estoque de mísseis pré-guerra”, incluindo mísseis balísticos (aqueles que podem atingir outros países da região) e mísseis de cruzeiro de curto alcance.

A mesma mídia também informa que as forças militares iranianas recuperaram “o acesso a cerca de 90% de suas instalações subterrâneas de armazenamento e lançamento de mísseis em todo o país”.

Uma questão que não está muito precisa é se o Irã continuará com o enriquecimento de urânio. O acordo com o governo Barack Obama tinha limitado o enriquecimento a 3,675, quantidade suficiente para ser usado em reatores nucleares, mas que não consegue produzir armamento. O primeiro mandato de Trump rompeu o acordo e agora diz que “eles só podem enriquecer para fins não militares – para sempre”. Depois, o vice-presidente Vance falou que o Irã nunca possuiria uma arma nuclear, o que foi “construído neste acordo”.

Israel também perde

Trump fez um acordo sem Israel participar e concordar e ainda colocou que a guerra acabaria também no Líbano, algo que afeta o projeto expansionista de Israel. Por isso, Netanyahu e a extrema-direita israelense também saíram derrotados, pois o seu projeto é transformar Israel em um “imperialismo regional” e se colocar como a força dominante no Oriente Médio, no entanto, precisa derrotar o Irã que é o seu principal e único obstáculo nesse momento, algo mais distante nesse momento.

É por isso que os sionistas mais reacionários continuam atacando o Líbano e sabotando o acordo. O reacionário e fundamentalista Ministro da Segurança Nacional de Israel, Ben-Gvir, tem dito que o Estado sionista não estava vinculado ao acordo entre os Estados Unidos e o Irã e que Israel não vai se retirar do sul do Líbano.

A pressão e a sabotagem de Israel vão continuar, mas, nesse momento e pelos problemas que Trump enfrenta internamente, é pouco provável que os Estados Unidos retomem os ataques ao Irã. A questão é saber se conseguirão fazer Israel cumprir sua parte no acordo e retirar as forças de ocupação do sul do Líbano.

 

Nenhuma confiança nesses “acordos de paz” e mobilizar as massas

Sabemos que esses “acordos de paz” não garantem nada. Em Gaza os ataques contra os palestinos continuam todos os dias, matando centenas de pessoas e mantendo uma longa faixa de terra sob controle militar de Israel. Trump e Netanyahu não merecem nenhuma confiança, são criminosos de guerra.

A saída continua sendo a mobilização da classe trabalhadora mundial, seguindo o exemplo da classe trabalhadora italiana que realizou uma greve geral em apoio aos palestinos, a realização de bloqueios de navios que enviam armas para Israel, manifestações e ações de boicote aos produtos israelenses (Movimento BDS: Boicote, Desinvestimento e Sanções), entre outras medidas.

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