Após a visita aos Estados Unidos de Flávio Bolsonaro, o presidente norte-americano Donald Trump decretou, em início de junho, um novo “Tarifaço” aos produtos brasileiros. Ano passado, Trump já tinha aplicado um “Tarifaço” com taxação de até 50% sobre produtos importados brasileiros, como aço e alumínio, provocando queda nas exportações brasileiras.
Dessa vez, a taxa varia de 12,5% a 37,5%. Uma das justificativas para o novo “Tarifaço” estadunidense foi o desmatamento brasileiro. Algumas commodities brasileiras ficaram isentas de taxação, somente com o objetivo de conter a inflação nos EUA (alimentos e energia), além de haver matérias-primas que a indústria norte-americana não consegue produzir em quantidade suficiente. Paralelamente, o imperialismo ianque declarou guerra ao PIX brasileiro, alegando que o mesmo coloca empresas americanas de pagamentos (que cobram taxas) em desvantagem.
A criminalização dos movimentos sociais: a outra face ofensiva de Trump no Cone Sul
Sem obter os resultados almejados na guerra imperialista que desenvolveu contra o Irã, o presidente norte-americano prossegue com a sua ofensiva na América Latina. Ora utilizando a intervenção militar quando necessário (Venezuela); ou chantageando fazer o mesmo (Cuba); e mesmo qualificando organizações do narcotráfico como “terroristas”, visando criminalizar os movimentos sociais (México, Colômbia e Bolívia).
O Brasil entrou nesse contexto de criminalização, por parte dos EUA, das organizações do tráfico, como o Comando Vermelho e o PCC. Essa medida abre as portas até para uma intervenção militar futura no nosso país. No atual momento, a medida visa somente chantagear o governo brasileiro, de olho nas commodities do país, semelhante ao que ocorre hoje com a cobiça ianque no gás e nos minérios raros bolivianos, no petróleo venezuelano e na abertura da economia cubana para as empresas norte-americanas.
A capitulação política do governo Lula frente às imposições do imperialismo ianque
Desde o “Tarifaço” de Trump de 2025 (que veio acompanhado de sanções aos ministros do STF), a postura do governo Lula foi a de se submeter às chantagens estadunidenses. O governo brasileiro até bravateou; sancionou lei de reciprocidade e puxou atos contra o “Tarifaço”. Mas, na assembleia da ONU do ano passado, os dois mandatários anunciaram uma “química” entre eles, aparando, dessa forma, as arestas.
O “Tarifaço” de 2025 foi sendo, paulatinamente, amenizado. Em troca, Lula confirmou a abertura do Brasil para a exploração de terras raras e minerais críticos (o país possui a segunda maior reserva do mundo) por empresas dos EUA e de outras nações. Também empresas petrolíferas norte-americanas, como a ExxonMobil e a Chevron, arremataram blocos na área do Foz do Amazonas para exploração de petróleo, nos últimos leilões. E a entrega só não foi maior porque a privatização das hidrovias dos rios Tapajós e Madeira, que ia beneficiar multinacionais norte-americanas como a Cargill e a Bunge, foi barrada pela resistência heroica dos indígenas, dos sem-terra e da população ribeirinha, no início desse ano.
Quem muito se agacha…
Trump, mesmo elogiando Lula na reunião com Flávio Bolsonaro, não perdeu a oportunidade da visita do candidato de extrema-direita brasileiro para uma nova ofensiva sobre o Brasil. Além de tentar interferir nas eleições brasileiras desse ano, o imperialismo ianque busca tirar mais vantagens do governo de Frente Ampla e assim enfraquecer e conter a expansão do BRICS na região.
Lula, apesar dos discursos nacionalistas utilizados com finalidades eleitorais, continuará obediente ao imperialismo ianque. Na reunião do G-7, por exemplo, não mencionou o novo “Tarifaço”. Outro exemplo disso é que em comum acordo, mesmo com políticas diferentes, Trump e Lula atuam no socorro ao Governo boliviano Rodrigo Paz, acuado por um levante popular. Enfim, novas concessões de Lula ao imperialismo virão.



